Poema de Boa Noite
E se meu grito em ti ecoar como discórdia
Perdão, estava apenas tentado dizer
O quanto sinto, ou imagino que posso viver
Sempre à sombra de alguma glória.
Mesmo sonhando, eu tenho que ir
porque a estrada não termina agora
com o amanhecer vem a hora de partir
e eu preso na confusão de cores da tua aurora
Imaginando castelos tortos
Um banquete à ceu aberto cheio de porcos
Todos sentados à mesa vomitando ossos
E a platéia, absorta, engolindo sua pipoca fria.
Ainda me resta o prazer do gôzo perdido
acelerando o coração do bandido
atropelando o fôlego dos velhinhos calmos na calçada
eu que sou fogo, e sou pedra... sou faca amolada.
Meu sangue no olho ainda queima
é um ardor profundo, enche meu peito
eu grito, mas é sempre a mesma teima
nada do que acontece comigo me diz respeito.
Cabelos crescem onde não deveriam crescer
eu já não sou mais aquele que um dia quis ser
perdido entre ilusões e medalhas imaginárias
me resta o espelho da tua memória.
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