sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Minhas últimas orelhadas...


Ouvir música é uma coisa que gosto de fazer, algo sagrado. Uso a música para diversas coisas em minha vida, enquanto trabalho, tenho que me concentrar, quero curtir um momento, estudar algo, amar alguém, ficar bem, nostálgico, sentimental, bobo... música para dançar, para chorar, para sorrir, para sofrer. Música. Todos os gostos, tipos, gêneros, ritmos... todo tipo de música!

E lista são mania né?! Desde a adolescência, quando ainda fazia fitas K7 para as namoradas ou pretendentes, que existem as listas de músicas, bandas, sons. 

Aqui vai o meu Top3 das últimas coisas que estou ouvindo:

1 lugar - BLONDE READHEAD
álbum: Misery Is A Butterfly
ano: 2004
principais músicas: Elephant Woman, Messenger, Misery Is A Butterfly, Magic Moutain.
porque ouvir: é uma banda de rock dos Estados Unidos formada em Nova Iorque em 1993, pelos irmãos Simone Pace e Amedeo Pace, e pela japonesa Kazu Makino. A banda toca músicas em várias línguas incluindo inglêsjaponêsitaliano e francês.

                   Blonde Redhead: os italianos Simone e Amedeo Pace, e pela japonesa Kazu Makino

2 lugar - SHE & HIM
álbum: Volume Two

ano: 2010
principais músicas: Into The Sun, Don't Look BackGonna Get Along Without You Know.
porque ouvir: É simples, por causa de Zooey Deschanel and M. Ward. Eles fazem uma música singela, simples e com efeitos certos nos lugares certos, sem perder a atmosfera lo-fi do folk americano.

3 lugar - THE TELESCOPES
álbum: As Approved By The Committee
ano: 2003
principais músicas: EversoCeleste, Celestial e a tosqueira de Pure Sweetest Ocean
porque ouvir: Trata-se de uma coletânea do melhor do trabalho dos Telescopes, com 7 músicas dos primeiros discos e 7 músicas retiradas de singles da banda.


segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Enquanto Seus Pulsos Jorravam Sangue

Enquanto seus pulsos jorravam sangue
Eu acendi uma vela.
E até chorei.
Com medo de te perder.
Passei semanas hesitando.
Em te ligar ou fazer uma visita.
Tinha medo. Tive medo. Tenho ainda.
Pouco me sobrou.
Uma música, por favor!
Preciso fugir do constrangimento.
A dúvida de poder te encontrar é um grande tormento.
Lamento pensar assim.
Mas é tudo que me resta.


Pés descalços grudados no asfalto quente dessa estrada
Como se tivessem roubado meus sonhos.
Vagueio pelos trilhos da vida.
Chutando as pedras que me são oferecidas.
Resta tanta saudade.
Vontade.
Tanta Ilusão.
Você não está mais aqui.
Mesmo assim, continuo meu sonho.
Quase morto, quase vivo.
Escutando novas canções, porém tristes.
Lembrando o contraste de nossas peles.
Enquanto nos olhávamos pelo espelho.
Pensando no quanto bonito éramos.
Imaginando a inveja das pessoas.
Que não nos possuíam.
Que tanto nos desejavam.
Que não tinham a dimensão exata do nosso amor.
Nem de nós.
Nem Nós.
Mesmos.
Tínhamos.


Nada de concreto.
Nenhuma construção sólida.
Apenas castelos de areia.
Ontem lembrei de você, quis esquecer.
Desculpe, mas agora vou chorar.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Dor

A dor é repetição
Da mesma dor
Da mesma ausência
Da mesma angústia.

A dor é a dor.

E dói
E rasga
Mutila a pele
Castiga os órgãos.

Gizeh

Quero um gim
Send to me
Ginseng
Ginsberg

Além-mar, meu coração navega
Um farol
Luz distante
Gizeh

Conte pra mim
Algum segredo, entranha
I´m blind
Eu uso óculos

Estou perdido
Não quero falar
Não quero calar
Give me alone.

Morte Camuflada

Quero morrer
Escondido
Do mundo, da dor
Da tristeza

Quero morrer
Camuflando
As feridas, as manchas
As valas onde me escondo

E me perco...
Agora
Tudo é tão distante e negro
Meus olhos quase não sentem a luz do teu pesar

Sobre mim
Num caixão vazio
Num caixão vazio
Num caixão vazio
Num caixão vazio.

Bem

Bem
Longe
Aqui
Ontem

Agora
Sumiu
Ficou
Sofrimento

Pavor
Dor
Amor
Lamento

Tarde
Tempo
Acabou
Longe

Perdido
Estou
Parado
Fico.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

rota Aracaju-Santa Luzia

Barulho irritante do motor de um Fusca 76.
Resquícios de um passado inconstante e ruminado diversas vezes.
Luzes que refletem o que é essa cidade vista de longe. Do Outro lado.
Da Ilha. De Santa Luzia. De Guga, de Joubert, de Montalvão.
Donde se vê, Aracaju. Do Cacique. Araripe. Chá. Serigy. Aperipê.
Terra salobra. Água salobra. Gente Salobra.

