terça-feira, 22 de novembro de 2016

Analogia da Gaiola

Era tarde, aquela noite
Ele sabia
Havia algo de muito estranho no ar, pairando
Mesmo assim insistiu, e foi.

Na rua, andando perdido, encontrou uma Gaiola
Vazia, intacta, jogada numa caçamba de lixo
Ela dizia baixinho: Me Leva! Esquece o resto, me leva!
Olhou para ela, fitou-a com amor, fez planos.

Imaginou luzes coloridas
Em seu interior, um corpo cheio de plantas suculentas
Imaginou um grande cactus bem ao centro
Imagens mortas.

O pensamento se esvaiu, perdeu-se no tempo
Sumiu feito uma fumaça miúda e etérea
Assim, como o que pensava ser algo parecido
Com amor.

Mas era demais
Demasiado de tanto amor, confuso
A chama estava acesa, mas queimava por todos os lados
A Gaiola estava ali, falando, murmurando pequenos desejos

Podia ter ouvido
Mas não ouviu, preferiu seguir
E se perder
Em meio a tantos tropeços, soluços, olhares vazios

Podia ter levado ela
A Gaiola
Ela pedia
Murmurava

Não ouviu
Se perdeu
O tempo agora é seu único amigo
Amante incondicional.

A Gaiola estava lá
Solta.
O sentimento dele agora estava assim
Perdido, preso, derretendo...

Não Ouviu
Ela murmurou
Ela implorou
Ela disse SIM.

Não ouviu
Perdeu
O tempo
Agora é amigo.

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