terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Foram dias intensos no México, acompanhando a banda sergipana The Baggios, que acaba de fazer a sua primeira turnê internacional. A primeira de muitas, tenhamos certeza, pois com o som que eles fazem e o show que eles tem a estrada é longa.

A gira mexicana, como a banda batizou a aventura por terras mexicanas, começou no dia 02 de dezembro com uma rodada de entrevistas para promover o festival LatinoAmerica 360º que iria acontecer no dia 05 de dezembro, no Foro Indie Rocks, em México DF.

O primeiro show da banda aconteceu na Centro Cultural do Brasil no México, uma casa belíssima, estilo palacete num local bem valorizado e com um mini teatro aconchegante. Foi um set acústico, mas muito bem recebido pelo público. De lá, partimos para Puebla, um dos maiores estados do México (com cerca de 227 cidades). A "carretera" estava muito cheia, o trânsito na cidade do México é um problema, há muitos carros e muito pouca organização. Demoramos cerca de 3 horas para chegar na cidade e, quando chegamos, já foi subir no palco e tocar. O show foi muito bom, apesar de ser um bar onde as pessoas ficavam sentadas para assistir ao concerto, comendo e bebendo, as pessoas reagiram bem ao show. Tivemos a sorte de conhecer uma amiga jornalista/radialista, Gloria Mejía, que nos apresentou um pouco da cidade e de sua história, num breve resumo de 40 minutos de conversas, boas risadas e muitas fotos. Voltamos para México DF e chegamos por volta das 4h30 da manhã. Muito cansados.

Chegou o dia do Festival Latinoamérica 360, era 05 de dezembro, a data mais importante para a tour do The Baggios. Acordamos tarde, por volta do meio dia, o sono era preciso para recuperar a viagem longa do dia anterior. Saímos para comer e fomos para o loca do show por volta das 5 da tarde, montamos o palco e eles passaram o som, e lá ficamos. O Festival começou com o show da boa banda mexicana Lujjovitz, que mistura elementos de rock com acordeom, fazendo o público dançar e aquecer para o show que viria. Em seguida, subiram ao palco os colombianos da Circus Funk, que fizeram um show para o público dançar e se divertir com a mistura de funk soul da banda de Cali. Ao final do show dos colombianos, adentra ao espaço do Foro Indie Rocks uma batucada de maracatu, genuinamente brasileira, só que feita e tocada por mexicanos. Foi um momento estrondoso para o festival, e bem interessante para o público, que respondeu muito bem. A banda local Tunga preparou o público para a porrada sonora que a dupla The Baggios iria proporcionar em poucos minutos. Quando a dupla de bules rock subiu ao palco do Foro Indie, o público estava quente e a resposta foi surpreendente, com a platéia cantando vários temas e até pedindo músicas, como "Domingo". O show foi perfeito, do começo ao fim, com uma série de boas músicas de rock e blues com fortíssimo acento do regionalismo nordestino que causaram surpresa em todos os que os viram tocar. a seguida aos Baggios, veio o fenômeno Mon la Ferte, uma cantora chilena que reside há alguns anos no México e já tem uma carreira consolidada, visto a quantidade de fãs que cantavam suas músicas, gravavam vídeos enquanto ela cantava e se divertiam com as piadas bem populsescas dela. Após Mon La Ferte, vieram os malucos de Guadalajara, da banda Los master Plus. E que show, botaram todo mundo para dançar com uma mistura de cumbia, lambada e samplers de hits de sucessos dos anos 80. Foi uma das grandes surpresas da noite. O Festival fechou com o show apoteótico e performático dos Rebel cats, lenda viva do rockabillie mexicano, e dona de um dos shows mais legais da noite, botando para quebrar com tudo no palco do Festival. O baixista surfava em cima do seu baixo acústico, enquanto o baterista tocava de pé e cantava. Mas o trufo mesmo era o guitarrista, uma lenda-viva do rock mexicano, com ar de moleque de 20 anos.

O dia seguinte foi de descanso e um breve passeio ao bairro de Coyacán, onde viveram Frida Khalo e Diego Rivera. Lá encontramos, por acaso, com a cantora Mon La Ferte que estava indo fazer uma visita ao Museu de Frida Khalo, a Casa Azul.

Na segunda fomos viver uma das maiores aventuras de nossas vidas, ao visitar as pirâmides do Sol e da Lua, em Tehoticuacán.

A terça e quarta foram dedicadas às gravações da música inédita com a banda mexicana Los Daniels. As gravações ocorreram na casa de Poncho, baixista do Los Daniels, e que tem um aconchegante estúdio caseiro.

