quinta-feira, 26 de março de 2015

AVIA, MENINO

Avia, menino!
Tá tarde,
tira essa cadeira da porta
Se adentre para tomar o café

Se for para rua, mais tarde
Leve o abrigo.
Pode ser que tenha sereno
É melhor estar encapotado

Na praça, pessoas dão voltas
Amigos se encontram
Jovens se encaram pela primeira vez
Sonham romances imaturos

No abrigo de Lulu ou no bar de Floriano
Os jovens tomam Coca-Cola
Os mais velhos se aventuram na cerveja (ou na pinga)
Na praça, todos se encontram.

Os que estavam perdidos,
Os que acabaram de chegar
Os que rodaram tanto que ficaram tontos,
Avia, menino!!

Tá cheio de pelego esperando na porta
Eles querem brincar
Com seus brinquedos
Eles querem roubar teus sonhos

Avia, menino!
Tá tarde.
Bota essa cadeira para dentro
Já chamei mais de mil vezes.

De noite, não vai sair.
Avia, menino!
Corre para dentro
Antes que seus sonhos virem pesadelo.

(inspirado em Simão Dias, Sergipe e nos "recados" que minha bisavó, Adelaide Rosa Montalvão, me dava quando eu era pequeno)



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