sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

O Corpo é Abrigo

O teu corpo é o abrigo
Onde quero viver
E acordar todo dia
Dentro e fora dele

Quero ter autonomia
Para poder encarar
E desejar
Esse abrigo quente

Poder contemplar sua natureza
E, ao seu lado, sentir
O sol quente, queimando teu umbigo
Onde me deixa descansar a cabeça

Quero mergulhar, sem medo, nas tuas águas
Me leve para um lugar onde nunca fui
A maior parte das tragédias
Começa quando não tentamos voar.

Se o teu corpo é mesmo esse abrigo
É com ele que quero deitar e sonhar devaneios
Germinar sentimentos bem profundos
Ou apenas ficar em silêncio.

Se o teu corpo é o abrigo
Então
Me abriga em você!

Teu Cheiro Sumiu

O teu cheiro
Já nem existe mais
Sumiu naquele último vento
O tempo levou para bem longe

Outras praias, outras águas para mergulhar
Mentiu enquanto me olhava nos olhos
E tremia, todo seu olhar
Era vazio

Não queria preencher nada
A história nem existia
Por favor, me atinja agora
Ou nunca mais aponte para mim

Disse uma coisa bem estranha
Depois sumiu, virou fumaça
Nem lembro mais da tua voz
Nem sei mais como era teu sorriso

O teu cheiro
Ele já nem existe mais
Acho que nunca existiu
Foi apenas um sonho.

O vento leve batendo na minha cara
Me dou conta que o tempo é aqui (nesse momento)
Olho para trás e não me arrependo
O que deixei, ficou em bom lugar.

Agora sigo,
Mirando as estrelas
Em busca de novos sabores,
quem sabe é agora.


Adeus

E se eu disser que é adeus
Essa canção emitindo um mantra
Nem aconteceu, é verdade
Foi apenas um sonho, com barulho de pássaros ao fundo

Olhando em volta
A paisagem seca, a vista árida
O coração já aflito de tanta tentativa
Respira fundo, busca o ar... não vem.

Tem fome, mas esquece
A vida passa diante de seus olhos
Muitas vezes se negligencia
Finge ser uma pessoa que não é

O tempo passa
Tudo seco, sentimentos precisam ser nutridos
Sozinho não se constrói um castelo
Pensa, mas só pensa.

domingo, 24 de dezembro de 2017

Romance Eletrônico

O amor é estranho
São tantos ritmos dançando na chuva
Quando olho para você
E teu olhar dança, eu danço também

Mas é estranho
É como dançar sozinho
Estou cego, eu sei
Parado nessa esquina sem enxergar o que estou sonhando

Eu poderia ver
Mas estou cego
E caminho cruzando a rua
É apenas um sonho, mas não consigo lembrar o caminho

Não deu tempo de construir nada
Eu não tenho nenhum sentimento
Eu não tenho nenhum passe
Estou parado aqui, o que devo fazer?

Ir para o espaço
Refrigerar minha mente
Abrir meus compartimentos internos
Sou apenas um sonhador, o que devo imaginar?

Da última vez,
Você sorriu para mim no meu beijo
Eu pensei que era para acreditar.
Depois veio o silêncio.

Teu rosto sumiu.
Teu toque que nunca existiu.
O meu pensamento distante, tudo resumido
Num romance eletrônico.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

sabe o tempo...

2:13 am.

Coloca o ZUMA, do Neil Young para tocar, enquanto pensa em tudo o que lhe aconteceu em 2017. Na verdade, reflete sobre a virada repentina, que lhe aconteceu do meio de novembro para dezembro de 2016 e que culminou num novo ano totalmente amplo, completamente aberto e absurdamente diferente do passado.

Em Novembro de 2016, um trágico acontecimento lhe trouxe um tormento inexplicável, tomou conta dos seus pensamentos durante um bom tempo, afligiu seu coração por cerca de três meses torturantes, até chegar o maravilhoso mês de março e as águas começarem a lavar suas mágoas. Uma viagem para um país distante, desbravar novos territórios, conhecer novas cidades e pessoas, é sempre bom para abrir os sentidos novamente, e foi isso que ele fez. E foi isso que ele buscou. Ouvir mais do que falar, aprender com o silêncio. Observar o comportamento de outras pessoas, distantes do seu. Daí em diante, buscou se recolher dentro de si, como que em busca de uma nova pele, um novo recomeço, planejando sempre novos vôos. Enquanto estava recluso. Muita coisa aconteceu, ele mesmo continuou confuso, mas mesmo assim não deixou de amar e de conhecer novas pessoas, bonitas pessoas, mulheres fantásticas e cheias de força e verdade, que lhe ajudaram a entender tudo, principalmente, que ele não estava errado. Só havia sido mal julgado. Por uma pessoa que, talvez não tivesse o direito, de lhe julgar de forma tão fria e sem ceder espaço para um contra argumento. Mas ele, no fundo sabia, que todo aquele julgamento pelo qual estava passando era apenas reposta do Universo por conta de ter julgado outra pessoa antes, sem conhecê-la e sem ter o direito de fazer isso. O tempo pune, mas também, sabe reconhecer.

(em construção)

domingo, 17 de dezembro de 2017

Silêncio no Escuro

Um ruído intermitente que cessa num golpe escuro.
Abrindo espaço para o barulho da noite.
O silêncio das estrelas
É bom quando se pode contemplar a imensidão do céu

Um disco do Flying Sauce Attack está tocando na vitrola
Ajuda o pensamento a voar, em meio aos ruídos
É como o vôo de um pássaro cego
Que não sabe para onde ir, mas busca pousar em algum lugar...

Você busca as coisas antigas, aquelas que sabem te satisfazer
Tem medo das coisas novas, prefere o escuro
Enquanto canções tristes ecoam pelo quarto
A fumaça do cigarro cortando sua respiração

Lembra que não comeu hoje
Estava eufórico demais, ou talvez apenas aflito
Os pensamentos lhe fugindo o controle
Imaginando coisas sem sentido algum.

O silêncio, muitas vezes
É o pior inimigo.
Outras tantas.
Faz pensar.

O silêncio no escuro.

sábado, 16 de dezembro de 2017

os dedos, os medos

Hoje um amigo lhe escreveu
Disse que outro amigo, distante
Queria lhe ver.
A notícia chegou sem calor algum.

A resposta foi fria, e distante.
Talvez todo esse tempo
Em que ele passou distante de tudo
Os dedos, os medos, tudo lhe aflige, tudo lhe traz pavor.

Um resposta fria, uma distância
Tudo é desculpa
E se transforma numa dor ainda maior
Quando a dúvida lhe aflige a cabeça

O que é pior?
Viver o inesperado
Ou esperar e não viver?
E por que não arriscar?

Os medos, os dedos
sempre apontando.
sempre aprontando.

Por que não esperar?

Era uma tarde simples, não fosse aquele sentimento estranho
Afligindo sua mente, lhe questionando.

Desde a última decepção, seu corpo sentiu bastante
Foi embora, sem falar nenhuma palavra, preferiu o silêncio
E permaneceu assim durante muito tempo, mas agora
Busca respostas antes que existam perguntas

E continua sentindo medo
Mas mergulha profundo em quase tudo
O precipício lhe amedronta e lhe atrai
Ao menos, não tem medo de voar

Num devaneio, quis marcar o tempo
E mandou plantas para alguém que lhe interessava naquele dia
Como resposta, obteve a verdade que tanto queria
E sentiu com ela um vazio profundo

Era para ser apenas uma tarde simples
Não fosse aquele sentimento estranho
Não fossem aquelas palavras, aquela fuga repentina
Era hesitante, quase sempre, mas o que pensar nesse momento?

Ele tentou,
Buscou antecipar as respostas
Talvez tenha dado certo.
O tempo irá dizer tudo.