Na quinta, a banda se apresentou

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Esse final de semana, estava com 03 amigos legais, Spencer, Colares e Raul Machado... saindo do show do Pin Ups, já felizes e buscando mais felicidade, resolvemos arriscar numa casinha indie que fica ali perto do Sesc Pompeia mesmo... e quando chegamos, de taxi, e descemos (eu e Raul) para perguntar a hostess o que estava tocando, eis um resumo do diálogo:
- Oi Moça, o que está tocando ai hoje?
- Ahhh, hoje é anos 90!!
- Anos 90, hummmmmm?? Mas de que tipo?
- Anos 90, rock, indie. Anos 90.
- Hummmmm, tem certeza que não vai tocar Gabriel, O Pensador? ou Claudinho e Buchecha?
- É Anos 90! - ela disse, tentando ser taxativa.
Nessa hora, uma porta atrás dela se abre e surge um cara com bigodinho hipster, parecido com um Dj ou algo do tipo... e retruca:
- O Funk é o Punk dos anos 2015!!
Nossa..... depois dessa, dei de costas e fui embora!! Que triste ouvir isso. Que triste ver isso acontecer. O único tipo de Funk que se aproxima do Punk é o Funk anos 70, estilo norte-americano... não ESSA BOSTA que rola no Esquenta, nas periferias cariocas e do Brasil ou em festenhas de clubinho
"indie mordenóide" de SP. É isso, tchau!

domingo, 15 de novembro de 2015

Desamor

E se eu fosse uma caravela E se fosse uma flor E se o amor, brotasse E começasse a cuspir cores E se eu não me opor A todo desamor Que acho que é meu Todas essas flores que comprei para você e nunca te dei Todo esse desejo Que um dia senti E que nunca foi seu Todo esse meu medo, que é sempre meu. E se quando amanhecer Eu continuar dormindo E se o dia estiver colorido E eu não acordar sorrindo E se eu nunca acordar E se sempre estiver sonhando E se pular no mar Sem medo, será que saberei navegar? E conseguir aportar Em algum lugar Onde devo estar Com meu barco, sempre a postos Para teu abraço Para teu sorriso Para teu abismo E se eu tiver medo... quem vai alimentar os meus monstros? Quem vai me botar para dormir Quando for noite E estiver tudo escuro Quem segura na minha mão na hora do pulo? Será que eu pulo? Ou mudo o canal? Melhor fugir de novo Melhor nem pensar no salto Meus olhos estão cansados Eu sinto que estou cansado Que está tudo anestesiado Olho em volta, 30 miligramas de Vallium entorpecem tudo o que vejo. Há um vale Um vazio Um eco imenso Eu já não me sinto mais aqui Estou além Do que posso sentir Do que posso viver Estou muito aquém De tudo Não confio em mim Tenho medo de saber de tudo Até mesmo quem eu sou (tenho medo) É um eterno recomeço Dia após dia um novo tropeço Meus olhos ardem, meus coração arde, meu peito arde Tudo arde e queima dentro de mim, e fora também. Eu lembro do dia Que eu quis fugir Hoje aconteceu de novo E Eu fugi, eu lembro agora. E tento esquecer Mas não consigo É sempre mais forte, a lembrança do esquecimento O recomeço do tropeço A escada para o infinito O grito mudo do gigante que é montanha e dorme Aquela visão que você não consegue ver, mas sente O arrepio na espinha... o suspiro antes de dormir. É sempre ruim voltar Lembro quando visitava o meu túmulo Eu nem havia morrido Mas estava lá... vestido de negro.
E se um dia eu for alegre Eu devo continuar Sofrendo bastante Gritando bastante Para que eu tenha um dia amável, Eu devo sonhar? Se eu tiver que voar, Onde vou guardar meus medos? E minhas asas, onde escondo? Porque você está sempre linda Estava assim hoje Me feriu tão fundo O abismo em que me meti, é profundo, não consigo sair dessa fossa. Não posso mais sentir dor Agora meu coração dói de verdade Eu tenho medo Eu morro de medo Eu sou um vapor Eu não acredito mais que posso ter Eu não consigo e não acredito Apenas sei, que sou um vapor e fujo. Agora mesmo, etéreo.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Verdade

Sabe, quando eu penso
Logo desisto
Tento não insistir no mesmo erro
Dói demais continuar errando

O tempo me engole
Regurgita meus pensamentos
Embaralha meus sentimentos
E me retorce todo por dentro

Dói demais
Quando acordo a cada manhã
E vejo que passou mais um dia
Mais uma noite...

Sabe, quando eu sinto
Logo desisto de sentir
E começo a mentir a mim mesmo
Dói demais falar a verdade.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

That Look

I have a love living in Phoenix.
She's still beating for me
And i still remember her
I remember everyday about her intense eyes
So small and so big
That look makes me different for a while

that look, dancing in loop inside my mind
like the beatings of my heart
or my breath
completely wrong rotation.

sábado, 7 de novembro de 2015

Passarinho

Criava um passarinho. Ele voava solto, fora da gaiola. Solto é que era bom, podia ir e voltar quando quisesse. E quando voltava era sempre tudo novo, sempre havia novidade em cada visita, mesmo que tardia. Podia passar dias distante, quando voltava trazia muita alegria. Fazia tudo a sua volta ficar mais colorido, quem é leve, como um passarinho e voa perto do Sol consegue emanar uma energia bonita e bem mais forte. Ele se sentia quase sempre ofuscado, mesmo que o passarinho fosse frágil. O tempo lhe dava certeza disso, a cada novo dia de visita, mais certeza. Estava ficando cego.

Um dia o passarinho voou, foi se aninhar em outro ninho. Mudou de casa. Foi o momento da cegueira absoluta. Tudo em trevas.

