quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

pequena oração da vida

Concedei-me Senhor
A Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar
Coragem para modificar aquelas que podemos
E Sabedoria para distinguir uma das outras.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

LOUCURA

Sim, estou louco
Já fiquei louco um milhão de vezes
E vou ficar ainda muito mais
Basta eu estar... louco!

Me consome
O fato de não saber
Até quando vou estar louco
Ou aqui, no meio de toda essa loucura...

Sim, vou ficar cada vez mais louco
O tempo vai me enlouquecer a cada dia
A sua falta me enlouquece ainda mais
Nada me resta a não ser curtir minha loucura de maneira fria e lúcida.

Melhor estar louco do que não viver.

deitar minha língua

Quanto tempo ainda resta?
Há sempre luz por detrás da fresta
Quero me esconder
Naquela greta...

PRECIPÍCIO

Não era certo
Nem era amor
Era um negócio muito estranho
Algo sem explicação

Corroendo seus pensamentos
Um desejo mórbido
Visitar seu próprio túmulo
Todos os dias, para ter a certeza, de que estava morto.

Se sentia entorpecido
Como se bebesse um veneno
Que lhe causasse uma letargia desregrada
Seu corpo inteiro invadido por um estrondoso torpor

Coração pulsando forte
As vistas quase cegas
Não conseguia mais enxergar nada além
De seus próprios erros e medos

Faltava coragem
Para saltar
O precipício estava longo ali
Um passo e... Já era.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

FURACÃO

Veio do nada
Levou tudo
Destruiu paredes de palha, telhados de vidro
Destroçou pensamentos, depois sumiu...

Chegou de mansinho
Tomou corpo, fingiu que era leve
Quando cresceu, levou tudo
Depois dele, tudo teve que ser reconstruído.

Era um vento leve
Fingindo que era leve
Sorrindo até, mesmo com olhar lá distante
Era leve, virou Furacão... levou tudo!

A CHAMA

Acalma teu peito, amigo
A chama parou de arder
Ainda a pouco ela ardia
E bailava frenética

Jogava seus cabelos de fogo
Serpenteava de um lado para outro
Agora é nada.
Nem fumaça restou

A chama que arde
É a mesma que se apaga
Assim, amigo, do nada
É preciso estar atento

Aprender a dançar
Se for gastar a energia
Tem que ser com você
Só você sabe do que precisa

Imaginar o fogo
No peito de outra pessoa
É o mesmo que tentar
Segurar uma chama

Queima...

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Coração-Desordem

Não adianta
Coração-Desordem
Insiste em sentir
Pulsa num contrafluxo

Bombeia, massageia
O Ego sempre confunde tudo
A sombra que fica
A voz que cala

É pedra
A palavra é dura
A voz é muda
O sentimento é passado

Não tem sentido
Olhar para o que nunca existiu
Nem se permitiu
Nascer

Era torto
Era forte
Era manso
Virou tempestade

Coração em desordem
Batendo descompassado
Era ontem, é agora
Nada volta para o mesmo lugar

Está cego
Sente demais o peso de tudo
Tenta extravazar, mas explode
É uma maré intensa, quase sempre.

Algumas flores na ccabeça
Nas mãos correntes
Elas pesam algumas toneladas
São tantas dúvidas em seu Coração-Desordem.

Sente o calor
O sangue explodindo
Somos filhos do Sol
Algumas flores nas mãos, uma corrente no pescoço.

É tarde agora.
Mas é tempo
De uma nova ordem
O Sol nasce outra vez... posso tocar o céu!



sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Raios de Concreto

O céu recortado
Por pontas de concreto armado
Telhados diagonais
Espelhos que refletem o sol e as nuvens

Corta o tempo
O vento
Meu coração
Quando olho para o céu

Vejo o infinito
Ele está povoado
De cortes arquitetônicos
Raios de concreto, aço, espelho...

Tudo distorcido
Ferro retorcido
Meu coração destroçado
Tudo sendo assado num forno infernal

Não consigo imaginar
O céu estando limpo
Nenhum reflexo
Raios de Concreto.


Edifício Montalvão

Edifício Montalvão.
Rua Barão de Limeira, 470.