Nesses lapsos de tempo
Perduram os mesmos medos e a mesma angústia.
Por que não esperar?
Se a resposta é sempre não.


terça-feira, 7 de novembro de 2017

Cheiro Estranho

Lembrou do dia em que estava sozinho,
Andando pela praia.
Os pés na areia, sentindo a mansidão do mar

Tudo que pensava era muito distante.

Aquele sentimento ultramarino
Lembrou que tinha te visto vestida de Yemanjá
Parecia transbordante em alegria
Mesmo assim não se contagiou, estava cego.

O tempo passou e permaneceu assim
Cético de tudo, negando o amor
Agora que tudo acabou, sente algo estranho
Um cheiro estranho.

Parece que tudo está se decompondo.
O vento parou de ventar.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

DERRETENDO CÉREBROS À MEIA-NOITE

Um barulho de órgão intermitente
Um noise transverso, que se distancia e se aproxima
Com avidez flutuante
E me pergunta: onde você está agora?

Eu não sei.
Nem ouso responder.
Sinto a respiração
Enquanto ouço as espirais flutuando em meu cérebro

Esse noise familiar
Ele me pergunta: onde você está agora?
E se finda, como se caísse num buraco negro
Ou como se fosse transportando instantaneamente para outra dimensão

Alguma vezes eu penso
Eu fui feito para essa vida
A maioria das pessoas como eu
Elas não tem fé, vão até a escuridão e sentem medo

O que acontece depois de tudo isso?
Como posso aproveitar minha existência
Onde está a pequena paz na verdade humana
Que vai desfazer toda essa confusão?

Dormir, dormir
Deixar queimar, deixar queimar
Caminhando além, de nossa existência
Flutuando, respirando, falando, pensando, sentindo.

Dormindo
É um furacão, um vulcão quase a explodir
Destrói, a distância... caminhe, caminhe...
A voz dizia isso, na porta de Cemitério.

As sombras, desse tempo, distância fatal.
Caminhe, Caminhe
Cruze a linha da escuridão
Explore seus sonhos...

Acorde!

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Meu Beijo

Se te imagino no meu beijo
Ainda não sinto
O toque macio da sua boca
Minha boca macia querendo sua boca macia

Ainda não sinto
Mas imagino tudo
Cada suspiro, sua respiração
Nossos corações batendo

Se imagino o teu beijo
Sinto algo profundo
E insisto
Pois no meu beijo você também pode sentir outro mundo

E criar algo novo
Dentro de mim.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

GOSTOS


Gosto de quem não julga, mas pára e ouve (e até ensina)
Gosto de pitanga, na fruta, no sorvete e no sumo
Gosto de beijú molhado, de beijo doce e tapioca quentinha
Gosto de abraços, e de três beijos, e de carinho quando é amor (e tem afeto).
Gosto de quem gosta de se jogar com gosto na vida
Gosto mais de espelhos do que dos reflexos
Gosto de café de manhã, de tarde e de noite
Gosto de sentir o gosto do teu beijo com sabor de café a qualquer hora do dia.
Gosto de sumir, e aparecer, sem avisar
Gosto de viajar, sem sair do lugar, ou indo para bem longe
Gosto do sereno, do calor e da chuva
Gosto do céu rosa quando é de tardinha
Gosto de você quando gosta de mim
Gosto de olhar no teu olho quando teu olho olha para mim
Gosto do azedume do seu beijo depois que você come cajá-manga
Na verdade, Gosto do seu beijo com sabor de qualquer fruta, doce ou azeda.
Gosto tanto da sua manha.
Gosto quando é de manhã.
Gosto da luz do sol batendo no seu corpo.
Gosto do seu corpo no meu corpo e nós dois sob o sol.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

O Calor Feminino

Assim, não sei ao certo, nem tenho certeza
Mas toda vez que me vejo em mudança
Ou encurralado por alguma situação dantesca
Que me tenha ocorrido à força, ou não.

Busco no Calor das Mulheres
O Abraço que desejo
E permaneço nele, até entender
Do que é feito aquele calor, aquele ardor, aquele amor todo.

No aconchego de um abraço feminino
Há respostas que nunca alguém ousou descobrir
Há perguntas que não tem respostas
E há respostas para tudo, para qualquer pergunta.

É infinito,
O amor feminino.
E é nele que confio meus medos, meus vacilos, meus tropeços
E busco entender, e busco ser sempre alguém, um pouco melhor.

Errei, tantas vezes
Me arrependi, tantas vezes
Segui, todas as vezes
E me permiti não olhar para trás, nem buscar saber.

Me bastam as mulheres da minha vida
As que vem e eu nem percebi, já tomam conta de tudo dentro de mim
Quero sentir, quero viver, quero esse abraço
Quente, cheio de respostas e perguntas, cheio de tudo o que preciso.

O Calor Feminino
É algo inexplicável
Basta sentir
E agradecer.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Pessoas-Manada

Custo entender as pessoas
Em manadas, como animais, mas diferentes
Conversando entre si, interagindo, trocando energias
Brigando, sentindo, querendo, amando e verbalizando tudo isso

De alguma forma
Me sinto fora desses grupos (por um momento)
E quando verbalizo quero falar com poucos
E quando falo com poucos, me satisfaço até.

É estranho?
Não sinto assim
Aliás, faz tempo que não sinto e apenas resisto
O tempo endurece as pessoas

Mas os jovens continuam em seus grupos
Pessoas-Manadas
Andando por aí, se fotografando em poses inimagináveis
Manadas delas, de pessoas

Eu, enquanto animal, me sinto absorto
E fujo, em busca de um bosque solitário
Onde eu possa pastar em paz
Procrastinar durante todo o dia.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Sono Profundo

Sinto um sono profundo
Um peso nos olhos
Uma vontade absurda de não ver mais nada
E apenas sentir, à distância, o barulho da linha ocupada.

Sinto um peso absurdo nas costas
Nas pernas, no fim do dia.
Deito meu corpo
Sonho alguma coisa que depois esqueço.

Sinto um sono profundo
Mas não durmo
Nem consigo relaxar
Seja doce comigo, eu não tenho culpa.

Sinto um peso enorme quando penso
E se penso muito, dói tudo.
Melhor dormir, tentar esquecer.
Nem que seja por alguns minutos.

Seja doce comigo,
Eu não tenho culpa.
Se me afastei de tudo, foi por não querer ser um peso
Nem para você, nem para ninguém.

Sinto um sono profundo
Melhor dormir.
E acordar em outro mundo.
Longe de tudo, mas ainda com dor.

I Don't Care

I won't forget about you!
because your smell
Lives inside my head
in my veins, like blood

I run, run, run
But i don't move to nowhere
I'm stay here forever
Looking for the past, feeling your smell, more distant everyday.

You never looked to me
it's a fact
More than true, it's a fact
But I don't care

I have my certain faith
sometimes it's wrong
but ok, the most important is the way
Don't look behind. It's hard... hard... hard.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Acalma-te

Acalma-te coração.
O tempo urge e caminha incessante
O peso do tempo, o atropelo das horas
Tudo é declínio nessa tarde opaca

O céu, cinzento e armado, ainda em silêncio
Acalma teu peito, pobre criatura
Que há muito por vir por debaixo dessa ponte
Tanta água que ainda não passou

O rio está cheio de peixes
Todos os tipos de sorte nessas águas turvas
Tais quais os pensamentos
A dor, o lamento, essa tarde vazia. Joga tua rede!

Acalma-te.
Respira.
Escuta o silêncio.
Dói mais lá fora do que aqui dentro.

A chuva é um prenúncio
Do que ainda não veio
Está tudo turvo, feio, denso e caudaloso.
Não mergulha agora. Espera passar.

Acalma-te marujo
O mar não está para peixe agora.
Escuta o barulho das ondas.
Olha para o Sol, se ele sair. Esperar esquentar.

