segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Naquela Noite

     Naquela noite, ela podia ter sido minha, mas não foi.

    Ela podia ter ouvido quando falei, ter ao menos entendido a minha fala, mas estava muito surda, com os ouvidos completamente cegos para o mundo. Ela podia ter sorrido quando eu sorri, mas ficou séria demais e só acenou, sem nenhuma retribuição. Ela podia ter aceitado meu pedido de perdão, ter sido mais leve, mais aberta e livre, mas não foi. Se fechou. E eu, me fechei junto. Como um arbusto que se retrai ao toque áspero. Eu sumi, dentro de mim.

     Isso me travou de um jeito incondicional, quase para sempre. Aquele sorriso que eu achava tão bonito e tão penetrante, agora é nada! Aquele olho infinito de um azul (ou era verde?) tão profundo que me fazia querer mergulhar neles e navegar sem caminho, nem porto seguro, nem terra a vista, muito menos em volta. Agora, esse mesmo olho, parece um buraco vazio. Sem brilho algum, uma gruta escura e úmida. Distante. Intocável. Indecifrável.

     O cintilar das teclas de um piano, me reconforta com uma música que me atinge e me lança para frente, não tenho medo de seguir adiante, nunca tive! É importante olhar sempre adiante e nunca voltar às vistas para o passado, porque há dias em que o passado é tão pesado e cruel que se você simplesmente encará-lo é como se fosse jogado num ventilador de ontens e amanhãs. A vida já é uma grande incerteza, será que temos sempre que complicar?

      Eu espero que algum dia ela se arrependa disso, porque eu mesmo, me arrependo de tudo!

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