domingo, 23 de outubro de 2011

Cante Para Mim

Cante para mim
Inunde meus ouvidos
Com o doce da tua voz
O mel do qual quero me lambuzar

Conte para mim
Algum segredo (entranha)
Alguma coisa boa
Ou tosca, qualquer coisa.

Confie em mim
Não posso causar nenhum mal
A não ser
Que você não seja normal

Conte comigo
Mesmo que seja tarde
Mesmo que seja ontem
Mesmo que o tempo acabe

Quem sabe das horas?
Quem tem o relógio?
Quem lembra meu nome?
Tudo é passado, memória remota.

Um susto, um surto, delírio
Grito calado
A voz rouca
Poucas palavras

Silêncio!
Todos dormem.
Enquanto planejo
Tomar o mundo de assalto.

Revolução!
Todos de costas contra a parede!
As ordens são essas
Sou o ditador de mim mesmo.

A esmo
Procuro o fio da meada
Escondido por entre o que resta
Dos fios de meu cabelo

Que caem
Como eu
Sozinho,
Chorando nesse canto

Escuro
Vazio
Frio
Negro

Barulhos eletrônicos
Vozes de computador
Estômago metálico
Olhos de vidro

Barulho
Silêncio
Voz Muda
Voz falante

Um animal com sede
E fome
Louco perdido
O sono que chega e invade

Me sinto como o vento
Leve e solto
Invisível
Insensível

Penso em cortar meus pulsos
Tenho medo
Falta coragem
Para dizer não

Quero a dor
Coçar minhas costas
Quebrar meus ossos
Sob o sol quente do meio dia

Os pássaros cantando
As flores germinando
Os peixes nadando
E eu aqui, esmorecido.

Olhando estrelas
Contando os grãos de areia
Revisitando meu túmulo
Escondido e triste

Vou sumir
Antes que me encontrem
Ou me façam crer
Que estava errado

Quando quis fugir
E me perder
De tudo
Você também quis (mas teve medo)

Partiu.
Meu coração pensa que quer se reciclar
Me jogue na fogueira
Preciso queimar!

Conte meus ossos
Reparta meu cabelo ao meio
Sorria com todos os seus dentes falsos
Passe vaselina, depois enfie

Tudo que não quero
É estar assim, nesse sentimento
De querer o que não quero
O amor se torna um tormento

Vamos sumir
Antes que seja tarde
Antes que o sol se ponha
Antes que a lua chegue

Vamos fugir
Antes que seja paz
Antes que seja trégua
Antes que seja guerra

Quero a luz
Disseram que brilha
Dentro de mim, nada.
Ainda há trevas

Um buraco negro
Cósmico
Poeira cristalina
E rara

Estou com fome
E sede
De vingança
E muito mais

Agora é tarde
Meu corpo dói
Como sempre
Hora de dormir (e não durmo)

Acordar amanhã
Corpo todo suado
Olhos em vácuo
Começar tudo de novo

Mais uma vez
E de novo
E sempre
Há de ser assim?

Dor profunda
Que Insiste 
E Resiste 
E Acalma.

Mata.

Ar

Tudo sujo...
... Teus olhos
Minhas feridas
O chão que pisamos

Todo o ar que se respira
Tudo o que sufoca
O mal caminhando por dentro
Me sinto meio por fora

Vontade de cortar os cabelos
(mas eu já não tenho mais tantos cabelos)
sonho de acordar sorrindo, mesmo sozinho
Delírios profanos, vazios devaneios.

Parado nessa esquina, mirando a encruzilhada
Coço a testa
Dói
Antes sumissse, ou não tivesse sentido

Tudo... nada... noite... dia... passa.

Caixão

Quem sabe a dor
Os teus olhos azedos
O fel da tua língua
Aquele gosto amargo

É triste...
Como te percebo
Mesmo estando cego
Mesmo perdido em mim mesmo

Estou muito cansado
Meus olhos morreram
Me sinto meio cru
Meio azedo

E amargo
Podre, sujo
Velho, cheio de teias
E sozinho.

Poema de Boa Noite


E se meu grito em ti ecoar como discórdia
Perdão, estava apenas tentado dizer
O quanto sinto, ou imagino que posso viver
Sempre à sombra de alguma glória.

Mesmo sonhando, eu tenho que ir
porque a estrada não termina agora
com o amanhecer vem a hora de partir
e eu preso na confusão de cores da tua aurora

Imaginando castelos tortos
Um banquete à ceu aberto cheio de porcos
Todos sentados à mesa vomitando ossos
E a platéia, absorta, engolindo sua pipoca fria.