Não se preocupa com nada
Faz como sempre fez
Segue adiante.
Cabeça erguida, Olhar radiante, mirando pro Norte num horizonte qualquer.

Pode ser tarde, agora.
Mas nunca é. O tempo não existe.
Tudo é questão de espírito.
Muda essa chave, acalma teu peito e respira.

A tarde ainda nem começou.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Licor de Murici

Ela me ligou dizendo que queria apenas fumar um baseado comigo e botar a conversa em dia. Demorou uns 30 minutos e chegou na minha casa. Tocou a campainha, fui na varanda e olhei para baixo, lá estava ela. Aquele rosto safado olhando para mim de maneira lasciva. Desci para abrir a porta. Ela sorriu e disse:

- Oi Bebê, quanto tempo... que saudade!!

Eu apenas sorri e disse: - Entra, vai!

Ela entrou e subiu as escadas. Retardei a caminhada para fechar a porta e chegar a tempo de contemplar aquela bundinha deliciosa subindo as escadas. Ela, assim como eu, era muito safada. E isso era bom, pois eliminava de cara certos pudores desnecessários à ocasião. Entramos em casa. Ela foi até a cozinha, puxou uma cadeira e sentou-se à mesa. Eu estava cozinhando um cuzcuz nordestino e continuei fazendo minha comida, que agora era a nossa comida. Logo iríamos estar comendo um ao outro. Questão de tempo, pensei.


As conversas eram as de sempre quase, a não ser pelo fato de que ela acabará de ser posta para fora da casa onde iria morar e estava meio perdida. Me pediu para ficar uns dias, eu relutei a pensar, mas disse que sim. Nunca soube dizer não a uma mulher, mesmo nas piores situações, sempre busquei satisfazê-las de alguma forma. Sempre busquei ajudar, doar um pouco do meu tempo, aprender com a energia delas. Mas voltando à comida, o cuzcuz ficou pronto e para acompanhar, fritei alguns ovos na manteiga. Um pouco de leite por cima do cuzcuz, mais manteiga no cuzcuz, acrescentam-se os ovos, uma xícara de café e pummmm... temos uma refeição!! Tomamos nosso café, enquanto ela falava sobre seus problemas e eu tentava ouvir tudo e passar alguma mensagem positiva que vinha à minha cabeça naquele momento, era uma troca meio injusta, visto que eu acabara de chegar de viagem pelo Nordeste do Brasil e estava com a mente bem calma e serena, o oposto do que se passava na mente dela naquela ocasião. Era um tormento leve, mas era assustador ver o quanto somos frágeis e estamos sujeitos aos imprevistos da vida. A corda-bamba em que nos equilibramos, chamada por muitos de vida!

terça-feira, 15 de agosto de 2017

escorrendo

A vida inteira
Escorrendo por entre meus dedos
Todos os dias
Pequenas gotas caindo no chão, em solidão.

Ruminando meus medos e erros,
Sem buscar ajuda.
Minha vida inteira
Deixei que escorresse e caísse pelo chão

Esparramei a vida
Naquele chão frio
Depois, só com a alma, e muita calma
Para recuperar o que restou

Depois de tantas pisadas
De tantas cuspidas e valas
Restou muito pouco
Nem uma gota, talvez.


terça-feira, 8 de agosto de 2017

corpos distantes.
pensando em estar próximos.
colados.
pensamentos distantes.

sonhando em estar próximos.
dois corpos.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Animal Ruminante


O tempo consumindo tudo
Nhac nhac nhac
O tempo ruíndo
Eu, ainda ruminando.

Essas palavras.
Me sinto um animal.
Mudo.
Ruminante.

Encontro no Céu

Não me pergunte onde eu vou
Pois eu vou mentir
Quando eu sair sem rumo
E não disser se vou voltar.

Saiba que posso ir longe
E até mesmo voar.
Hoje, tenho um encontro no céu
Não me pergunte como, mas eu vou lá.

Apenas saiba que eu posso voar.
E ir onde eu quiser.
A lua está em aquário.
É tempo de recolher e pensar.

O olhar sempre adiante
O ar sempre radiante
A firmeza no pensar
Hoje eu posso voar.

Não sei ainda como vou,
mas hoje eu tenho um encontro lá no céu.
Se quiser me ver,
É lá onde vou estar.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Café num País do Estrangeiro

Entra no Café.
Pede um expresso.
Busca uma revista ou folheto qualquer.
Vislumbra o ambiente.

Pensa em registrar aquele momento
Está em outro país, em outra cidade.
Se embriagando de outra cultura, outras vozes,
Outros diálogos lhe acolhem aos ouvidos.

Presta atenção, quer aprender
Quer apenas sorrir e ser feliz,
Nem que seja por um momento.
Um simples momento.

Quer registrar.
Saca o celular.
Se omite.
Tem medo.

O tempo.
O vento.
O sorriso no seu rosto.
Tudo.

Ficou mudo.
Chega o café.
Sorve, atento ao ambiente.
Tudo novo.

Seus olhos brilham.
Até quando manterá esse brilho?

Cego

Era de manhã, muito cedo.
Fazia um frio imenso.
Acordei cego.
O horizonte se fechou em negro diante dos meus olhos.

Não vi quando você foi embora
Foi tudo tão rápido.
O mundo continuou girando
Mas eu parei por muito tempo.

E contei cada dia
E sonhei.
Tudo em vão.
O tempo estava frio, eu estava cego e vadio.

Era cedo ainda.
Mas parecia muito tarde.
Naquela manhã,
Percebi o vazio.

Guerra Vazia

Vem com tudo
Me rasga a pele
Entra e toma conta do que sempre foi seu
Imagine que estou aqui para ser devassado

Venha com seu exército
E conquiste tudo
Invada minhas torres
Entre nas minhas salas

Sente-se confortavelmente
Em meu trono.
Domine.
Tudo, cada situação.

Sinta o barulho das cornetas
A guerra acabou
Você venceu.
Eu fui derrotado.

Mais Uma vez
Perdi.
Para quem sempre perco.
Eu mesmo.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Fuga

Eu esperei tanto
Que um dia acordei
E resolvi nunca mais esperar
Queria apenas te ver

Te olhar e ter certeza
De que tudo era apenas uma miragem
Que toda a fantasia
Era apenas um sonho torpe, sem sentido

Foi o que eu vi
E vi muito mais
Vi e senti toda a indiferença
O cinismo disfarçado de superioridade blasé

Distanciamento normal e obtuso
Nada que não foi esperado
Depois de tanto tempo
Foi estranho ter a chance de dizer tudo

E omitir boa parte
Quase tudo
Porque não havia sentido para dizer mais nada
Porque nada do que fosse dito faria sentido

Teu olhar fugia
Teu discurso era vinculado ao passado, uma mágoa
Vontade de dizer há muito
Fazia tempo e era muito, mas fugia, como sempre.

sábado, 22 de julho de 2017

Olhar

Não consegui manter
Nem te olhar
Teu olho fugia do meu
Eu tinha medo de procurar.

Estranho

Por que não fala algo?
Diz que sou um boçal
Um brutamontes deseducado
Animal ignorante, tosco, rude, obtuso.

Me enquadra
Diz que vai pregar um quadro
E não volta nunca mais
Nunca esteve aqui mesmo.

Mas sempre julgou.
Até hoje, julga como ninguém.
Analisa cada aspecto.
Bole com os sentimentos.

É tudo muito confuso
Parece que mente, parece que fala a verdade
É direto, um soco no estômago.
Estranho.

Tudo Me Interessa

Sou Selvagem e Vazio
Tudo me interessa
Digo que não sinto medo e vou
Me perco em meio à multidão e acho bom

O tempo não me cura, eu curo minhas feridas
Encontrando outros cortes
Caço corações, devoro sentimentos
Posso ser seu novo amor?