Lembranças de um lugar
Que nunca foi meu
Onde nunca morei
Nem ao menos vivi, um dia qualquer

Uma vez, passei por ti
Registrei o momento
Numa foto
Constrangido com o tempo.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Mergulhado em dúvidas
O mar não está para peixe
Ondas devastam tudo por dentro
Por fora, por todos os lados

Mas está tudo bem
Está tudo bem
Já é tarde, olhando por do sol
Tudo vai bem, venha, pode vir

                        se eu te beijar, tu vai querer me beijar e eu vou querer te beijar e vamos nos beijar sem parar de beijar nunca mais...

Não é minha vida

Isso não é minha vida
É só diversão sem saber o sentido
Não tem sentido
Nunca sentiu

É um sonho, sem sonho qualquer
A última flor do meu momento
É um veneno
Que vem duas vezes, vejo cores díspares

Eu faria tudo por você
No escuro
Eu faria tudo por você
Em qualquer momento

Mas não tem sentido
A dúvida quebrou o encanto
A magia, se existia, se dissipou
Virou poeira... desapareceu.

Isso não é minha vida
Não é nada do que eu acredito
Pelo meu silêncio, eu não deveria ter dito
Quando calei, era tarde

É um pensamento
Que vem como uma onda e arrasta
A maré que sobe e que desce aqui dentro
Vai lavando tudo, no contrafluxo, continuo remando

Remar sozinho não faz sentido
Não tem, é nosense
Tudo bem, nunca houve uma ligação, não era real
Mesmo assim, não tem nexo... abrir os olhos e sentir.

É tudo.



Estrelas que se apagam, mas brilham eternamente.

Sim, nossos ídolos estão morrendo. Sim, a culpa não é das estrelas. Sim, o tempo ceifa tudo, é cruel, é desalmado, não tem pressa e tem toda a pressa do mundo. O tempo leva e lava as coisas, desbota memórias, alveja pensamentos, clareia sentimentos, alaga a alma.

O tempo chega para todos. Vai chegar para mim e para você! Hoje o tempo chegou para um dos grandes ídolos de minha geração. Um ídolo, um ícone, um ser único, inimitável: David Bowie.

Não vamos culpar o tempo. Ele não sabe que existe. Não sabe em que ano está, porque ele mesmo já foi mutilado tantas e tantas vezes. O ano pouco importa, a hora é que importa. David Bowie se foi, mas deixou em nossos corações todo o amor de sua música, toda a mensagem embutida em suas roupas, suas "fantasias" estelares com as quais ele desfilava pelo mundo. Muitos dizem que Bowie não era desse mundo, que era um visionário, um alienígena, um ser de outro planeta. E ele era! Era fora do comum desse planeta quadrado e careta, cheio de manias e de preconceitos idiotas. Bowie se foi daqui, mas nunca de nossos corações e muito menos de nossa mente. Em nossa mente ele sempre terá seu trono reservado e garantido, no qual estará elegantemente trajado, como o grande artista que sempre foi e será.

Em um de seus últimos videoclipes, "Lazarus" (que foi lançado no dia 07 de janeiro de 2016), Bowie parecia pré-anunciar a sua vindoura morte, a sua passagem, ele estava pronto. Estava deitado na barca, com os olhos vendados, duas moedas grudadas nas gazes que cobriam seus olhos, o corpo já frágil, a mente e o coração NUNCA!

Até breve, Mestre!

Lazarus
David Bowie

Look up here, I'm in heaven
I've got scars that can't be seen
I've got drama, can't be stolen
Everybody knows me now

Look up here, man, I'm in danger
I've got nothing left to lose
I'm so high it makes my brain whirl
Dropped my cell phone down below
Ain't that just like me?

By the time I got to New York
I was living like a king
Then I used up all my money
I was looking for your ass
This way or no way
You know, I'll be free
Just like that bluebird
Now ain't that just like me?
Oh I'll be free
Just like that bluebird
Oh I'll be free
Ain't that just like me?