Sol que castiga.
Rasga a pele. Come pensamentos pelas beiradas. Funde a cuca.
Onde corpos se perdem esperando o entardecer.
E seus tons púrpura-alaranjados
Para cair numa rede e entrelaçar os corpos e fundir os pensamentos castigados pelo calor escaldante.
Tem a brisa. Toda Tarde. Tem o mar. Tem o rio.

Eu caío na areia fina da praia de Atalaia.
Minha cabeça viaja pelas ondas pequenas na beirada.
Vão e vem. Vem e vão. E se perdem. Como a espuma quando beija a areia.
Entro no mar, sonhando encontrar um sereia safada.
De pernas escancaradas e olhar sacano.
Ahhhh, Aracaju.

Que vontade de beber água de coco na Beira Mar.
De deitar meu corpo num banco da 13 de julho.
E deixar o dia passar.
Aracaju.
Terra salobra. Sol que castiga. Os Atalaias.

Nua

Luz vazia
Gosto amargo
Beijo
Teus olhos grudados em algo distante

A dor me domina
Acordo para a morte
Corto os pulsos
Rasgo a pele

Meus suor é vermelho
Cor de terra... chão.
Azul é mar, céu, você...
... Nua.

desejaria

desejaria ter teus olhos
acordaria acariciando teus cabelos
não teria mais medo de nada, nem do mundo, nem de mim mesmo
apenas acordaria ao teu lado, me sentindo vivo.

desejaria ter mais um dia
viver um pouco mais e sentir o sol
queimando meu corpo
sentir o dourado sob meus olhos.

Poema para Mim Mesmo

beija meus pés
agora que estão sujos
de caminhar ao seu lado
beirando teu destino

escolhendo os mesmos caminhos errados
quem sou eu perdido nesse mundo?
pra onde olho?
a quem me entrego?

o que desperto nas pessoas
é bom, é ruim, é algo em que se possa acreditar?
lave suas mãos antes de me colher o seio
como você sabe sentir meu desejo
(meus malditos anseios)

eu já não preciso mais viver
nem ser aquilo que esqueci, ou perdi
o vento bate forte em minha cara
treme em todo o meu corpo, pois estou vazio.

traga minhas pípulas
acho que preciso dormir um pouco
sinto que estou ficando cansado
meus ossos estalam quando ando

pare de gritar!
minha cabeça dói toneladas
e sinto que a vida foge em plenas escapadas
e fico sempre na estrada, esperando o alvorecer.

e quem sou eu para achar qualquer coisa?
a única coisa que sei da vida
é que sempre estou enganado
a noite me chama, a cama, a lama, a fama, a gana, agora: o silêncio!

(São Paulo, 20/set/2010)

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Azul

AZUL

Quem Sabe a luz
A dor dos teus olhos
Pesados como pedra
Estou preso

Meu mundo, minhas paredes
Pele de concreto armado
Veias metálicas

Sangue violeta, sangue violeta.
(sangue, sangue, sangue)

Penso em chorar
Rasgo meus livros
Corto minhas meias
Quero andar descalço até queimar meus dedos

No chão quente... fogo.
Distante como o ar... seco.
Olhando para o azul... me perco.

Sangue violeta, sangue violeta.
(sangue, sangue, sangue)

Vomito Negro - o filme


O Filme Vomito Negro nasceu em 1993, quando o autor morava na cidade do Rio de Janeiro, num edíficio de 27 andares, chamado Itú. O prédio ficava na esquina da Rua Chile com o Largo da Carioca. De dia, cerca de 500 mil pessoas cruzavam as ruas e alamedas do centro carioca. À noite, se conseguisse enxergar 10 almas vivas, seria muito. Um contraste conflitante, angustiante, paranóico, que levou o autor a escrever o roteiro original desse filme, que retrata os últimos 23 minutos da vida de um poeta decadente e recluso, prestes a explodir. Um odisséia paranóica, uma vertigem constante, uma repulsa expessa como o vômito.

O filme é uma homenagem ao trabalho de artistas marginais como Ed Wood, Willian S. Burroughs, Charles Bukowski, José Mojica Marins entre outros.

Vencedor na categoria Melhor Filme de Público no 1 Festival CURTA-SE em 2000, e Terceiro Melhor Filme da crítica nesse mesmo Festival. Menção Honrosa na Bienal da Une 2003, em Recife.

Um filme de Carlo Bruno Montalvão. Direção de Wagner Mazzega e Carlo Bruno Montalvão. Apresentando: Nino Karva (o poeta), Diane Veloso (a musa), Abel Guaracy (poeta criança), Lindemberg Monteiro (traficante), Fabio Viana (poeta Jovem), e grande elenco.


domingo, 24 de outubro de 2010

O Homem que Adorava Computadores.