Não tenha medo do que vou falar
Se eu mentir, me perdoe
Foi força do hábito
Eu já nem sei quando falar a verdade

Finjo boa parte do tempo ser doce
Amo sem medidas
Abasteço minha alma com bastante libido
Faça calor ou frio, a caça está sempre à deriva

Golpe fatal,
Fuga e distanciamento.
É importante medir cada ato e marcar o território
Antes de dar o golpe final.

Tudo me interessa
Sua história me interessa.
Por que não me conta algo.
Faz tempo que estou aqui sentado esperando você falar.

Boa Noite.
Sei que nada vai acontecer.
Melhor mesmo.
Tudo me interessa, menos isso.

DESASSOSSEGO

Desassossego
No meu peito
Um passarinho solto
Voando sem parar

Ele não sossega
Voa, bate suas asinhas
Eu sinto elas batendo
Aqui dentro, sem parar

Desassossego
Um passarinho
Solto no meu peito
Voando, voando...

sexta-feira, 21 de julho de 2017

O tempo apaga tudo

Não adianta pensar
Nada volta atrás
Tem que aprender a seguir adiante
E esquecer, que um dia foi bom

Não tem mais força
Perdeu o sentido
Ou nunca teve
E buscamos em vão

Vai ver que foi tudo ilusão
Ou não tinha perdão
Meu olhar não cruzava mais com o teu
Tinha medo, tinha um recuo

Não adianta pesar
Não tem valor mesmo
O tempo passou e levou o pouco que tinha
Nada restou depois do vendaval

Palavras pesam mais que toneladas
E enterram qualquer sentimento
Falou como sempre na hora errada
E pagou muito tempo por errar as palavras.

O tempo apaga tudo
Menos o incêndio na minha cabeça
Esse maremoto, quando chega?
Preciso me preparar, caso tenha que ir embora.

Adeus, adeus.
Chegou a hora de dizer adeus a esse amor.
Não resta nada a não ser indiferença.
O tempo enterrou.

terça-feira, 18 de julho de 2017

E seu eu dissesse
Que ainda sinto, muito!
E queria me apresentar de novo.
Dizer que estou aqui
E sou capaz de reconhecer o quanto errei.

Inesquecível

Hoje, foi o dia mais feliz
E talvez o mais difícil de toda minha vida.
Pode reencontrar seu sorriso,
Tua voz que permaneceu muda por tanto tempo.

Poder te olhar nos olhos
Outra vez admirar
O brilho sereno e determinado que eles tem
Admiro cada aspecto de sua pessoa

Toda a maravilha que você é.

Depois de tudo,
Vi que errei no tom, na cor.
A minha fala vacilou
Meu pensamento ruiu

Não consegui externar
Nem metade do que pretendia
Era difícil, depois de tanto tempo, fazer sentido
Qualquer tipo de sentimento poderia parecer muito tolo

O contexto é outro.
Sangrei.
Continuo sangrando.
Acho que vou dormir agora.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

CATRACA

Naquela catraca,
Sua vida passou
Em fração de segundos foi embora
E ele, estático, viu ela passar

Cheia de vida
Cabeça erguida
Olhar lacônico e confiante
Passos largos e despreocupados

Ele, ficou parado, imaginou
Pensou errado
Outra vez, sua voz não saiu
Permaneceu mudo e paralisado

E foi embora também
Sentido culpa, um pouco de medo e alívio
Sem entender
Por que a vida faz assim com ele.

ACORDA RAPAZ!
É você quem faz isso com você mesmo!!
A vida não tem culpa de nada,
Ela vai sempre passar, por aquela catraca, confiante e feliz... indo embora para algum lugar radiante!

quarta-feira, 12 de julho de 2017

ALMA

Hoje acordei com frio
Minha alma estava nua
Não tinha pele, nem sentia
Outro corpo que habitava minha cama

A mesma trama
Na qual me meto e me confundo
Nunca quis maltratar teu coração
Nem o meu, nem o dela, nem o de quem ainda não conheço

Ontem, senti um calafrio
Meu corpo inteiro tremeu
Eu não ouvi os sinais de novo
E mandei outro recado sem sentido

Daqueles que se perdem no tempo
Porque o tempo já passou faz tempo
E nada irá fazer ele voltar
Nem velho, nem novo.

Hoje acordei estranho
Aquele corpo, que estava ao meu lado, não era
O meu desejo contido.
Me confundo outra vez, me perco, me despedaço.

E acabo destruindo outros castelos.
Hoje minha alma acordou nua
E não consegui me ver quando olhei no espelho
Não tinha pele, nem roupa, nem nada para lembrar ou sentir.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Passou

Novamente.
Você passou por mim.
E não falou, e nem me viu
Mas viu, também vi, fingimos juntos.

A farsa de sempre.
Passou outra vez
Acho que dessa vez foi para sempre
A chance se foi.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Um Novo Adeus

É sempre tarde,
Quando amanhece é tarde.
Quando entardece,
também é tarde.

Quando a noite vem
É um tarde gostoso.
É quente, frio, aconchego, desejo.
Passa tão rápido, e logo amanhece, e é tarde.

Um novo adeus.
Amanhã, quem sabe.
Ou nunca mais.
Te vejo.

E Aquela Cerveja

Oi, tudo bem?
Como vai você?
Há tempos busco entender
Parar de castigar sem ser o meu ser

Esquecer de tudo e de tão pouco
Um maremoto num pequeno copo de água semi-vazio
Torpor... um desejo contido, ou não.
O que vem agora depois desse teatro todo?

Confiei na tua palavra
Você chorou no meu ombro e disse amor
Eu comprei tua dor
Eu senti tua alma

E tudo foi em vão
É sempre assim, ilusão.
Até quando vamos acreditar
Que há alguém para nos surpreender, e amar.

Você não foi, mais uma vez
Acordei tarde.
Mais uma vez.
Perdi o trem, só depois entrei, e busquei um assento.

Mas agora ainda há tempo.
Sempre que ser, se conquista!
Me perdeu de vista...
E disse que tentou, ilusão.

E aquela cerveja, daquele dia
Deixa pra depois.



sexta-feira, 16 de junho de 2017

Opaco.

E se eu não acordar amanhã? Quem vai notar isso? Quem vai botar um disco para tocar? Por que diabos estou pensando nisso agora, melhor continuar fumando meu cigarro, o último do dia. Quem se importa. Acho que nem eu mesmo me importo. Não vou precisar colocar água no fogo, nem esperar ela ferver para passar o café. Não vou passar manteiga no pão, muito menos esquentar ele na frigideira. Não vou contemplar o céu, nem que ele esteja azul, muito menos cinza nublado. Meus emails vão chegar e ninguém vai ler, e se alguém ler, tudo bem. Já não estarei mais aqui para contestar nada. E o sol, se houver sol nesse dia, vai continuar brilhando. Eu, talvez, não brilhe mais. Estarei um tanto opaco.

Auto-Amor

Até quando vou preferir ficar sozinho
Com meus pensamentos
Vivendo e alimentando eles
Dentro de mim, apenas.

Filhos eternos, Tamagochis de mim mesmo.
Essa dependência que tenho
De gostar tanto de mim
Esse auto-amor.

Até quando isso será suficiente?
Até quando serei um vampiro em busca de um corpo?
Mas que sempre acorda no outro dia,
como se estivesse condenado.

Nessa eterna maldição
Esse vício incontrolável
Sedutor
Seduzir é perigoso.

Viver sozinho com meus próprios pensamentos
Me nutrir deles
Viver disso acreditando que posso ser só eu
E feliz.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

GALOPA


Galopa,
Enfurecido em meu peito.
Um cavalo.
Trota e pisoteia.

Relincha alto.
Balança o rabo.
Empina a cabeça.
Um cavalo.