O Tempo

Não fiz tudo que podia
Nem metade
Nem nada
O tempo me consumiu no meio de tudo

O chão que fui perdendo
A cama que armei para deitar
Ninguém me ligava
Ninguém chegava

O tempo consumiu tudo
Caminhando sempre para frente
Passos de cavalo
Se voltasse não seria tempo, seria ilusão.

Teus olhos,
Por que eles fugiam de mim?
Tua fala era mansa
Me dizia coisas que queria ouvir

Nem sabia se era ouro
Mas acreditava que podia ser
De tanto que acreditei, pulei no escuro
Mas o tempo veio e consumiu tudo.


Analogia da Pedra

Não há nada de concreto na vida
Concreto é apenas concreto
A palavra é pedra
Quando pesa, fica estagnada
A vida é como uma nuvem
Vai passando, se transformando com o tempo, com o vento.
É fluída, mutante e nada concreta
A palavra é pedra.
E quando pesa
Enterra.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Yoga

Pensamentos como nuvens no céu
deixar que eles passem
se transformem
e tomem seu lugar

Se o pensamento persistir, apenas diga:
Isso não!
Agora Não!
Quero estar no Presente.


sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

toc toc toc

Toc Toc Toc
Sou eu batendo
Chamando teu coração
Para pulsar aqui, junto do meu

Faz dias que tento
Que bato na sua porta
Mas tudo está trancado
Parece que você nunca está

Toda semana, eu volto
E bato de novo
Toc Toc Toc
Um dia você abre

Prefiro persistir
Mesmo que distante
Eu sinto, insisto no toque
Tudo que quero é que você abra essa porta

E sorria.
Vou sorrir Também.
Meu abraço vai ser tão imenso
Que vai caber você e o mundo inteiro nele.

Vamos juntar nossos sorrisos?
Faz dias que bato na sua porta
Por que você não abre?
Tem alguém além de você aí dentro?

Toc Toc Toc
Vou parar de insistir
Desistir
Talvez eu nunca mais volte

Mesmo assim,
Um dia, ou noite
Você vai ouvir, pode ser tarde
Mas vai ouvir, aquele Toc Toc Toc

Se repetindo
Ecoando...
Por que não abre?
Por que não deixa eu apenas entrar, como uma brisa.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Pedra

Rasga o tempo
Cheio de falas sem sentido
Tem sentido bastante
Os últimos dias foram muitos difíceis

Há um peso absurdo em suas costas
Sabe disso, mas pouco se importa
Seguir é sempre o melhor remédio
Mas nem sempre ele toma

A palavra doeu
Tantas vozes sem sentido falando na sua cabeça
Não quer saber de nada
Prefere o silêncio

Mas como fala importa
Palavra é pedra
E pesa.
Ponto final.

Sentidos

Meu sexto sentido nunca erra
Eu posso errar bastante
Pecar por excesso
Ser o avesso do regresso

Mas meu sentido percebe
Sente as coisas
Pesa quando não deve
Mas sempre acerta

Tenho sentido bastante
Lembro daquela noite
Quando você disse que eu podia fazer tudo
E eu simplesmente não fiz

Quando percebi
Os sinais que me deu, já era tarde
Me dei conta de tudo
E juntei peça por peça

Desse quebra-cabeça que eu mesmo inventei
Percebi tarde demais
Mas mesmo que tivesse percebido cedo
Já seria tarde demais.

Já não faz mais sentido
Tudo o que sinto, eu minto
Melhor que não sinta nada
E encontre os sentidos que perdi

domingo, 27 de novembro de 2016

Respirar

Nenhum sinal
De nada restou um pedaço qualquer
Migalhas, restos, sobras, vestígios
Muito pouco, quase nada.

Era um brilhante falso
Aquele sol, naquele dia
Nossos corpos nus
Embaraçando uns nos outros

Gritando para os vizinhos
Cantando ao acordar
Pensando, fazendo planos
Tudo em vão.

Areia movediça
Terreno insólito
Vazio
Etéreo.

O ar que perdi
Não valia
Não tinha sentido
Mas agora senti.

E doeu
Respirar.

VOA

Me sentia muito familiar com aquela sensação
Era cedo ainda, mas já estava arrumando sua cama
Dentro de si, tudo desmoronando
Mas por fora, um Sol imenso se abrindo

Era cedo, mas já estava tarde
O tempo é estranho às vezes
Ele engana
Por que eu desconfiei de você?