Ainda me resta o prazer do gôzo perdido
acelerando o coração do bandido
atropelando o fôlego dos velhinhos calmos na calçada
eu que sou fogo, e sou pedra... sou faca amolada.

Meu sangue no olho ainda queima
é um ardor profundo, enche meu peito
eu grito, mas é sempre a mesma teima
nada do que acontece comigo me diz respeito.

Cabelos crescem onde não deveriam crescer
eu já não sou mais aquele que um dia quis ser
perdido entre ilusões e medalhas imaginárias
me resta o espelho da tua memória.

sábado, 15 de outubro de 2011

my fears

your sun is fake
as the plastic flowers that grows
like smell that is lost through the air
I am not sure what to feel right now

look at the sky looking for the true sun
but I see nothing, I'm blind
my ears hear trumpets high
is like a song and calls me to climb

and I will, without fear
open chest, wings open
Ready to Fly
without fear of falling down.

my fears
are like children falling to the ground
are like angels losing its purity
crying like dirty human.

GROSSO

try to speak louder
but I do not hear
'm deaf whenever I want
hear a greater voice

I trust everything I think it's true
even though the error
is there by my side
smiling with his rotten teeth

spreads its wings
and attempts to hold me tight
I run like a scared child
try to smile, but I'm too upset

Shouts the loudest, I'm deaf now
my ears are dusty
Wax and full of a thick and dirty
I am also dirty, and very thick.

tenta falar mais alto
mas eu nem ouço
fico surdo toda vez que quero
ouvir uma voz maior

confio em tudo o que penso que é verdade
mesmo sabendo que o erro
está ali, do meu lado
sorrindo com seus dentes podres

abre suas asas
e tenta me abraçar forte
eu fujo como uma criança com medo
tento sorrir, mas fico aflito demais

grita mais alto, estou surdo agora
meus ouvidos estão empoeirados
cheios de uma cera bem grossa e suja
eu também estou sujo, e muito grosso.

BLACK HOLE

Yes, he's undead
And your eyes do not blink more
are like two stones paralyzed
There is a lot of noise from all sides

everything in it is confused
beats to trample and flee
and in the end, everything is gray
and the rainbow is just a bad dream in black and white

no no more smiles
no more hugs
or more arms
or teeth, or mouth, or body

all turned to stone
hard
dry
no palpitation.

the tear that falls is dry
the cry that comes out is dumb
not all the world's water would rehydrate that brain
already so tired and full of dust.

only webs and spiders
black tunnels, black holes
a huge economic
and concrete.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Grita meu nome
E depois
Verte em silêncio profundo
Como oceanos repletos de nada

A maré não está boa hoje.

domingo, 9 de outubro de 2011

LENTES DE CONTATO

Pedras no meu caminho
No meio é dor
Minha carne crua
Mostra a alma

Sinto muito/Sinto nada
Muito... muito... eu sinto
Minto
Não sinto nada

Eu grito... explico
Ninguém me ouve
Não vejo nada
Lentes de contato me separam

Quero tocar alguém 
Quero roubar uma alma
Quero acordar sorrindo
Quero o que me falta.
novembro, 99. Poesia original, que depois virou letra em parceria com o querido amigo Kléber Melo, e foi gravada por Patrícia Polayne, no seu disco de estréia "Circo Singular".

versão letra (Bruno Montalvão/Kléber Melo):

Pedras no meu caminho
No meio a dor
Minha carne crua
Mostra a alma

Sinto muito/Sinto nada
Muito... muito... eu sinto
Eu minto
Eu não sinto nada
Eu grito... explico
E ninguém me ouve
Eu não ouço nada
Lentes de contato me separam
E eu sinto muito

Quero tocar alguém 
Quero beijar uma alma
Quero acordar sorrindo
Quero o que me falta.

Bem Querer

Teu bem querer
Tomando forma no meu coração
O medo some.
Luzes coloridas piscam sobre você.
Iluminando teus olhos verdes.
Ou são castanhos?
Tudo é relativo.
O amor.
A dor.
Eu.
Você.
Quando some a voz
Colo meus ossos
Cuido dos meus calos e acordo.
Tentando esquecer
Que a cor dos teus pés é quase igual à tua pele.
Delírio, lírio, vivo a luz.
Sonho tua mão tocando meus cabelos.
Se ainda tivesse todos os meus sonhos antigos.
E cabelos.
Estou vermelho.
Doem os dentes.
Doem os nervos.
Doem e somem.
Tudo roda, e gira e volta
A girar e sumir
A tua mão
Já não me toca mais.