Trota e pisoteia
Meu Peito.
Meu coração aflito.
Galopa.

domingo, 11 de junho de 2017

Horses

Hoje, depois de muito... muito tempo. Depois de ler dois livros dela. Depois de beber das memórias dela, e de sentir amor, desejo, respeito, admiração, ciúmes, aproximação, magnetismo, entre outros sentimentos e energias... ouvi Horses!

Memórias Parte 2

Fazia tempo que não revisitava aquele túmulo, estava quase esquecido, perdido num canto distante qualquer, mas de repente despertou. Sabe porque, insiste no erro, e segue querendo acertar sem poder... Tenta ser indiferente, mas soa impossível. Insiste e erra, se precipita, um precipício. Melhor tomar cuidado, sempre. Seguir adiante... Olhar para frente, sempre em frente, uma locomotiva sem freios, sempre adiante, até parar em algum lugar.

Fazia tempo que não sentia aquilo. Por que foi revirar aquele túmulo?

leve devaneio

Me peguei agora pensando,
no quanto escorregadio
é o pensamento
quando voa...

e se acomete de devaneios.

MENTIRA

na verdade,

eu não quero você
eu só quero dizer que quero te ver
mas não quero você
nem te ver, quero apenas dizer...

e depois sumir
não fazer nada depois
na verdade, eu não quero te ver
nem você quer me ver, nem me ter.

dizer que quer
é querer
não fazer nada depois
soa dissimulante, desestimulante ou somente vazio.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

agora vou falar sobre loucura...

em 3, 2, 1...

Na vida, a sinceridade é uma coisa que tem que ser direta, objetiva, senão soa falsa. Ou você quer uma coisa, ou você não quer uma coisa. Assim é com a sinceridade, também conhecida como clareza, abertura, franqueza, lhaneza, lisura. Portanto, ou você é sincero ou não. Simples.

Agora, um rito de passagem... quando se é jovem, tem-se seus 25, 26 anos... tudo parece tão aprisionante, cada cenário contrário a aquilo que pensamos e/ou cultivamos dentro de nós mesmos como nossas certezas, acaba nos afligindo bastante. Isso passa a ser um obstáculo por vezes, por outras nem tanto. Como definir uma vida nessa época onde você só quer viver a vida, sob todas as formas e possibilidades que ela possa lhe apresentar?

Agora, falar da loucura... Muitas vezes me pego me sentindo meio louco, por viver obcecado nesse pensamento de que o mundo está se aprisionando numa nova geração que está, de certa forma, semi-perdida em seus próprios existencialismos e loucuras. Eu também me sinto louco. Acho que todos nos sentimos um pouco loucos.

Era só isso, boa noite!

terça-feira, 6 de junho de 2017

ansiedade

Como vencer esse elefante
Andando dentro do meu peito
Pisoteando tudo
Me deixando aflito e bagunçado.

Como vencer essa ansiedade
Enquanto espero
Por um chamado
que nunca chega

E se chegar
Vem diferente do que penso, quero ou sinto.
Enquanto isso, a vida gira.
Mas eu não giro junto.

domingo, 28 de maio de 2017

Paisagem no Deserto

Quando acabou a gasolina
No meio do deserto do Idaho
Meu pensamento voava tão longe
Nem percebi, já estávamos num bar perdido no meio da estrada.

Quatro mulheres nos atenderam
Um delas saiu, em busca de gasolina no posto mais próximo.
Pensei na força daquela cena
Aquele ato tão simples e tão intenso.

Me senti pequeno e agradecido.
Olhando para longe.
Uma paisagem no deserto.
Pensamento voando longe.

Nada faz sentido.
Tarde demais.
Coração errante,
Machucado de tanto sofrer.

sábado, 27 de maio de 2017

coração

Me mandou tomar um chá
E foi embora
Falou que ia pregar um quadro
E, depois disso, nunca mais falou nada

Embora seja tarde
Havia espaço, naquela época
Nunca perceber que tudo é diferente
Apenas absorver o torpor feito uma esponja.

Não lamente, porque não há espaço para isso
Apenas aprenda e repreenda qualquer ato falho futuro
O erro foi seu.
O grito, calou.


sexta-feira, 26 de maio de 2017

preta

Preta
Desde o primeiro dia que olhei você
O dourado em teu cabelo ao entardecer
Você sorrindo radiante, me fez enlouquecer

Não consigo parar de pensar
Pensamento vai longe até te encontrar
Não sei se tenho coragem de lhe dizer
Mas preta, tô parado em você

Quando você me olha, meu olho brilha
Quando você sorri, sorrio também
Se você canta, me calo para ouvir
É uma coisa estranha, sentir tudo isso assim sem querer

Teu olhar me agita
Meu coração palpita
Quero você agora, você é tão bonita
Dança aqui na pista, canta pra eu ouvir

Quero perder as tardes
Com você quero me perder inteiro
E depois me achar
E, aos poucos, me perder outra vez com você.

terça-feira, 16 de maio de 2017

chiado na cabeça

Na cabeça,
um chiado constante.
Uma voz, que murmura segredos.
Um oráculo intermitente.

Ontem, ouvi tua voz.
Mas não me lembro mais dela.
Mesmo assim, achei que fosse.
Ontem tentei te abraçar, você afastou minha mão.

Preferiu dormir.
Eu respeitei, também dormi.
Mas quando acordei, faltava algo.
Tinha só uma voz, chiando na minha cabeça.

Murmurando.
Ruminando.
Sabia o que devia ser feito.
Só não sabia como fazer.

Um chiado,
Constante.
A respiração ofegante,
a total falta de ar.

Apenas a voz.
Dentro da cabeça.
Repetindo as mesmas frases.
As fases, tão tensas da vida.

domingo, 14 de maio de 2017

Amanhecer

Não é você, meu amanhecer.
Não vou ser mais, nem menos.
Serei apenas algo perdido
Vagando em busca de algum calor.

Não tenho planos.
Guardei minhas malas.
Não vislumbro nada excêntrico agora.
Quero apenas o que me for ofertado.

Poder dormir, e acordar mais tranquilo
Talvez tentar construir alguma coisa sólida,
Antes que seja tarde, antes que venha a maré e lave tudo.
É preciso fazer algo agora, antes do amanhecer.

Quem Sou Eu?

Até quando vou ter que responder isso?
Esse questionário sem fim
Essas perguntas, das quais eu não tenho as respostas.
Até quando estarei aqui tentando respondê-las?

Já cruzei a metade da minha estrada,
Talvez até um pouco mais.
Tenho dificuldades para dormir,
Aceito isso como uma penitência.

Preciso ficar acordado para sentir mais as coisas,
Mesmo que rumine um milhão de pensamentos sem sentido
Eles me devoram, quase sempre.
Não adianta quanto os teime em mastigar.

Eles sempre me engolem.
Meu ego já me engoliu tantas vezes.
Já fiquei tonto, confuso, já rodei, fiquei cego e caí no chão.
Perdi as contas de quantos pedaços eu colei de mim mesmo.

Perdi as contas. Perdi as pontas. Os ponteiros.
Foi tempo demais buscando respostas,
Para perguntas, apenas perguntas, dúvidas, medos, coisas das quais não sei o sentido,
mas sinto e sinto tanto e tão profundo, que me perco.

Até quando vou ter que responder isso?
Será que algum dia eu vou saber,
Se o que fiz, vi, vivi... me serviu.
Já me sinto satisfeito, já errei o suficiente. Basta!

Mas a estrada ainda é ampla, ainda grita, ainda chama.
E eu tenho fogo ainda, queimando aqui dentro.
E eu tenho pernas ainda, e braços, e peito e uma cabeça que não pára.
Quantos questionamentos, quantos questionários.

Até quando vou ter que responder isso?

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Por que com você é tão bom?!

Eu não sei.
Pergunta difícil.
Ela solta assim do nada, corpo ainda quente:
- Por que com você é tão bom?!