Fim da História.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Paisagem de Concreto

Do alto desse prédio
Vejo uma paisagem repleta de outros prédios
Um infinito de concreto armado
Sinto meu corpo emaranhado nesse horizonte frio

Vontade repentina de criar asas
E saltar... do topo mais alto
E voar sobre todos
Todas as pessoas vazias e seus pensamentos minúsculos

Um salto... a vida é um salto no escuro
É mergulhar no infinito
Buscar o arco-íris atrás do por do sol
O pote de ouro encantado escondido

Quero me banhar nas águas mais profundas
Mergulhar num vôo rasante
Quanto mais longe eu puder ver
Quero poder tocar na tua alma (quando anoitecer)

Voar com você
Sem sair do lugar
Entrar na sua casa
E nunca mais sair (da sua cama).


domingo, 25 de outubro de 2015

Deixe Fluir

     Sabe de uma coisa? A gente se preocupa demais com a vida, com as coisas, com as pessoas, com o que vão achar de nós, ou como vão nos ver, se vão ver ou se não, apenas deixe passar. Como o vento. Deixe fluir o fluxo natural da vida correr, que as coisas se encaixam. Tudo bem, com algumas pessoas simplesmente não conseguimos nos sentir à vontade e isso fica claro, mas deixe fluir, vai encaixar em algum lugar, em algum momento, e se não encaixar pelo menos passou. O importante é seguir e viver todas as possibilidades que a vida continuar nos apresentar. Por muitos momentos nos sentimos baixos, levamos uma vida desgraçada quase sempre, vivemos para pagar as contas do que queremos viver. E muitas vezes a conta é alta, e nunca deixa de ser cobrada. Mas a vida é isso, e não há para onde fugir, é viver ou morrer. Melhor viver. Errar e tentar acertar, nem sempre se consegue. Tem muita coisa que atrapalha, as travas sociais, os medos, tantas dores internas e silenciosas, tão mudas que mutilam e as pessoas nem percebem. Deixe fluir, apenas deixe a corrente de vento passar e tente respirar junto. É um conselho que devo seguir. Todos os dias. Uma tentativa. Algo que devo fazer. Me esforçar mais. Perder o medo. Ser complacente com tudo o que for possível. Ser bondoso. É algo que devo pensar, sentir, fazer. Sempre. Sempre.
     

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Esquinas

Quando a tua esquina
Encontrar a curva do meu olhar
Vou estar cantando com os pássaros
Amanhecendo junto com o sol

A tua voz
Pode vir de algum jeito estranho
Mas mesmo assim,
Eu vou sentir como um canto.

Como se fosse um murmuro
De passarinho quando vai dormir
E nós dois acordando
E o dia acordando junto e cantando

Quando minha esquina
Cruzar com suas curvas macias
Fincadas dentro desses lençóis amarrotados
Uma nova estrada vai se abrir diante dos meus olhos

Um caminho novo
Que ainda não caminhei
Mas que já sonhei tanto
Esse novo horizonte se abrindo

Um universo paralelo
Onde eu possa estar com você
Abraçando teu sorriso num beijo infinito
E entardecendo dentro do teu corpo sem nem perceber

A lua vai vir
O sol vai nascer e morrer
O tempo vai estar mais vivo
A cada dia, sentir o dia cantar e nascer.

(dentro de mim, dentro de você)

Vazante

Quis demais
Como sempre
Esqueceu
De deixar a água fluir por debaixo da ponte.

No seu fluxo normal
E contínuo.
É importante observar a indiferença dos barcos
Que batem nas docas

A água que bate na rocha
e leva, lava, limpa tudo
O que eu sentia
Estava represado, agora vazou.

Agora,
Que quebrei as comportas
Meu peito transborda
E me inunda algumas vezes.

Quis demais.
Agora é tarde.
Amanhã, quando acordar.
Vou sentar para contar os estragos dessa vazante.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Voa leve, como o vento suave da noite, leva a brisa do meu pensamento para dentro do seu pensamento. Faz algo estalar quando você dormir. Meu pensamento batendo leve em sua face como uma carícia, vamos sonhar.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Pequeno Vôo

Ainda nem sei do teu sabor
E já me imagino
Acariciando a sua pele
A sua sorte pode mudar

E passo horas do dia
Apenas sentindo
Minha imaginação flutuar
É impossível não tensionar

Sobre as memórias
Antes de tocar a sua face
Todas as doces memórias
Que ainda não consigo ver

Será que consigo ver?
Dentro das minhas memórias
Eu tento ver, tento ter
Algo que não passa de pura imaginação

Mas eu busco todas as madrugadas
A chance de ter algum momento especial ao seu lado
Uma chance de sorrir
De te fazer feliz e ser feliz junto

Quando você vier
Segura forte na minha mão
Me deixa te sentir no meu abraço
Eu posso te levar num pequeno vôo.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

She's my oblivion - it's to her I run
Out on the balcony - she waits for me
Out on the boundary - she smiles
She's my oblivion
Which way to turn?
The edges of our love are in the stars
And on the balcony
She waits for me
Out on the boundary
She smiles
Make this alive
Good days are back
Open your eyes when it falls
Come back to the air
I can't tell you what you already know
I can't make you feel what you already feel
I can't show you what's in front of you
I can't heal those scars
She's my oblivion
And my skin burns
Her hands all over me
She whispers:
"The edges of our love are in the stars"
Good days are alive
Good days are back
Open your eyes when it falls
Come back to the air
So look down to the street below
Don't look up to the stars above
You look around
See what's in front of you
Don't look down, don't look down
Can you see the light?
It shines onto us tonight
Can you see the light?
It's all around you

