domingo, 15 de novembro de 2015

Desamor

E se eu fosse uma caravela E se fosse uma flor E se o amor, brotasse E começasse a cuspir cores E se eu não me opor A todo desamor Que acho que é meu Todas essas flores que comprei para você e nunca te dei Todo esse desejo Que um dia senti E que nunca foi seu Todo esse meu medo, que é sempre meu. E se quando amanhecer Eu continuar dormindo E se o dia estiver colorido E eu não acordar sorrindo E se eu nunca acordar E se sempre estiver sonhando E se pular no mar Sem medo, será que saberei navegar? E conseguir aportar Em algum lugar Onde devo estar Com meu barco, sempre a postos Para teu abraço Para teu sorriso Para teu abismo E se eu tiver medo... quem vai alimentar os meus monstros? Quem vai me botar para dormir Quando for noite E estiver tudo escuro Quem segura na minha mão na hora do pulo? Será que eu pulo? Ou mudo o canal? Melhor fugir de novo Melhor nem pensar no salto Meus olhos estão cansados Eu sinto que estou cansado Que está tudo anestesiado Olho em volta, 30 miligramas de Vallium entorpecem tudo o que vejo. Há um vale Um vazio Um eco imenso Eu já não me sinto mais aqui Estou além Do que posso sentir Do que posso viver Estou muito aquém De tudo Não confio em mim Tenho medo de saber de tudo Até mesmo quem eu sou (tenho medo) É um eterno recomeço Dia após dia um novo tropeço Meus olhos ardem, meus coração arde, meu peito arde Tudo arde e queima dentro de mim, e fora também. Eu lembro do dia Que eu quis fugir Hoje aconteceu de novo E Eu fugi, eu lembro agora. E tento esquecer Mas não consigo É sempre mais forte, a lembrança do esquecimento O recomeço do tropeço A escada para o infinito O grito mudo do gigante que é montanha e dorme Aquela visão que você não consegue ver, mas sente O arrepio na espinha... o suspiro antes de dormir. É sempre ruim voltar Lembro quando visitava o meu túmulo Eu nem havia morrido Mas estava lá... vestido de negro.

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