palavras... delírios... vômitos... buracos negros... umbigos... pélvis lisa... tudo que interessa!
domingo, 15 de novembro de 2015
Desamor
E se eu fosse uma caravela
E se fosse uma flor
E se o amor, brotasse
E começasse a cuspir cores
E se eu não me opor
A todo desamor
Que acho que é meu
Todas essas flores que comprei para você e nunca te dei
Todo esse desejo
Que um dia senti
E que nunca foi seu
Todo esse meu medo, que é sempre meu.
E se quando amanhecer
Eu continuar dormindo
E se o dia estiver colorido
E eu não acordar sorrindo
E se eu nunca acordar
E se sempre estiver sonhando
E se pular no mar
Sem medo, será que saberei navegar?
E conseguir aportar
Em algum lugar
Onde devo estar
Com meu barco, sempre a postos
Para teu abraço
Para teu sorriso
Para teu abismo
E se eu tiver medo... quem vai alimentar os meus monstros?
Quem vai me botar para dormir
Quando for noite
E estiver tudo escuro
Quem segura na minha mão na hora do pulo?
Será que eu pulo?
Ou mudo o canal?
Melhor fugir de novo
Melhor nem pensar no salto
Meus olhos estão cansados
Eu sinto que estou cansado
Que está tudo anestesiado
Olho em volta, 30 miligramas de Vallium entorpecem tudo o que vejo.
Há um vale
Um vazio
Um eco imenso
Eu já não me sinto mais aqui
Estou além
Do que posso sentir
Do que posso viver
Estou muito aquém
De tudo
Não confio em mim
Tenho medo de saber de tudo
Até mesmo quem eu sou (tenho medo)
É um eterno recomeço
Dia após dia um novo tropeço
Meus olhos ardem, meus coração arde, meu peito arde
Tudo arde e queima dentro de mim, e fora também.
Eu lembro do dia
Que eu quis fugir
Hoje aconteceu de novo
E Eu fugi, eu lembro agora.
E tento esquecer
Mas não consigo
É sempre mais forte, a lembrança do esquecimento
O recomeço do tropeço
A escada para o infinito
O grito mudo do gigante que é montanha e dorme
Aquela visão que você não consegue ver, mas sente
O arrepio na espinha... o suspiro antes de dormir.
É sempre ruim voltar
Lembro quando visitava o meu túmulo
Eu nem havia morrido
Mas estava lá... vestido de negro.
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