(My Oblivion, music by Stuart Staples)

Ela é meu esquecimento - e para ela eu corro
Fora na varanda - ela espera por mim
 na fronteira - ela sorri
Ela é meu esquecimento
Que caminho tomar?
As bordas do nosso amor estão nas estrelas
E na varanda
Ela espera por mim
Na fronteira
Ela sorri
Fazer isto vivo
Bons tempos estão de volta
Abra os olhos quando cai
Volte para o ar
Não sei o que você  sabe
Não posso fazer você sentir o que já sente
Não posso mostrar o que está na sua frente
Eu não posso curar as cicatrizes
Ela é meu esquecimento
E minha pele queima
Suas mãos em cima de mim
Ela sussurra:
"As bordas de nosso amor são nas estrelas"
Bons tempos estão vivos
Bons tempos estão de volta
Abra os olhos quando cai
Volte para o ar
Então olhe para baixopara a rua abaixo
Não olhe para as estrelas no céu
Você olha ao redor
Ver o que está na sua frente
Não olhe para baixo, não olhe para baixo
Você pode ver a luz?
Ela brilha para nós está noite
Você pode ver a luz?
É em torno de você

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Madrugada

Todo dia, na madrugada
Ele espera por uma surpresa chegar
Hoje aconteceu,
Do nada, ela veio e disse olá

Sempre buscando os horizontes
São tantos...
Complicado saber qual caminho buscar
Como se o caminho fosse a salvação

Meus olhos estão trocados
Um olha para direita e o outro olha para o meio
Onde você está?
Será que atrás daquela montanha eu encontro o seu sorriso?

É tarde, o tempo passa
Fazia anos que não falava com você
E como o vento, você veio
Assim, do nada, abrindo meus horizontes em meio a uma nova madrugada.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Furacão

e quando você sente aquela eletricidade no olhar, aquela que dá um frio interno, que faz girar a máquina do pensamento, que confunde os sentimentos e te deixa anestesiado? o que fazer com essa hora? que passou, e que não volta, e se voltar vem diferente. Será que vai olhar para mim com a mesma energia? Será que vou sentir esse olhar me penetrando, rasgando minha visão assim como rasga o meu peito? devo estar preparado para tudo. Um furacão se aproxima.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Naquela Noite

     Naquela noite, ela podia ter sido minha, mas não foi.

    Ela podia ter ouvido quando falei, ter ao menos entendido a minha fala, mas estava muito surda, com os ouvidos completamente cegos para o mundo. Ela podia ter sorrido quando eu sorri, mas ficou séria demais e só acenou, sem nenhuma retribuição. Ela podia ter aceitado meu pedido de perdão, ter sido mais leve, mais aberta e livre, mas não foi. Se fechou. E eu, me fechei junto. Como um arbusto que se retrai ao toque áspero. Eu sumi, dentro de mim.

     Isso me travou de um jeito incondicional, quase para sempre. Aquele sorriso que eu achava tão bonito e tão penetrante, agora é nada! Aquele olho infinito de um azul (ou era verde?) tão profundo que me fazia querer mergulhar neles e navegar sem caminho, nem porto seguro, nem terra a vista, muito menos em volta. Agora, esse mesmo olho, parece um buraco vazio. Sem brilho algum, uma gruta escura e úmida. Distante. Intocável. Indecifrável.

     O cintilar das teclas de um piano, me reconforta com uma música que me atinge e me lança para frente, não tenho medo de seguir adiante, nunca tive! É importante olhar sempre adiante e nunca voltar às vistas para o passado, porque há dias em que o passado é tão pesado e cruel que se você simplesmente encará-lo é como se fosse jogado num ventilador de ontens e amanhãs. A vida já é uma grande incerteza, será que temos sempre que complicar?

      Eu espero que algum dia ela se arrependa disso, porque eu mesmo, me arrependo de tudo!

domingo, 11 de outubro de 2015

Olhos de Águia

A maioria das coisas na vida é efémera, elas vem e pummmm, já eram. Olhos de Águia, amigo.
É preciso saber enxergar além do horizonte, além do alcance da vista, além do tato. Precisa ter muito trato para ir além, seguir é complicado, a estrada é cheia de tudo que atrapalha, a caminhada é dolorida e cega, muitas vezes. Quem disse que existiam flores no caminho? Você acha que está certo, o mundo te prova o contrário. O tempo cresce, segue, passos acelerados, vai além quase sempre e te leva junto, queira ou não. Olhos de águia, amigo. Precisa enxergar adiante. Sempre. Atrás da montanha tem um novo horizonte, e outro e outro, até o infinito. Eu só preciso de um incentivo, basta um, e eu movo o mundo. Quase sempre não sei do que as coisas são feitas, como elas tomam forma e ganham vida, como mudam nossos sentimentos e alternam nossos caminhos. O importante é seguir, amigo, e olhar adiante. Olhos de Águia. Sempre alertas. Acesos. Olhar de Conquista. Ao ataque!