Não posso brigar
Contra tudo o que senti
E ainda sinto
Aqui dentro, meu peito sangra em dúvidas

Conto as horas
Todas elas contam
Me contam segredos
Coisas que nem quero ouvir, ou saber.

Seria diferente se eu tivesse dito: Voa!


ANALOGIA DO GRILO

Não grilo, bicho.
Pode ventar como for
A lua pode sorrir com sua cor de prata
Até não restar nada

Eu não ligo
Não me importo
Nunca me importei
Não é agora que vou me importar

Eu imploro,
mas não ligo.
Nem grilo
O bicho mesmo, mora?

Onde mora o grilo?
Não sei, mas aqui não mora.
É sempre a mesma coisa
O pensamento se perde toda madrugada.

Manhã, logo cedo.

Não sabia o que pensar
Depois daquele furacão
O que aconteceu naquela manhã
Aquela voz ecoando na minha cabeça

Aquele olho louco,
Me encarando, me querendo
Desmoronando meus pensamentos
Minhas cartas perdidas sob a mesa

Era cedo ainda,
Sua cama estava toda desbotada
Se perdeu, profundamente.
Sentiu o regojizo bem fundo

Sentia sono, era um cansaço do mundo
Ainda não tinha esquecido
Seu antigo amor
Mas seguia tentado com todo ardor

Sobreviver
Depois do furacão que passou
Tudo ficou desmoronado
O corpo inteiro bagunçado

O pensamento ainda insistia
Em voltar no tempo
Mas, no fundo sabia, que só olhando para frente
Poderia revisitar o passado.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Analogia da Gaiola

Era tarde, aquela noite
Ele sabia
Havia algo de muito estranho no ar, pairando
Mesmo assim insistiu, e foi.

Na rua, andando perdido, encontrou uma Gaiola
Vazia, intacta, jogada numa caçamba de lixo
Ela dizia baixinho: Me Leva! Esquece o resto, me leva!
Olhou para ela, fitou-a com amor, fez planos.

Imaginou luzes coloridas
Em seu interior, um corpo cheio de plantas suculentas
Imaginou um grande cactus bem ao centro
Imagens mortas.

O pensamento se esvaiu, perdeu-se no tempo
Sumiu feito uma fumaça miúda e etérea
Assim, como o que pensava ser algo parecido
Com amor.

Mas era demais
Demasiado de tanto amor, confuso
A chama estava acesa, mas queimava por todos os lados
A Gaiola estava ali, falando, murmurando pequenos desejos

Podia ter ouvido
Mas não ouviu, preferiu seguir
E se perder
Em meio a tantos tropeços, soluços, olhares vazios

Podia ter levado ela
A Gaiola
Ela pedia
Murmurava

Não ouviu
Se perdeu
O tempo agora é seu único amigo
Amante incondicional.

A Gaiola estava lá
Solta.
O sentimento dele agora estava assim
Perdido, preso, derretendo...

Não Ouviu
Ela murmurou
Ela implorou
Ela disse SIM.

Não ouviu
Perdeu
O tempo
Agora é amigo.

sábado, 12 de novembro de 2016

Fio de Cabelo

Ela foi embora
Mas deixou um fio de cabelo
E agora, olho para ele
E lembro de tudo

Cada beijo quente
Cada desejo
Toda troca que tivemos
Tantos olhares escondidos

Aquele fio de cabelo
Agora é tudo que restou
Meu desejo também ficou
Mas ela partiu

Se vai voltar algum dia
Não sei, o tempo sabe
Mas ele que é sábio
Ainda não disse nada

Preferiu o silêncio
Me deixou mudo também
Me fez pensar em tudo e querer sumir
Ao invés disso, resolvi mudar

Cada pedaço
Cada inconstância
Cada erro, pequeno vacilo
Quem sabe ela volte algum dia

E eu tenha a chance
De me me refazer, de corrigir meu vacilo
Que eu possa estar
Feliz, calmo, radiante

E dormir um sono tranquilo

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Tempo

Naquela manhã, quando acordou
Era tarde.
Tarde demais para sentir
O tempo tinha atropelado tudo, lentamente.

