sábado, 4 de fevereiro de 2017

A MINHA MORTE

A MINHA MORTE

A minha morte não será televisionada
Não haverá nenhuma equipe de reportagem perguntando sobre o que aconteceu
Ninguém virá até minha porta com flores, nem velas
Nada de diferente vai acontecer nesse dia
A não ser por uma lágrima furtivamente despejada
Por uma pessoa distante qualquer, da qual eu nem mais lembro
Ou nunca lembrei, vai ver por isso sentirá a minha falta de alguma forma
Mas eu não saberei, e isso será indiferente, assim como o que sinto agora

Estarei distante, já viajando, e todos aqui na Terra ainda estarão
Vivendo suas vidas, abrindo suas compotas de doces, jogando poeira debaixo dos tapetes, escovando os dentes sujos depois de um banquete completo, arrotando frases vazias.
O dia não será mais claro ou mais escuro porque eu parti
O vento não ventará mais forte, nem mais calmo
A luz da lua será apenas a luz da lua, igual ela é todos os dias
Aquela canção poderá tocar ou não
Não estarei mais aqui para dançar
Não estarei mais aqui para sentir
Nem para sorrir ou chorar, estarei aqui.

A minha dor será apenas a minha dor
Ninguém irá saber que ela existe, nem mesmo quando ela for externada
Nem mesmo quando ela se resumir a nada
E deixar de ser dor, passando a ser alívio
Eu não estarei aqui para comemorar
Para acender o meu cigarro da vitória
Porque já não vou ter mais pulmões fortes, nem força para dar a última tragada
Serei tragado pela última tragada
E acordarei totalmente diferente, sem saber onde estou ou se estou ainda.

A minha morte não será vista, não será aplaudida, muito menos comemorada
Passarei em branco, como sempre passei.
Os dias continuarão nascendo e morrendo
Já não estarei mais aqui para presenciar essa coisa divina
A qual não dei tanta importância, muitas vezes
Dia após dia
Não estarei mais aqui para sentir, nem para sorrir, nem para chorar, nem para errar outra vez, acreditando que podia acertar.

A minha morte será simples, como eu sou.
Virá da forma pela qual não imaginei
Apenas virá e será a minha amiga, segurando na minha mão e dizendo: Vamos!
E o dia, continuará... cheio de luz e vida.

texto escrito por Carlo Bruno Montalvão

Nenhum comentário:

Postar um comentário