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

domingo, 27 de setembro de 2015

Passarinho Pequeno

Verdade seja dita, tentar entender é bem pior. Deixar que o tempo se encarregue das coisas. Ele que é malvado, ele que açoita, e maltrata e confunde e mexe com tudo. Qual o teu medo? O meu medo é te perder para sempre e nunca ter coragem de dizer que te queria para sempre. E por que não digo? Porque acho que também tenho medo. Porque essa porra de sociedade filha da puta que fizeram comigo, sem eu querer ser sócio, me fodeu para sempre. Que sociedade é essa? Onde foi que me meti que nem vi? Por que sou seu amigo se eu quero ser além? Se eu sou além? Por que não vê isso? O que acontece? Quando deita em minha cama, semi livre de tudo e mesmo assim se prende a tudo e não deixa que as coisas voem e se encaixem onde queiram se encaixar. Eu disse amor. Você disse qualquer coisa. Diferente. Os pássaros já começaram a cantar, eles nem sabem de nada, eles nem imaginam. Eu Não consigo cantar, por mais que imagine, e queira cantar, não me sinto pássaro e não canto. Por que você cortou sua asas? E agora não voa mais. E eu vou ter que não voar também?

Não. Prefiro que você seja esse passarinho triste, e eu fico aqui, te observando de longe. Sem pressa nenhuma, sem presa, sem nada. Um dia, vai ver, você perceba que eu sei cantar e voar. Ou talvez, esse dia nunca chegue ou aconteça, pouco importa, vou estar aqui sentindo do mesmo jeito e querendo cantar e voar.

É tão além. O tempo passa como se fosse um mergulho lento, em câmera lenta. Eu caindo, lentamente. O tempo, caindo. As luzes ficando rarefeitas. Você nem percebe, tudo mudou já, você nem percebe, eu nem percebo. Porque perdemos tanto tempo fugindo do que é tão óbvio? A vida é assim, esse é o resumo. Fugir do óbvio. Como se isso fosse algo possível. É inevitável, querer além é extremamente demais, mas continuamos querendo e querendo... e perdendo, e perdendo.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

SEMI

mesmo lado de mim
semi triste
semi ruim
seminal

Quando olho para você
meus olhos são cegos
Eu só posso ver sua aura
dentro de mim com suas luzes brilhantes

O que eu digo?
Eu não sei
Eu apenas tento parar de reclamar
Dos sinais em minha mente

E quando amanhecer novamente
O mesmo lado de mim
semi azul
vai estar dormente, como os trilhos que nos levam a nada.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Imaginação

Eu lembro quando você sorriu para mim
Fiquei com medo, achei que era algo mais
Mas não quis acreditar
Na verdade, ando assim nos últimos tempos

Lembro quando você me abraçou
E depois me soltou
Durou quase um minuto, eu insisto em imaginar isso
Mas sei que talvez não tenha sido tanto tempo

Ficou no ar
Será que vai voltar?
Veio como um furacão e passou
Melhor deixar a poeira baixar

A luz de três velas dançando no ar
Sua música tocando, embalando a noite
Sua voz, palavras que acabo de conhecer
E gosto de tudo, e é melhor correr, correr, correr

Antes que algo estranho me atropele.
Ou as luzes me confundam mais uma vez
Melhor eu não estar errado
Aqui dentro do meu peito parece que algo acabou de nascer, preciso parar de imaginar.
Quanto mais alto você for
Maior vai ser a sua dor na hora da queda
Quando seu corpo estiver caindo no vazio
No fundo precipício da sua vida, vazia

Quantas pessoas estarão gritando seu nome?


E você ignora tudo
E continua correndo
Sem saber aonde vai chegar
Se vai ter fim, ou apenas estrada

Eu, se fosse você, não perderia mais tempo por nada
Eu posso estar errado, mas a vida é agora

Se olhar no meu olho e eu conseguir manter o sorriso
Vou ter certeza de tudo
O tempo, a estrada, estar correndo pelo mundo
A busca toda vai ter um fim

Basta você sorrir.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

A vida não volta atrás
Segue adiante como um rio sem margem
Teu sorriso não volta mais
Ele agora sorri noutra paisagem

O teu corpo é uma lembrança
Cada vez mais distante
Uma miragem
Não volta mais.

Vejo minhas mãos enrugando
Tenho medo do tempo
De tudo que não volta
O trem desgovernado que vai atropelando tudo

domingo, 7 de junho de 2015

Insistência nº 10

Eu não quero mais ser seu amigo
Não quero ser seu umbigo
Nem ouvir das tuas trepadas
Nem quero saber das tuas aventuras

Eu não quero mais nada contigo
Mesmo assim eu insisto
Nos mesmos momentos confusos
Onde sempre me vejo perdido

Eu não posso imaginar
Mas eu imagino
Não posso sentir, mas como disse
Eu insisto, profundamente.

Horizonte

É longe, eu vejo o sol
Vejo você atrás daquele monte
Acenando seu lenço branco
Gritando meu nome que não ouço

A vida é uma corda no pescoço
Se ficar parado ela te atropela
O trem passa apitando
E deixa tudo para trás

É tarde, o sol vai se pôr
Por detrás daquela montanha
É longe, eu sei
Mas consigo ver no horizonte

Seu lencinho branco.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Maré

É tarde, eu sei
A maré já vai encher
Te vejo sentada aí na areia
A pele morena nua ao entardecer

Te admiro,
Te desejo, de longe
Dentro da água do rio que vai subindo
Assim como me sobe um calor por você

Queima por dentro
É feito um lamento
A água subindo
A maré enchendo

Teu corpo me chama
Acende a fogueira
Vai anoitecer
Eu quero estar quente ao teu lado

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Coito

A tua pele lisa e branca
Feito a espuma de uma onda grande
que me derruba, que me retorce
Por onde escorro meus lábios e deito minha língua

O teu grito
Um uivo seco e solto na madrugada
Minha alma aberta, escancarada, todas as portas
Olho para o céu, aflito, e penetro na escuridão.