O coração corroído
Solto em pequenos pedaços
Desfacelado
Desfarelado

Estava perdido
Num canto qualquer
Esperando
O tempo passar.

sábado, 24 de setembro de 2016

Teu Seio

Aquele seio,
Largo
Branco com uma nuven densa e macia
Colo macio... suculento.

Vontade de beijar
Eternamente
Vontade de sentir
O Coração batendo sem sentido.

O arcabouço perfeito
A armadilha concreta
O amor como uma pedra
Tão bonito, quanto verdadeiro.

É tarde,
Logo vai amanhecer
Posso errar outra vez
Mas pretendo acertar dessa vez.

A última vez que te vi
Fiquei mudo por horas a fio
Senti um frio absurdo
Meu corpo inteiro estremeceu.

É um sonho largo, macio.
Teu seio
Que não sai da minha cabeça.
Sentimento tardio.




Cotidiano

Faz tempo,
Eu queria uma mensagem de você
Um sinal qualquer
Que se importasse

Ou demonstrasse entusiasmo
Como hoje!
Aconteceu,
Assim do nada.

Achei tão lindo
Me mostrou o que acho mais bonito em você
O teu colo, teu peito aberto
Me falou Sobre Amor e Pedras

(fez eu sentir uma coisa estranha)

Me chama outra vez
Estou pronto para mergulhar
Agora estou fácil para decifrar
Quase não tem mais segredo

Tem apenas desejo
Tem um sentimento profundo de perda
Do tempo, do instinto, do assunto
É tarde, eu sei, mas ainda pode dar tempo de chegar antes do trem partir outra vez.

Você ouve os barulhos?
São como sinos
Eles no guiam, nos chamam
Consegue ver a luz... agora parece que tem um horizonte!

(como se as luzes brilhassem de novo)

Esse é um pensamento sobre o amor
As pedras, deixamos pelo caminho
Sorria.
Quero fotografar esse momento.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Dúvidas

Tempestade explodido lá fora
Dentro da minha cabeça raios explodem
Trovões e relâmpagos iluminando tudo por dentro
Incendiando cada fragmento do meu imo

Um caos profundo de pensamentos
Desviando minha atenção
Consumindo meu tempo
Explodindo meu corpo por dentro

Pulsação descompasada
Cabeça cheia de dúvidas
Os mesmos medos
Melhor encarar tudo de frente

Monstros que criamos para nos devorar
Um pedacinho de cada vez
Tantas fraquezas, levantar a cabeça
E seguir, enfrentando as oscilações de tudo o que sentimos por dentro

Como cabe tudo isso?
Como faz para apagar um pensamento?
Se fechar os olhos, vou lembrar de tudo
De longe, era tudo tão lindo

Mas de perto, nem tanto.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

divagações sobre a vida

Eu sei que não sou capaz, mas insisto
E continuo errando
E fugindo
É duro, mas é tudo o que me resta

Pela fresta da janela
Observo vidas alheias a minha vida
Todas parecem ter algum sentido
Menos a minha

Elas também devem achar o mesmo a meu respeito
Está tudo tão confuso agora
Me sinto desabitado desse mundo
Completamente desabilitado para lidar com esse mundo

Igual a mim, quantas pessoas estão perdidas?
Buscando respostas que não existem
Por que complicamos tudo tanto assim?
É sempre tão difícil seguir.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Me Beije de Manhã

Me Beije de manhã
E vá embora
Enquanto acendo meu cigarro
E tomo um café amargo

Novamente, de novo
Isso está me matando
O seu hálito, seu hábito estranho
Isso me mata aos poucos

Você podia me deixar completamente mudo
Não quero saber
Como foi o seu dia
Quando nós fomos amantes?

Novamente, de novo
Isso está me matando
Saber dos teus segredos
Tentar esconder meus defeitos

Me beije de manhã
E, em silêncio, vista suas roupas
Abra a porta
E não volte nunca mais.


English Version:

Kiss me in the morning
And go away
While I light my cigarette
And I take a bitter cup of coffee

Again, again
This is killing me
His breath, his strange habit
It kills me slowly

You can leave me completely speechless
I don't want to know
How was your day.
When we were lovers?

