terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

O COITO


Os corpos estavam grudados um ao outro. O suor impelia por toda a pele, um frescor confuso, uma mistura de tudo, todo o tipo de energia. Fazia muito calor naquela noite, a lua cheia se formava e desaparecia por trás de nuvens volumosas que cobriam o céu da cidade. Encovado em seus pensamento, lembrava do que ela havia lhe dito – que seu olhar enquanto metia na sua boceta molhada era ameaçador, brutal, algo selvagem. E que ela gostava disso. Gostava de se sentir dominada, mas também se interessava por dominar algumas vezes. Esse tipo de pensamento sempre era recorrente para ele. Imagens absurdas se formavam diante de seus olhos, imaginava bocetas. Das mais diversas formas e cores e peles e texturas e fetiches alucinados que não teriam sentido em outra mente, que não a mente pervertida de Pedro Leão, nosso herói selvagem. Elas piscavam diante dos teus olhos, como letreiros imaginários com luzes piscando sem parar. Em big close.

Sentado a beira da cama, o corpo curvo e nu, Pedro acende um cigarro a contragosto de sua parceira que, ainda sedenta por sua rôla, clama por mais sexo, mais metidas fortes e unhas nas costas. Calma garota, isso ele vai dar logo mais, daqui a pouco. O cigarro é apenas uma forma de relaxar seus membros, para depois enrijece-los novamente. É um jogo, e todo jogo precisa de tática, a tática nesse caso, é o cigarro depois do coito para secar o suor do corpo. Nesse momento, outro pensamento repentino invade a mente de Pedro. É um frescor infantil, algo que lhe faz voltar súbito 30 anos ou mais, ele se sente assim toda vez que sente o cheiro de pitanga. E de frente para seu prédio, há dois pés de pitangas que nesse exato momento estão abarrotados de frutinhos maduros, exalando um cheiro doce e saudoso. Ele fantasia que tem de novo oito, sete anos. Chora. Chora copiosamente, sem saber o motivo daquilo, enquanto traga fortemente seu Marlboro Red, jogando a fumaça em círculos nervosos em direção ao único feixo de luz que penetra o quarto escuro, vindo de um poste posicionado do outro lado da rua. Na cama, sua parceira geme leve, sussurra algo, chama seu nome. Ele está distante. Não houve, ou não quer ouvir, se faz de surdo e continua remoendo suas lembranças. Se enrola na sua própria teia, se sente perdido, respira fundo, olha para o corpo nu deitado na cama, saliva. Mexe no pau por entre a cueca de algodão, mexe nos testículos, na glande, busca entumecer o seu membro, antes de cair de vez em cima daquele corpo nu e penetra-lo com voracidade. Antes disso, caminha até seu mac, toca no touch pad e desliza os dedos à procura de alguma canção que lhe agrade, acha alguns discos do Tindersticks e acha pertinente para aquele momento pré-coito. Coloca uma faixa, “No More Affairs”, se convence de que ela pode ser o prenúncio para algo, coisa que ele nem sabe o que é, mas que lá no fundo já sente, sem saber. Volta os olhos pelo quarto, em rodopio lento, frame a frame. Até estacionar em direção da cama, em cima dela, sua parceira mexe a boceta com a ponta dos dedos, abrindo e fechando, abrindo e fechando. Pedro suspira. Um suspiro leve e seco, pensa na sua mãe, se emociona. O pau dá sinais de querer ficar alterado, ele se contenta com isso, pensa em algo podre e sujo, tenta se concentrar naquela boceta lasciva se mexendo na sua frente. Grita. Um grito profundo e aberto, quase um uivo e mergulha com ardor naquele corpo nu, sua pele queima, borbulha em suor e tesão. Ele nem pensa em preliminares, quer apenas achar o buraco daquela boceta e meter nele, com força, com bastante força. Pensa que vai gozar assim que meter, então retém a glande do seu pau perto da vulva, um pouco abaixo do clitóris, excitando sua parceira, que geme leve. Vai penetrando devagar, devagar, até enfiar o pau por inteiro na caverna úmida e macia da xoxota excitada de sua amante. Os movimentos começam fortes, mas tranquilos, aos poucos vai acelerando o ritmo, falando obscenidades ao pé da orelha da orelha dela, chamando-a de “vadia”, “puta safada”, “minha piranha”, “gostosa”, “tesuda”, “putinha”, “ninfeta vadia”, o repertório é extenso e a cada estocada dentro daquela boceta úmida, uma nova obscenidade lhe escapa pelos lábios:
- Vaca safada! Gostosa... isso, abre essas pernas mais, quero meter meu pau nessa boceta molhadinha, sua putinha tesuda. – ele fala, quase gemendo, quase chorando.

          Sedenta por mais sexo, sua amante concorda com tudo, e se deixa levar pelo joguinho erótico de Pedro. A essa altura, se sentindo um lobo voraz, ele escala o corpo suado da sua parceira e penetra com cada vez mais força, até que ela solta um gemido seco e ele acelera o passo, pronto para ejacular dentro da cova irrigada e pulsante que se transformou aquela boceta suadinha e cheia de corrimentos vaginais. Ele gosta de pensar em secreção vaginal, isso o excita. É nessa hora que ele não consegue mais conter seu ímpeto e jorra num gozo violento misturado com um grito primal, sua testa franze, seus olhos se contorcem, os braços e as pernas tremem levemente, seu corpo tem leves espasmos, ele goza profundamente.

Deitado. Nu. Consciente. Mente vagando, quase ali, quase distante. Pedro passa a mão pelo pau e arranca a camisinha, dá um nó rápido, como quem golpeia os cadarços dos sapatos e a joga de lado. Olha penetrando no olhar de sua parceira e não precisa dizer nada. Seu corpo falou por si. Seu pau lhe representou. Foi profundo. Foi duro. Penetrante. Levanta da cama, ainda nu, caminha lentamente pelo quarto em direção da porta, abre lentamente, olha para o céu pipocado de estrelas, pensa no coito. Foi bom. Suspira fundo. Olha de novo para as estrelas, procura alguma constelação, não acha nenhuma e se contenta com as Três Marias. Desde criança, sempre foi cercado de mulheres, talvez por isso sua tara por bocetas. Talvez por isso, sempre chore quando lembra de sua mãe, ou sente o cheiro de pitanga. Na cama, sua parceira dorme tranquila e farta. Ele olha de novo para o céu negro, com pequenas pintas brancas, pensa consigo:


- E se eu me masturbasse agora?

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