Tudo úmido
Teu úbere macio
Essa língua
Essa mão que me cinge com maneio inconfundível

Chega de mansinho
Quase complacente
E toma o seu lugar
Na hora do coito.





segunda-feira, 1 de junho de 2015

Cotidiano - nº 01

Enquanto tento escrever algo que preste, sentando em frente a esse mac faz quase duas horas. A capa do disco do Exuma, postada à minha frente - por detrás da tela do computador - parece querer dialogar comigo. Me encarando. Com seus dois olhos negros sombrios e tortos, um olhar grosso, pesado, profundo, dois buracos negros me encarando. Como se quisessem me dizer: "Ei amigo, está chegando sua hora! Melhor ficar atento."

Toda vez que escuto esse disco, tenho medo. Vai ver por isso, agora também tenho um pouco de medo de olhar para ela, aquela capa com dois olhos sinistros, acho que vou colocar o disco de volta na prateleira e esquecer que ele estava olhando para mim.

Não Vai Voltar

Ela não vai voltar
Por mais que eu chore mil dias
Ou que mova cidades
Na minha idade, melhor consolar

No fundo, eu sinto a dor da sua fuga
Se houve um fuga, não sei
A única coisa que sei
É que é melhor não esperar

Talvez ela volte amanhã
Ou nunca mais
Ela não vai voltar
Nunca mais.

A última vez que a vi
Não a vi
Passou por mim
Nem percebi

Ela não vai voltar
Nem que eu mova países
Exploda minhas cicatrizes
Colecione novas varizes

Ela, nunca mais, vai voltar.

Na Beira do Rio

Sentado na beira do rio
A lua joga sua prata
Ilumina a água
Me deixa encantado

Na proa do barco
Eu vi tua carranca
Iluminada
Reluzia feito a prata d'água

A luz da lua
Batendo na água
O pensamento correndo
Maré cheia

Clareia
Esquenta meu corpo
Um gole de cachaça
Pede licença para Yara

Mergulha profundo
Sem medo do fundo
Nem do escuro das águas
A lua, há de pratear

Meu corpo em prantos
Me deita em teu manto
Janaína do mar
A lua prateada vai nos iluminar.

Até a hora do sol voltar.

Por Que?

Sentado no trono
Defecando os problemas do dia a dia
Minha gata cheirando minha perna
Meu coração distante
Pensando na outra gata que perdi,
a de verdade.
Não uma gata humana, uma gata-gata mesmo
Hoje meu irmão me ligou, era bem cedo
Estava dormindo ainda
Consegui pronunciar algumas palavras tortas
Mas o remédio que havia tomado para dormir era mais forte
E me fez dormir novamente
Quando acordei, achei que tivesse sonhado, mas acho que não sonhei.
Faz dias que não sonho.
Meu sono torto por causa da gata que sumiu
Minhas contas que não estou conseguindo pagar
Minha vida escoando
O tempo passando
O relógio na parede.
O alarme do celular.
O interfone que toca.
Você gritando meu nome.
A tarde que era vazia, de repente
Ganhando cor.
Teu cheiro chegando
Me invadido
Como uma onda
Que me atropela num caixote em looping eterno
Queria eu, que fosse, eterno.
Esperto,
deixo o tempo passar.
Melhor não contar nada para ninguém.
Melhor não saber de nada.
Mas o que estou fazendo aqui?
O que estou dizendo?
Por que?

sábado, 30 de maio de 2015

Um Elefante

Um elefante
Atrás da minha orelha
Balançando seu rabo insistentemente
Parece uma mosca em cima do bolo

Ainda sinto seu cheiro
Agora está um pouco podre
Misturou com o fedor do meu peido
Perdeu a cor, como tudo perde

Mas ainda é um cheiro,
e eu imagino ele.

Quando o tempo atropela


A vida muitas vezes atropela. A novidade vem sorrateira, os dias se passam, nasce o sol, nasce a lua, ambos nascem e morrem todo dia, as coisas acontecem a sua volta e, de repente, passou seu tempo. Importante correr sempre na frente, enquanto isso for possível, mas como correr sempre na frente? Se não somos mais jovens, nem temos o mesmo vigor e agilidade mental de outrora, o mais importante talvez seja se nutrir das novidades deles, das coisas dos jovens. Ou ainda, trazer eles para perto, saber do que pensam, como sentem a vida, ter essa visão mais contemporânea, mais atual das coisas de agora. O tempo grita, urge, é uma mão incessante socando uma porta: Bam! Bam! Bam! Baam!