Again, again
This is killing me
Knowing of your secrets
Trying to hide my faults

Kiss me in the morning
And in silence, put on your clothes
Open the door
And never come back.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

A Minha (Quase) Morte

Nada na vida pode descrever o que senti naquela noite.

Estava no meio da sala, sentado numa cadeira de praia (depois explico porque tenho uma cadeira de praia na sala), quando do nada entram dois caras pela cozinha, empunhando 02 facas, caminhando em minha direção. Uma pontiaguda e outra de serra, ao olhar para as facas com mais precisão, notei que eram "as minhas facas"!! Sim, eles haviam pego na minha cozinha, enquanto estavam entrando e vindo em minha direção. Foi tudo muito rápido. Não entendi absolutamente nada do que estava acontecendo, senti meu corpo inteiro entrando em choque, num tremor absurdo e sem controle. Eu só tremia. Depois formigava. E pensava que não queria morrer. Pensava nisso e em muitas outras coisas ao mesmo tempo, algumas viagens alucinantes e alguns pensamentos altamente bizarros cruzaram minha cabeça em fração de segundos. Flashs absurdos espocavam diante da minha vista. Não me atrevi, em momento algum, a olhar para eles dentro do olho, para a face deles ou qualquer coisa do tipo. Um deles disse:

- Abra a porta!

Isso me paralisou mais ainda. Como assim "Abra a porta!"??? Não vão me roubar? Não vão me matar? Nada? O maior era negro, vestia um casaco azul marinho, não lembro se vestia calças ou usava bermuda, tudo se apagava diante dos meus olhos, fiz questão de anestesiar aquele momento/pensamento/sentimento, antes que eu mesmo me anestesiasse ou fosse anestesiado por eles. O outro era baixo, parecia familiar, apesar de eu nunca ter visto ele possivelmente em lugar nenhum. Que troço mais doido pensar nisso agora, assim. Distante. Na hora foi tudo tão rápido, parecia um filme, mas era real, e estava acontecendo comigo. Eu podia ter morrido esfaqueado pelas minhas próprias facas, que final mais Humor Negro. Algo muito pior poderia ter acontecido. Não sei, é muito difícil imaginar ou prever isso agora.

Enfim... do nada, pediram para eu abrir a porta. Simplesmente isso, queriam fugir, creio eu (ou estavam fugindo). Não fizeram absolutamente nada comigo, mas isso de forma alguma diminuiu o pavor que senti ao ver dois homens totalmente desconhecidos, empunhando facas em meu corredor, me pedindo para abrir a porta. Eu ouvia, mas parecia surdo. Eu tentava fazer o que eles me pediam, mas meu corpo não respondia minha mente. Que sensação mais estranha. Saber que você está na corda bamba, há um passo muito tênue do desfiladeiro, entre a vida e a morte.

Agora são cinco da manhã. Isso aconteceu por volta das 21h30. Não consigo dormir, meu corpo ainda não se acalmou. Ainda treme, minh'alma está estremida por tabela, é um misto de sentimentos confusos que tomam conta de mim. O sono, o medo, algumas fraquezas, temores, arrepios, olhares furtivos para o nada, a busca do vazio, o vazio completo, barulhos, flashes que se repetem quando fecho os olhos. Tudo muito surreal.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Sinto Um Cavalo

Sinto um cavalo
Cavalgando dentro do meu peito
Em círculos
Um trote intenso

Sinto um calor
Um topo de montanha
Se abrindo em minha testa
Ouço o chiado do deserto

Estou cercado de nada
Por todos os lados
por todos os poros
Estou povoado de medo e nada

Me sinto como uma cobra velha
trocando de pele pela milésima vez
Lamento chiado irritante
É uma sensação muito estranha

Parece familiar, falando no meu ouvido
Coisas que devo sentir (ou fazer)
Sinto meu peito explodindo
Um cavalo querendo saltar.

Fim do Ciclo.