Engoli seco. Ficou no ar.
Mais uma pergunta sem resposta.
Uma estória que nem começou
E se perdeu, numa pergunta:

- Por que com você é tão bom?!

Eu não sei.
Até hoje procuro saber.
Acho que nunca vou encontrar a resposta.
Pois já não tem sentido nenhum.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Não Quero Sofrer

Eu só queria
Sofrer menos
Sentir menos
Ou não sentir nada

Absolutamente tudo o que mais desejo
É parar de sentir e sofrer
Ou encontrar algo que me assole de vez
Mas de um jeito diferente

Um assolamento completo
Desses que vêm e dominam tudo
Devastam tudo
Não deixam nada de pé.

Se não for assim
Que não seja nada.
Que não sinta nada.
Que não veja nada.

Nem perceba,
que o perigo está ao lado.
É falso e não aperta a sua mão.
Finge uma amizade, com uma faca pronta escondida nas costas.

É cruel.
Eu sei.
Mas essa é a vida.
E essas são as pessoas com quem temos que conviver.

Minha passagem para bem longe.
Me tire daqui agora,
não quero mais ver isso, nem nada.
Já disse: não quero sofrer nem sentir. NADA!

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Sabor de Mata

Queria penetrar no meio dessa mata.
E me perder totalmente.
Nas suas folhagens úmidas.
Seio aberto, vapor sereno, teu solo macio.

Canto de pássaros ao amanhecer.
Teus olhos brilhando depois de sentir o orvalho.
Nosso amor florescendo junto com as flores no meio do mato.
Tudo nascendo e tomando vida.

O sol nascendo radiante.
Os raios invadindo nossos corpos.
Nós nos invadindo e vadiando.
O dia todo.

E a vida toda assim.

Comportas

O que aconteceu quando você foi embora?
É melhor nem contar.
O tempo se encarrega de apagar tudo um dia.
Um céu azul e claro há de surgir.

Nasce agora, uma esperança nova.
O sangue queimando nas veias.
Precisa resgatar a criança.
Sorrir, sentir gosto pela vida, buscar a leveza.

Desligue-se.
Uma vez, ao menos, apague os pensamentos.
Deixe a corrente fluir por entre sua coluna.
Tomando conta do seu corpo. Eletricidade.

Você pode recuperar tudo que é seu.
Se já foi um dia, pode voltar a ser.
Grite, acorde seus monstros, os encare frente a frente.
Chegou a hora. Ela urge: encare seus medos!

As respostas virão como água descendo na cachoeira.
Minhas lágrimas descendo pela face.
Nunca desista, nunca vai ser tarde.
Levante agora e faça algo novo de alguma maneira.

Conecte o amor que há dentro de você.
Busque, perceba, silencie...
E escute mais do que sua fala.
Sinta a outra fala, aprenda com ela, seja paciente.

Desde que você foi embora.
O tempo passou.
Muita água rolou e levou bastante da minha combalida alma.
Mas ainda resta muita coisa represada.

Quem vai abrir as comportas?

teu sorriso

As luzes de neon
Parece que piscam teu nome
Na noite fria e escura
Esse sentimento está virando obsessão 

O teu retrato sorrindo
A sua atitude felina
Tuas garras rasgando minha pele
Consigo imaginar tudo e com tantos detalhes
E se por acaso
Eu encontrar com teu sorriso
E teu olho brilhar
Vou ter coragem de acenar para você?

Ou me sentir pequeno de novo?

domingo, 30 de abril de 2017

TEMPO PERDIDO

Foi tanto tempo perdido
Tentando encontrar
O que estava escondido
E assim ficaria, para sempre.

Foi perdido tanto tempo
Tentando encontrar
O que estava tão claro
E assim tão vivo, mesmo assim escondido

Onde está?
Onde estou?
Que horas você volta?
Para onde vou agora?

O tempo
Passou tanto
Eu, perdido.
Fiquei assim para sempre.

Solto no tempo.

terça-feira, 18 de abril de 2017

O Que Vem Antes do Depois?

Não desista dos sonhos
Dizia uma voz, que lhe soprava aos ouvidos
Um murmúrio distante e quase mudo
O passado querendo ficar no passado

Sem forças para vencer o presente
E alcançar o futuro
Meus óculos embaçados, minha vista quase turva
Já não consigo mais enxergar meus acertos

E me perco tentando encontrar
As pequenas partes de mim que fui deixando espalhadas pelo caminho
Não desista, nunca é tarde para reverter tudo
Mesmo que o muro pareça grande demais

Você sempre será capaz de dar um grande salto
Não desista, insistia a voz quase muda, murmurando
O peito ardendo, o coração aos pulos
Vontade de correr pelo mundo, mas os pés atados no chão

Tudo cristalizado,
Os desejos, os sonhos, os medos
Tudo represado,
As dores, as angústias, outros medos

Quando explodir?
Para onde vai tudo isso?
Onde vai vazar a corrente desse rio
Enquanto isso, ainda preso, sonha perdido... outra vez.

O que vem antes do depois?

sábado, 15 de abril de 2017

Meus Vícios

Estou preso dentro desse mundo
Percebo meus vícios e os alimento
Todo dia me visto para sair
Mas não saio, permaneço nesse mundo

E tenho medo das pessoas, mas as cumprimento
Tenho medo de diálogos, mas converso com elas
Fujo de discussões, mas muitas vezes me perco em meio delas
É tudo tão confuso

Minha pilha de discos
Minha pilha de livros
Minhas coleções inúteis
Minhas manias sem sentido

Posso ir na esquina e saciar minha dor
Posso escutar tudo o que quero
O mundo é tão efêmero agora
Tudo é tão simples e tão confuso

Criamos e destruímos
Sonhamos e desistimos
Podemos começar algo novo, ou querer voltar com algo antigo
Mas os vícios permanecem intactos...




perdi um poema

quarta-feira, 12 de abril de 2017

o mundo é duro

Não sei o que sentir
Agora, me perdi de mim mesmo
Escuto Red Krayola e o tempo parece estagnado
É muito avant-rock para meu ouvido vazio

Me percebo quebrantado
Ainda é meio de madrugada
Sinto meu olho esquerdo cansado
Uma lágrima solitária se represa

Um barulho de laboratório,
Algo deu errado.
Você me convidou para dançar
Mas eu não sei mais dançar

E esqueci como sorrir, sem ter medo
não se incomode se o som ficou alto do nada
Minha cabeça funciona assim, e explode
Há muita fumaça, tudo está confuso, o mundo é duro...

Blasé

É tão Blasé
Pensar em teu sorriso
Que nem sorria
Vamos em frente, e choremos

Eu posso chorar
Você também pode chorar, querida
Só não podemos ser blasés
Enquanto a lux explode lá fora

Vamos em frente nisso
Ainda temos uma última chance
Vamos tentar contemplar algum momento
Antes que seja só chorar e lamentar

Nada é mais blasé
Do que ser blasé com a chance de amar
Olha lá para fora
Eu vou correr, vem!

terça-feira, 7 de março de 2017

Memórias

Achei que nunca fosse esquecer aquele sorriso
Mas o tempo levou.
Tua voz murmurando o quanto era bom
Ainda ecoa, mas já quase distante

Me despeço desse desamor
Confusão de tudo, atropelamento de sentidos
Entre lençóis movíamos mundos
A parte deles tudo era túrbido, olhares vazios

Me despeço sem despedida
Porque não tive direito e no fundo nem quis
Mesmo quando existia (e existiu tão pouco)
Te beijo, quando você for embora, você não vai mais ver, nem sentir...