Ou você abre a porta. Ou fica preso para sempre numa outra dimensão. Como se estivesse aqui, mas na verdade não. Tipo física quântica, só que um pouco mais sócio-cultural, na verdade é você sentir que perdeu para o tempo, para o agora. E que tudo está acontecendo muito rapidamente e que, mais do que nunca, é importante estar dentro do olho do furacão e não do lado de fora, tentando fugir dele. O mais importante é fazer o furacão girar, ser parte dessa engrenagem louca que acontece todo dia ao nosso redor. O tempo. Sempre o tempo, ditando tudo, o ritmo das coisas, as batidas dos nossos corações. O tempo que acalma e que deixa aflito. Que pára por um tempo, e depois acelera comendo os dias com sua fome do fim do mundo. O tempo deixa marcas. Tudo na vida deixa marcas. Algumas são cicatrizes boas de lembrar, outras nem ousamos remexer, são intocáveis.

Rindo alto de tudo, na verdade chorando. Me vejo perdido, nesse exato momento, quando o sol bate pela minha janela, formando uma sombra forte e extensa no chão, que mais parece grandes de uma cela. Estou livre, mas me sinto como se estivesse preso dentro desse mundo, dentro dessa sala, dessa cela imaginária. Como posso fugir de tudo isso? Vejo fotos de viagens que não são minhas e me imagino em todas elas, é frágil pensar assim? São coisas que vem e que passam, furtivas, etéreas e tolas até. O sino tocou mais uma vez. Outra vez que não ouvi. Mais uma em que fiquei parado tentando ouvir, sem saber, sem sentir, sem perceber nada. Minha gata sumiu, faz três dias, ela estava passeando pelo telhado e não voltou. Não sei se volta mais. Estou triste, completamente arrasado, mas não chorei. Não conseguimos nos despedir, a vida é assim, melhor não ter despedidas. Melhor seguir adiante, sempre, até onde der para ir. Agora não vejo mais ela deitada no meio daquela luz misturada com a sombra das grades da janela que dá para o telhado, por onde ela fugiu. Maldita. Ainda mais isso para me atormentar os sentimentos, já não me basta estar tudo retorcido por dentro?

A fumaça que vejo bailando, diante dos meus olhos, é como a vida. Dançando, sumindo, voltando, se contorcendo e evaporando, feito uma sombra solta no ar. Não escuto o barulho do mar, mas eu imagino. É confortante imaginar o mar quando se está com medo. É uma forma de fugir, ou fingir, para não gritar. Quantas vezes eu tenho vontade de gritar. São muitas. Mas, quase sempre, eu prefiro continuar em silêncio apenas observando o movimento dos corpos, a eletricidade das pessoas é algo estranho. Eu já vibrei errado, ainda vibro às vezes, mas tento quase sempre buscar o lado claro das coisas. Isso pode ser positivo em algum momento, então eu insisto. Quem sabe seja uma forma de vibrar. Apague a luz. Quero ouvir essa guitarra gritando alto em meu ouvido, a sala escura. Quem sabe ela volta. Quem sabe.


segunda-feira, 25 de maio de 2015

Negro Colorido

Meus olhos explodiram
Como dois vulcões soltando larva
Fiquei tão cego
Que quase enxerguei tudo.

Já não sabia se era noite ou dia
Da minha boca brotavam raios
Quando mexia os braços
Arco-Íris se formavam em minha volta.

Tudo ficou colorido
Repentinamente
Meu coração acelerou
Repetidamente

Tudo ficou quente
Como meus olhos explondindo
Como um vulcão pegando fogo
O céu cheio de raios e fumaça negra.

Consigo enxergar tudo, mesmo assim.
É tarde, noite ou dia...
Muito tarde para voltar atrás.
O céu, de repente, ficou negro e colorido.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Relógio

O relógio tocou mais uma vez
Hora de tomar minha dose extra
De insensatez
Hora de perder a natureza

As coisas estão todas fora do lugar
Tudo divergente nessa sala
O teu olhar que não cruza o meu
Nós que estamos aqui sem estar

Meus Deuses
Será que eles irão me salvar?
Quando a encruzilhada chegar
Espero ou cruzo o sinal?

Meus Deuses
Eles estarão lá?

O céu vai desabar
Ao fim da tarde, choverá copiosamente
Vai escurecer
Dentro da minha cabeça




quinta-feira, 9 de abril de 2015

Aquele Beijo

Aquele beijo
Parecia um grito
Explodindo em êxtase
Um mar revolto

Um salto no escuro
O abismo fundo
Um mergulho no mar
Tua língua mergulhando na minha

Presa tardia
Ou voraz
Etérea, como o vento
Meu coração pulando fora do meu peito

Quando vi teu sorriso
Meu espírito acelerou
Minhas mãos ficaram frias
O tempo todo parou

Aquele beijo
Era tudo
O sonho mais profundo e perdido
Ele veio como um grito e sumiu como o vento.

Aquele beijo
Ainda arde
Agora é tarde
Resta o desejo.

terça-feira, 31 de março de 2015

UMBIGO

Me empresta teu sorriso
Faz meu dia ficar colorido
Acende minha chama
Me chama para dentro dessa cama

Vem, é agora.
Acerta seu passo no meu
Deixa eu te contar um segredo
Se eu me lembrar

Eu quero teu umbigo
No meu umbigo
Deixar a tarde cair
E nunca mais levantar (dessa cama)

sexta-feira, 27 de março de 2015

BOLERO DO DESAMOR

Faz pouco tempo, eu sei
Ainda agora você sorriu para mim
Ainda consigo ouvir,
Se fechar os olhos.