Sinto Um Cavalo

Sinto um cavalo
Cavalgando dentro do meu peito
Em círculos
Um trote intenso

Sinto um calor
Um topo de montanha
Se abrindo em minha testa
Ouço o chiado do deserto

Estou cercado de nada
Por todos os lados
por todos os poros
Estou povoado de medo e nada

Me sinto como uma cobra velha
Sendo enganada pela milésima vez
Pelo chiado irritante
Daquela música estranha

Parece familiar, falando no meu ouvido
Coisas que devo sentir (ou fazer)
Sinto meu peito explodindo
Um cavalo querendo saltar.

Fim do Ciclo.

Devaneios - parte 2

Já é noite outra vez
Os dias passando tão rápido
O tempo é cruel
Quanto mais se tenta controlar, mais ele te consome.

A vida é uma Esfinge
Nunca conseguiremos decifrar
Seria o grande segredo
Apenas seguir?

Sempre tento mirar o céu
Sou do Ar
É lá que me sinto bem
Mesmo nutrindo um grande temor por alturas

Palavras soltas ao vento
Barulhos... dentro da minha cabeça (fora dela também)
Um mantra ao contrário
O lado do disco que acabou e ficou repetindo: pum... pum... pum... pum... pum.

Já é noite outra vez, mas também já é dia
Basta virar o lado do disco
E a música continua
O tempo não pára, ele é cruel.

Essa mente cheia de segredos
São tantos que se confundem, nunca se concluem
Sinto que não sei mesmo de nada e apenas vou indo
A vida se encarrega de ir me levando adiante.

Eu posso tentar
Conquistar outros mundos
Mas eu teria que colocar um sorriso em minhas veias
E estou muito triste para sorrir tão intenso

Eu sei que eu tenho a mim
É uma grande decisão
Todo dia, podemos tentar de novo
E se nada acontecer, podemos continuar tentando

Encontrar aquele sorriso perdido
A mente confusa de sempre
A estrada que não leva a lugar nenhum
Tomara que apareça um túnel. Adoro túneis!!!

Podia tomar um agora
E me perder no tempo.
Um túnel do tempo.
Me perder.

She Moves

If she moves
I love her
When she wakes up
I thank God, and I love her more!

When you mess your hair
I love you!
I love you!
I love you!

She says something
My heart explodes
A huge sun lights
I feel she are shining

I feel the warmth of his body
because I love
This is a fact
Inevitable.

The day gets dark
after dawns
And I still love
The world moves, I move with love for her.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Criar expectativas

Criar expectativas

Criar a expectativa

Criar as expectativas

Para quê criar expectativas?

Esperar, sustentar, esmorecer...

CANSEI

Cansei de você
De tudo.
Desse sorriso falso.
Dente falso sorrindo.

Esse abraço sem braço
Desmembrado
Sem nexo
Nem o mínimo de afago

Cansei desse jeito sonso
De tudo que restou
Lembro apenas do sono
Que tive quando ouvi teu discurso

Cansei do teu discurso
Ele não dizia nada
Era cinema-mudo sem imagens
Era vazio como o escuro

Me cansei de tudo
Inclusive das tuas mentiras deslavadas
Dessas que se acumulam
Beirando, enchendo as margens

Estou à margem
Sempre estive
Nunca deixei de estar
E agora, me sinto, afundando

Logo eu, que sonhava em voar
Mas cortaram minhas asas
Mas que asas?
Eu nunca tive asas

Eu nunca soube
Nunca saberei
Nem tentarei mais
Voar.


quinta-feira, 24 de março de 2016

Verde-Musgo

Verde-Musgo
Muro
de Mim
Eu Juro

todo esse musgo
que se agarra em mim
constrói meus muros
mais verde-escuros

Musgo
Solitário
Preso
No muro.

O sol bateu
A onda bateu
A lua bateu
Só você, ainda não bateu.

Silêncio profundo.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Zumbi de Si

Meus dias arrastam correntes
Faz dias que sinto o corpo pesando
Minha alma oprimida
Por toneladas de desassossegos

Sinto morcegos rondando
Sob minha cabeça
Tento proteger meu pescoço
Salvar minha pele

Mas sinto a fraqueza
Tomando conta
Me sinto zumbi de mim mesmo
Andando sem rumo, arrastando correntes.