Quis demais
Como sempre
Esqueceu
De deixar a água fluir por debaixo da ponte.
No seu fluxo normal
E contínuo.
É importante observar a indiferença dos barcos
Que batem nas docas
A água que bate na rocha
e leva, lava, limpa tudo
O que eu sentia
Estava represado, agora vazou.
Agora,
Que quebrei as comportas
Meu peito transborda
E me inunda algumas vezes.
Quis demais.
Agora é tarde.
Amanhã, quando acordar.
Vou sentar para contar os estragos dessa vazante.
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