Um vento leve entrava pela
janela
Parecia um vento qualquer
Mas naquele momento
parecia também ter um outro sentido
Fazia meses que não
assistia televisão
Se sentia bem assim,
resolveu que não queria mais ter TV
Podia ter essa mesma
atitude com as coisas do coração
Mas isso não conseguia,
não com a habilidade que necessitava ou pretendia
Muitas coisas aconteciam à
sua revelia
Queria ter controle de
tudo
Mas não tinha controle
nem sobre si mesmo
A brisa lhe cortava a
face, suavemente
Como uma carícia leve e
fria
Se sentia confortável,
era um regojizo para alma combalida
Qual seria a batalha de
hoje?
Para onde seus pensamentos
lhe enviariam dessa vez?
Pensou qual foi a última vez que abraçou seu Pai
Pensou qual foi a última vez que abraçou seu Pai
Não lembrava, nem sentia,
a saudade se confundia com a indiferença
Da sua mãe, lembrava
menos ainda
Por que essas memórias
deviam ser importantes?
Tanta coisa imposta que já nem sabemos mais o que realmente queremos viver
Tanta coisa imposta que já nem sabemos mais o que realmente queremos viver
O sistema ruiu dentro de
mim
Está tudo falido aqui
dentro, todas as portas se fechando
A TV não irá documentar
nada disso, ela tem ocupações maiores
Ninguém está preocupado
desde que tudo ruiu dentro de mim
As pessoas também cuidam
de suas próprias ruínas
Amanhã minha mãe chega
para me visitar
Eu podia estar feliz com
isso, mas me sinto indiferente
É diferente quando eu
sinto de verdade
Porque tudo ganha uma cor
distinta e louca
Como se todas as cores
fossem lançadas, de uma só vez, na mesma tela branca
Meus sonhos, meus monstros
Os medos que me fazem
fugir e me trancar
Dentro desse apartamento,
desse mundo que criei para me proteger
Do mundo lá fora.
De você.
Desse seu sorriso de
Medusa.
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