Acalma-te coração.
O tempo urge e caminha incessante
O peso do tempo, o atropelo das horas
Tudo é declínio nessa tarde opaca
O céu, cinzento e armado, ainda em silêncio
Acalma teu peito, pobre criatura
Que há muito por vir por debaixo dessa ponte
Tanta água que ainda não passou
O rio está cheio de peixes
Todos os tipos de sorte nessas águas turvas
Tais quais os pensamentos
A dor, o lamento, essa tarde vazia. Joga tua rede!
Acalma-te.
Respira.
Escuta o silêncio.
Dói mais lá fora do que aqui dentro.
A chuva é um prenúncio
Do que ainda não veio
Está tudo turvo, feio, denso e caudaloso.
Não mergulha agora. Espera passar.
Acalma-te marujo
O mar não está para peixe agora.
Escuta o barulho das ondas.
Olha para o Sol, se ele sair. Esperar esquentar.
Não se preocupa com nada
Faz como sempre fez
Segue adiante.
Cabeça erguida, Olhar radiante, mirando pro Norte num horizonte qualquer.
Pode ser tarde, agora.
Mas nunca é. O tempo não existe.
Tudo é questão de espírito.
Muda essa chave, acalma teu peito e respira.
A tarde ainda nem começou.
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