Achei que aquela pele ia ficar grudada na minha para sempre
Mas durou só o tempo do suor secar
Depois passou, a maré mudou, lavou a areia
Derrubou nossos castelos

Mas deixou presentes
Agora, estou aqui, sentado na beira do mar
Contando conchas, catando as pérolas que mamãe mandou
Para enfeitar meu coração

A brisa mansa
O cheiro de maresia
Você sorrindo distante, pouco importa agora
Já nem lembro mais como era o teu sorriso.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Salto

Vai saltar outra vez
Rumo ao desconhecido
Um vôo no infinito de possibilidades
Outra vez, aquele precipício

A fogueira das vaidades
Os balões subindo
e estourando no ar
Olhos atentos, abertos.

Pensando no Tempo

Se eu fosse forte
Eu saberia
Que a Luz vem para me guiar
E que é preciso estar forte para saber se entregar

Buscar uma união
entre ambos os lados
O masculino e o feminino
Para enfim fertilizar uma comunhão

Se antes do tempo eu fosse além
Não saberia o que fazer
Pois não estaria preparado
Para encarar essa Luz

Ofusca meus olhos
Confunde meus pensamentos
Meus devaneios ficam tortos
Mas depois voltam para seu lugar

É tarde agora,
Melhor esquecer o drama
E partir em busca de horizontes mais amplos
está mais do que na hora, de avultar

Não se preocupe
Não se aflija
Não gaste sua energia
O tempo consome tudo.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

não vou negar

Eu não vou negar
Quando penso em você
Mundos se movem dentro de mim
Sinto todos meus eixos mudando de lugar

É um movimento constante, bem profundo
Algo que bagunça com todo o corpo e espírito
Sinto uma paz, ao mesmo tempo, sinto uma vontade doida de gritar para o mundo
Que gosto tanto de sentir isso, e dessa forma.

Assim é que me deixa tranquilo
Incrível imaginar que o impalpável também pode ser algo seguro
Eu poderia te olhar MIL vezes
E em todas elas me apaixonaria por você

Se vestisse suas roupas de festa e pintasse o rosto
Estaria completamente apaixonado por você
Se nada vestisse ou se fosse simples, muito simples tua veste
Me apaixonaria ainda mais, estaria perdido dentro desse amor

O tempo podia passar, muito tempo
Mas quando meus olhos cruzassem com os seus outra vez
Eu estaria perdidamente apaixonado
Como se fosse a primeira vez ainda

E sempre seria assim,
A cada novo dia
A cada novo raio de luz, fosse do sol, da lua ou das estrelas
Tudo viria para botar mais fogo na minha imaginação

Mesmo que tudo girasse contra nós, que tudo se movesse para um outro lado
Eu seguiria em frente, e acreditando
Que seu sorriso seria a minha melhor vitória
E que a calma que ele me traz, seria minha armadura completa.

Desde que voltei, do nosso último encontro
Já sonhei umas quatro ou cinco vezes
Com o nosso próximo re-encontro
Queria apenas sentir que você também sente

Que o tempo passou e foi bom, acalmou nossos mares.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Eu não vou reagir
Não tenho como me mover.
estou caindo dentro de um buraco
areia movediça

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Um Céu Cheio de Estrelas e Artifícios

Subi no alto de uma colina e olhei o céu cheio de estrelas
Olhei a lua e ela estava grande
O céu tinha um negro lindo salpicado de luzes brancas e amarelas
Minha visão se ofuscava, meus olhos tinham um brilho novo

Meu peito se enchia do ar da colina
Não tinha mais medo naquele momento
E senti meu corpo inteiro ardendo
Senti a vida voltando a percorrer minhas veias

Formigava tudo
Era bom
Eu sentia
Estava voltando a perceber as coisas

Feliz, um sorriso no canto do rosto
Pensei no passado
Em teu sorriso lacônico
E tua falta de estórias, tudo agora tinha um vetusto.

E isso era bom.
Me senti confortável de novo
Um barulho de fogos de artifício cortou o ar
Se embaralhando com o brilho das estrelas

Isso me confundia
Mas também era bom.
Desci a montanha lentamente
O coração leve, o pensamento pleno e os pulmões cheios de ar puro.

Tudo estava tranquilo
Tudo estava em seu lugar de novo
Olhei para o céu pela última vez, e pensei:
Por que tem coisas bobas que nos fazem sofrer tanto?

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Barulho

Acordei com um barulho
Atormentando minha cabeça
Gritava alto e batia tambores
Fazia algazarra, festa, comemorava algo que nem sei

Talvez fosse a vida,
Gritando: Vem dançar!

2:01h

Nada tem sentido
às 2h01 da manhã.
A não ser, o que sinto
Agora.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

A MINHA MORTE

A MINHA MORTE

A minha morte não será televisionada
Não haverá nenhuma equipe de reportagem perguntando sobre o que aconteceu
Ninguém virá até minha porta com flores, nem velas
Nada de diferente vai acontecer nesse dia
A não ser por uma lágrima furtivamente despejada
Por uma pessoa distante qualquer, da qual eu nem mais lembro
Ou nunca lembrei, vai ver por isso sentirá a minha falta de alguma forma
Mas eu não saberei, e isso será indiferente, assim como o que sinto agora

Estarei distante, já viajando, e todos aqui na Terra ainda estarão
Vivendo suas vidas, abrindo suas compotas de doces, jogando poeira debaixo dos tapetes, escovando os dentes sujos depois de um banquete completo, arrotando frases vazias.
O dia não será mais claro ou mais escuro porque eu parti
O vento não ventará mais forte, nem mais calmo
A luz da lua será apenas a luz da lua, igual ela é todos os dias
Aquela canção poderá tocar ou não
Não estarei mais aqui para dançar
Não estarei mais aqui para sentir
Nem para sorrir ou chorar, estarei aqui.

A minha dor será apenas a minha dor
Ninguém irá saber que ela existe, nem mesmo quando ela for externada
Nem mesmo quando ela se resumir a nada
E deixar de ser dor, passando a ser alívio
Eu não estarei aqui para comemorar
Para acender o meu cigarro da vitória
Porque já não vou ter mais pulmões fortes, nem força para dar a última tragada
Serei tragado pela última tragada
E acordarei totalmente diferente, sem saber onde estou ou se estou ainda.

A minha morte não será vista, não será aplaudida, muito menos comemorada
Passarei em branco, como sempre passei.
Os dias continuarão nascendo e morrendo
Já não estarei mais aqui para presenciar essa coisa divina
A qual não dei tanta importância, muitas vezes
Dia após dia
Não estarei mais aqui para sentir, nem para sorrir, nem para chorar, nem para errar outra vez, acreditando que podia acertar.

A minha morte será simples, como eu sou.
Virá da forma pela qual não imaginei
Apenas virá e será a minha amiga, segurando na minha mão e dizendo: Vamos!
E o dia, continuará... cheio de luz e vida.

texto escrito por Carlo Bruno Montalvão

Desligue-se



Um vento leve entrava pela janela
Parecia um vento qualquer
Mas naquele momento parecia também ter um outro sentido
Fazia meses que não assistia televisão
Se sentia bem assim, resolveu que não queria mais ter TV
Podia ter essa mesma atitude com as coisas do coração
Mas isso não conseguia, não com a habilidade que necessitava ou pretendia

Muitas coisas aconteciam à sua revelia
Queria ter controle de tudo
Mas não tinha controle nem sobre si mesmo
A brisa lhe cortava a face, suavemente
Como uma carícia leve e fria
Se sentia confortável, era um regojizo para alma combalida

Qual seria a batalha de hoje?
Para onde seus pensamentos lhe enviariam dessa vez?
Pensou qual foi a última vez que abraçou seu Pai
Não lembrava, nem sentia, a saudade se confundia com a indiferença
Da sua mãe, lembrava menos ainda
Por que essas memórias deviam ser importantes?
Tanta coisa imposta que já nem sabemos mais o que realmente queremos viver

O sistema ruiu dentro de mim
Está tudo falido aqui dentro, todas as portas se fechando
A TV não irá documentar nada disso, ela tem ocupações maiores
Ninguém está preocupado desde que tudo ruiu dentro de mim
As pessoas também cuidam de suas próprias ruínas
Amanhã minha mãe chega para me visitar
Eu podia estar feliz com isso, mas me sinto indiferente

É diferente quando eu sinto de verdade
Porque tudo ganha uma cor distinta e louca
Como se todas as cores fossem lançadas, de uma só vez, na mesma tela branca
Meus sonhos, meus monstros
Os medos que me fazem fugir e me trancar
Dentro desse apartamento, desse mundo que criei para me proteger
Do mundo lá fora.
De você.