Consigo ouvir tua respiração
Aqui dentro da minha cabeça
Teu calor ainda me confunde
O teu perfume, ainda consigo sentir.

Mas você partiu,
Foi para algum lugar distante
E não voltou
Era tarde.

Agora, que são dez para as onze da noite
Eu queria saber
Por que diabos, você fugiu de mim?
Era tarde também naquela noite

Estava olhando as estrelas agora
E pensei: O que fez você partir?
Por que temos que sumir.
Onde vamos reaparecer?

É tarde agora, eu sei
Ainda a pouco tudo estava aqui
Ainda consigo ver
Se fechar os olhos.

Mas tudo se partiu,
Foi para algum lugar e nunca mais voltou
Era tudo muito distante
Tudo partiu em mim.

quinta-feira, 26 de março de 2015

AVIA, MENINO

Avia, menino!
Tá tarde,
tira essa cadeira da porta
Se adentre para tomar o café

Se for para rua, mais tarde
Leve o abrigo.
Pode ser que tenha sereno
É melhor estar encapotado

Na praça, pessoas dão voltas
Amigos se encontram
Jovens se encaram pela primeira vez
Sonham romances imaturos

No abrigo de Lulu ou no bar de Floriano
Os jovens tomam Coca-Cola
Os mais velhos se aventuram na cerveja (ou na pinga)
Na praça, todos se encontram.

Os que estavam perdidos,
Os que acabaram de chegar
Os que rodaram tanto que ficaram tontos,
Avia, menino!!

Tá cheio de pelego esperando na porta
Eles querem brincar
Com seus brinquedos
Eles querem roubar teus sonhos

Avia, menino!
Tá tarde.
Bota essa cadeira para dentro
Já chamei mais de mil vezes.

De noite, não vai sair.
Avia, menino!
Corre para dentro
Antes que seus sonhos virem pesadelo.

(inspirado em Simão Dias, Sergipe e nos "recados" que minha bisavó, Adelaide Rosa Montalvão, me dava quando eu era pequeno)



JORRANDO

Estou quase explodindo
Sou uma cachoeira
Me jorrando
Há um furacão dentro da minha cabeça

Tem dias que não é bom
Escutar tantas vozes
Falando dentro de você
É melhor o silêncio, mas também impossível

Tempos atrás
Eu conseguia sentir
O barulho das árvores, das folhas, da tua respiração
Dentro da minha cabeça

Agora, sinto que estou explodindo
Mas fico aqui
Esperando algum choque
Uma nova visão, uma voz nos meus ouvidos

O vento grita teu nome
É um sino batendo
Seria bom estar surdo
Não queria ver, nem tocar em nada

Eu posso explodir, sinto que estou jorrando...

VOAR

E se eu olhar
No fundo dos meus olhos
Refletidos no espelho
E não conseguir me ver?

Devo fingir que vi, sentir,
ou fugir de mim mesmo?
Como sempre não sei dançar
É que sempre toca a mesma música

Tudo o que posso fazer
É muito pouco, é quase nada, é inútil.
Vai amanhecer outro dia
E continuo somando minhas horas distantes

Estou navegando sozinho
Num mar que não parece ter fim
O sal vai me temperando
Estou quase pronto, cada vez mais longe

Onde você está?
Onde andam seus pensamentos
Seus sentimentos
Eles andam, ou continuam plantados?

Há uma ponte
Entre meus olhos
E tuas asas
Se for voar agora, me chame, quero voar com você.

terça-feira, 10 de março de 2015

Coração-Estorvo

É cedo
Nem amanheceu
Me olho no espelho
E percebo meus olhos grudados, quase cegos

A penumbra ante as vistas
Um véu distorcido e tênue
Que se pendura diante dos meus olhos
Me impedindo de enxergar minhas rugas

Meu medo talvez seja o tempo
Talvez nem tempo eu tenha para sentir medo
Enquanto isso, dorme plena
Gozo fatal.

Na ponta dos meus dedos
Trago alguns segredos
Dos desejos que amei a pouco
Tantos eram, que me lambuzei em devaneios

E me perdi, completamente vazio
Diante desse espelho
Onde estou cego
Nem amanheceu, está tudo turvo.

Até esse estorvo batendo desalegrado em meu peito.
Me confunde
Me aflige
atendo, ardendo, em desassossego, batendo, batendo... aflito.



sábado, 14 de fevereiro de 2015

Cheio de merda na cabeça
O cheiro de buceta
Lambe a ponta dos dedos
Aperta os olhos, voa longe

Pensamento
Tava ali, ainda agora
Agora voa...
Mas volta e mergulha de novo.

No teu sexo.



Tropeço

Sim. Como sempre. Tento ser aquele ser delicado que um dia fui com extrema facilidade e desenvoltura magnífica, que quebrava com facilidade qualquer desencanto. Que irradiava qualquer tarde vazia e sem cor... mas agora, o reflexo no espelho, é opaco. O grito dos pássaros lá fora. A cor do teu cabelo que pouco me incomoda. Mas o teu cabelo sim, nele queria deitar meus dedos, afogar meus medos e susurrar palavras doces ao pé dos seus ouvidos. Mas eu tenho medo. E sumo, e corro, e grito em silêncio, só eu posso ouvir, mesmo assim nem ouço. Tropeço.