David era viciado em computadores. Ele simplesmente amava aquelas máquinas frias e sem sentimentos. Era capaz de largar tudo para ficar horas em frente ao seu mac. Engolindo a si mesmo. Um certo dia, lá pelas tantas da madrugada, toca o telefone:


- Davidde?!
- Hummmm... - responde sem interesse.
- Tava dando uma olhada na minha agenda, daí resolvi ligar para você, saber como está? O que anda fazendo da vida?
- Quem é que tá falando, hein?! - pergunta David
- É o Jonas. Jonas Ayres. Já fui seu advogado, ziileembra? - fala enrolando a língua.
- Tá bêbado, meu amigo? - fala sorrindo - Já tomou quantas hoje?
- Não é da sua conta. - retruca furioso - liguei porque sou teu amigo, e nós estamos preocupados com você, Eu e Marie.
- Eeepa, peraí!O quê a Marie tem a ver com isso? - David começa a se preocupar com o rumo da conversa - Foi ela que pediu para você me ligar, não foi?
- David, ela te ama. Está preocupada com você. - contendo a voz - Mas você está trocando a Marie por um computador. Você não entende isso? Não enxerga?
- E o que você tem a ver com isso? Posso saber? Virou garoto de recados? Fala sério meu amigo, isso é um número? Fala sério, você tá viajando na madrugada?
- David, você não entende! Está cego, completamente cego e burro.
- Olha aqui, meu amigo... se você ligou para ficar me dizendo que sou cego e burro, é bom desligar logo essa pôrra de telefone. Ou então vai tomar no seu cu, filho da puta!
- David...
- David, o caralho! Vá se foder, agora mesmo! - já furioso - Me deixa em paz! Você sabe que horas são?
- Sei. Tudo bem, você é adulto. sabe o que faz.
- Sei mesmo. E você vá se foder!


David desliga o telefone. Passa as mãos no rosto, tenta se acalmar. Pega um cigarro. Acende. Dá uma tragada tão profunda quanto a dor que sente em seu peito. Não quer ficar com aquela idéia fixa na cabeça. Volta para o computador. Abre o editor de textos e começa a digitar uma poesia:

"... Queria você nua
Como a grama que me acolhe
E me faz sonhar
tão distante e próximo


Éramos tudo
Ou quase
Lembranças furtivas
Morrem a cada amanhecer


Teu coração sorri
Eu choro.
Um pouco de saudade
E as mesmas manias e desejos..."

David olha no relógio. Já passam das 4:45 horas. Outro dia começa a tomar forma. Desde ontem que está em frente ao computador. Pensa no que Jonas havia lhe dito. Pensa que pode ser verdade. Gotas de suor começam a encharcar sua testa e mãos, está tenso. Como se estivesse tendo uma premonição de que algo ruim iria acontecer. Mas David não sabia o que seria. E isso o fazia se fechar cada vez mais no seu mundo de egoísmo e medo. Ele mete a mão nas calças e começa a bulinar seu pênis. Para um lado, para o outro. E também o saco. Para um lado, para o outro. Fica excitado. Seu membro enrijece, ele começa a se masturbar pensando em Marie. Aquele corpinho lindo, com tudo no lugar certo. Está quase a ponto de explodir. Não se contém e goza violentamente. Esperma para todos os lados, no chão, nas mãos, no teclado do computador, escorrendo pelo pênis. A respiração aumenta e diminui, ele sorri e morde os lábios. sente um sentimento perverso, mas logo pensa em esquecer ou em pensar outra coisa. Cospe numa das mãos e passa a saliva na cabeça do pênis. Depois procura um pedaço de papel e trata de se limpar, sem se levantar de onde está. Desde ontem. Pensa no quanto ama Marie. Imagina ela nua, dormindo em casa, um sono puro sob a proteção dos anjos. Olha para o computador e volta a escrever:

"... O que fazer do sonho?
O que restou da dor
Minha sombra dói
Meu corpo cansa


Grito alto, grito em vão
Outras vozes
Substituem
Meu discurso cansado


Vou calar
Cansei da palavra
Quero o sono profundo dos Deuses
Ser Imortal."

David pára de escrever. Olha para o computador. treme por dentro, está confuso. Nervoso. Inquieto. Levanta-se, anda pela sala, olha pela janela e tenta encontrar as estrelas, respira bem fundo, como se buscasse todo o ar perdido. Corre em direção ao computador. Pega-o com as duas mãos e joga-o no chão. Com toda a força que possui. Pedaços voam para todos os lados. Ele se contenta, fica eufórico, sorri contido. Caminha até a porta do banheiro, entra e fecha-a. Pega a escova de dentes e coloca uma pequena quantidade de creme dental. Escova os dentes, repetidas vezes. Ao terminar, escova de novo. Caminha de volta até o quarto, apaga a luz. Já entrando por entre os lençóis, pensa que a vida poderia ser bem melhor sem os malditos computadores. Pensa em ligar para Marie. Mas é tarde. Pensa também que não havia salvado seu arquivo de fotos, antes de destruir o computador. E que Marie teria que ter muito sex appeal de agora em diante, e que ele, deveria encontrar fórmulas secretas para obter mais estímulo. Dormiu sonhando encontrar seu amor, no dia seguinte. Quando acordasse.