Desse seu sorriso de Medusa.

A VIDA PASSANDO POR ENTRE OS DEDOS


Lembro quando tocou aquela velha canção
E eu tive vontade de te chamar para dançar
Mas estava tão cansado da minha última batalha
Que meus pensamentos morreram apenas no desejo

O sol caía por detrás da imensidão do mar
Deixando um rastro dourado que me ofuscava
Eu sonhava com teu sorriso
Mesmo que não pudesse mais nada ver ou sentir

Meus ossos triturados de tanta guerra
Minhas costas cansadas
Já não aguentavam mais o fardo diário
Estava vencido, o Sol se pondo, o dia caindo

Olhei no horizonte
Nada vi a não ser um céu imenso e dourado
Gritando em meus olhos
Ouvia um barulho de galos cantando

Meus pensamentos em parafusos
Aquela canção se repetindo em minha cabeça
O cigarro no canto da boca
Os pés cansados presos no chão

Você veio, sorriu e se foi
Eu também sorri e me fui
Ambos partimos de novo
Para longe de nós mesmos

Até quando sentir a vida passando por entre os dedos?



02, fevereiro, 2017.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

SENHOR TEMPO DE TUDO


Quem sou eu diante do tempo?
Esse que é o Senhor de Tudo
Que carrega em sua bolsa todas as facetas do mundo
Que dá vida e traz a morte
Acelera e acalma, apazigua e destrói

Quem sou eu diante do Tempo?
Sou Passado
Sou Presente
Sou Futuro
Onde estou assentado, ainda tenho um lugar no infinito.

Se me joga para trás, sou passado
Se me olha como agora, sou presente
Se planeja algo em mim, sou futuro
Mas se foge, dentro de pensamentos furtivos
O que sou? Quem sou? Me resta alguma escolha?
Quem sou eu diante da tua dúvida?
Que incerteza combina mais com a minha incerteza?

Agora, que estou perdido e sem dinheiro
Não vejo um barqueiro, que me ofereça 1 moeda de ouro
Eu embarcaria, não pelo ouro, mas pela aventura
Não tenho medo de penetrar no escuro
Prefiro mil vezes desvendar o seu véu
Do que permanecer aqui mudo

Quem sou eu diante do mundo?
Quem me dará o molhe de chaves que abrem tudo?
E até quando acreditarei que posso mudar o mundo?
Você sorriu e me disse: Estou com Saudades!
E eu fiquei sem saber o que sentir de agora em diante
Por que não pulamos esse muro?
O que terá atrás dele, ainda temos tempo para nos surpreender

E esse medo, qual o sentido de sentir esse medo ainda.
Agora que o tempo devorou quase tudo
Por que se atrelar ao passado se podemos construir um futuro
Tua voz ainda está aqui ecoando em minha cabeça
Consigo sentir sua respiração
Se eu fechar os olhos consigo te ver sorrindo
E me dizendo confusa que o tempo passou e levou tudo

Gosto quando lava a alma
A sombra que carregamos, o peso nas costas, nada disso tem sentido
Nada disso pesa mais que suas botas pisando em meu peito
Se me dissesse que queria, eu saltaria todos os muros até chegar a você
E teu sorriso, seria a minha maior vitória
Sem armas, sem armadura, completamente nu e livre
Eu gritaria, a plenos pulmões, o quanto te amo e sempre te amarei
Livraria todos os monstros que se aprisionam em mim de uma só vez
E correria junto a eles, feliz, contente, cantando alguma canção bonita e forte

O céu se abriria num azul absoluto
Meu peito se abriria
Meu sorriso
Meu desejo
Tudo estaria aberto e pleno
Não teria medo de saltar no escuro
Saltaria e voaria e nadaria e correria e depois descansaria, despretensiosamente, em seu colo.

É desse calor que eu falo
É isso que eu sinto quando me fecho em meu peito
Não há nada mais importante do que isso agora
Não consigo pensar em mais nada agora
Só consigo visualizar esse muro
O muro que me separa de você, desse presente de agora
Não quero ficar atrás, não quero morrer aprisionado no passado
Quero um passaporte direto para o futuro
Abra a porta do seu peito, deixe eu entrar, prometo buscar um assento
Prometo sorrir, prometo chorar, prometo acima de tudo VIVER.

Deixe que o tempo, Senhor de Tudo
Se encarregue de apagar o passado
De colocar as coisas no lugar no presente
E de começar a edificar um futuro
Deixe que o tempo venha e nos abrace
Deixe que ele seja infinito
Não se atreva a dizer não... apenas deixe que o tempo se encarregue de tudo!



DÚVIDA



Esses murmúrios que ecoam dentro do meu pensamento
O teu desejo que há muito não é mais meu desejo
Um dia sonhei tanto que esqueci da realidade
Naquele noite, você fazendo uma curva perigosa enquanto estávamos na praia
Tive vontade de dizer: Pare o carro!
E te possuir num beijo infinito
Mas eu não podia, então respirei e continuei mudo
Absorto em pensamentos que já não mais me pertenciam, mas teimavam estar ali
Me enlouquecendo, me entorpecendo, me confundindo por inteiro

Devo pedir perdão ao mundo
Pelo tanto que já errei e erro, todos os dias, nada me resta a não ser isso.
O perdão do mundo, meu último consolo.
Poder dormir tranquilo, poder sentir que eu ainda vivo,
Que não sou apenas um saco vazio flutuando sem rumo, perdido, sem muro...
Buscando um lugar qualquer, para me prender, e passar o resto dos dias, bailando ao vento.

Estou sem sinal
Não tenho nada a dizer, prefiro mil vezes o silêncio
Engraçado, naquele dia, quando me viu
Você sorriu e disse: Quanto tempo?? Achei que você tivesse sumido.
Sim, eu sumi. Da tua vista, eu sumi, e me assumi em outro lugar distante de tudo.
É duro pensar que o vento que me afaga é o mesmo que me atormenta
Você dá um salto e busca um lugar seguro
Eu te contemplo e invejo absurdamente
Queria ter essa calma.

Lágrimas escorrem dentro de mim
Tenho medo de externá-las
Já chorei tanto e calado, que a represa de minh'alma parece que secou
Olho para os lados, mas não procuro nada
Continuo caminhando, um passo atrás do outro
Mas não saio do lugar, nem vou a lugar algum
É tudo ilusão.
Nada do que imagino é verdade.
Nada do que sinto é verdade.
Nada é verdade.

A verdade não existe.
Alguns enxergam ela, mas eles estão surdos.
Alguns dizem ser donos dela, mas eles estão cegos.
Alguns mentem dizendo ser ela, mas eles estão mudos.
Alguns lutam por ela, mas eles estão mortos.
A verdade é que não existe a verdade.
Só há a dúvida,
e a vida é feita disso, dessa eterna e louca busca...

Diferentes modos de querer a mesma coisa
O dia que você foi embora e me disse: Não é isso que quero viver agora!
Foi o dia mais importante da minha vida
Porque doeu e foi profundo, mas mudou tudo, triturou tudo, rasgou e moeu tudo
E fez nascer, um jeito diferente de encarar a dúvida, a distância e o tempo.
Aliados, eles podem tudo.


02.FEVEREIRO.2017