ESTRADA

Olho para a luz
Que te mostrei
Ontem sonhei
Que ainda era lindo

Perdido nessa estrada
Estreita e torta
Esperando alguém
Passar por mim

Olhei para o lado
Não toquei no teu corpo
Estava ali, era outro
Não consigo esquecer

Perdido entre a luz
Penumbra bêbada
Me encontro em você
Mesmo perdido e cego


Te vi no meu sonho
E acreditei.
Pouco depois percebi que sonhei.
Agora preciso ser forte.

Aracaju, 1999.

RIO DE MEMÓRIAS

São tantas lembranças.
Tantos lugares por onde passamos, que me perco.
Nadando contra a maré desse rio de memórias esquecidas 
E revisitadas

Eu tenho um coração!
Do que adianta.
Tê-lo ou não, tanto faz.
O mundo é cruel, pessoas são canibais camuflados.

Um coração só não basta
A fome é intensa e vai além
Precisa de outro coração
Precisa de outro, alguém

Gosto dos olhos de quem me confunde
Gosto do riso contido e do choro.

Contemplo as estrelas, sonhando ser Sol.
Me contento com meus defeitos.


Preciso limpar meu cérebro
Cheio de teias e memórias inúteis
Trocar minhas válvulas, repor minhas peças
E continuar no fluxo

Ora calmo e macio
Ora tenso e arredio
Todas as altas e baixas
Desse rio de memórias. 

sábado, 8 de outubro de 2011

DENTES

Só dores...
Pelo corpo escorre
A chama que apaga
 
Que chora

Não me conte
Tudo sumiu
Meus dentes caíram
Estou ficando mudo

Não consigo falar
O Quanto sou
Sofro e Morro.
Nada.


feita em Aracaju - dezembro, 1999.

FOME

Odeio quando não vejo
Quando não sinto
E não fedo
Só respiro

Continuo morrendo
E acordando
Em camas estranhas
De quartos escuros

E vazios
Como nós
Não como nada
Estou faminto

E morro de fome.

Aracaju, 11/03/98

Ponteiros Atrasam...

Chegamos atrasados,
O amor já foi.
Disse que não volta mais,
Sabe mentir.

Vou esperar
Calado e vibrante
Como um diamante
que já pode brilhar.

Ponteiros atrasam
Eu estava aqui
Quando você estava lá
Chegamos tarde demais

Vou calar
Entendendo paciente
Que o tempo acabou
E nós erramos a hora

Tudo é do jeito que a gente sente
Amor... arde... agora... é tarde!

VOCÊ

Tentei encontrar
Procurei que cansei
Não achei...
Coisa Alguma

Me sinto assim
Tão assim, qualquer forma
Qualquer modo
Sozinho, algo diferente?

Talvez amanhã
Nunca mais, porém
Sentirei teu odor
Ao passar por ti

E sem querer,
Tocar tua pele... tão linda!

Pitangas

vontade de comer pitangas! o cheiro, o sabor, a cor... saudades da pitangueira no quintal da casa de Dona Rita, minha vó, saudades de Dona Rita, Iolanda, Tânia, meu pai... minha mãe postiça, e tbm a verdadeira... saudades de todos os meus irmãos, da minha irmã... da Atalaia Nova, da casa de Guga, do beco de Guga, do Mangue, de melar o pé no mangue, de chupar caju tirado do pé por mim mesmo... saudade, é bom sentir!
o cheiro da pitanga me joga direto pro passado, mais de 30 anos atrás, os galhos onde me esquivava da hora do almoço, onde escondia meus sonhos, onde tinha os meus primeiros delírios, sonhos, devaneios, desejos de criança sem saber da vida, apenas vivendo o dia.

quanta saudade da queijadinha, do doce de compota, dos trapos de tecido que minha vó jogava no no chão, quando fazia suas famosas camisolas de frou-frou para as netinhas, para vender na loja ou para quem quer que pedisse ou precisasse. Saudades de Simão Dias, terra fria e quente, onde me criei, onde vivi minha infância, onde me escondi e me achei, onde me perdi e me procurei, onde me esqueci e me encontrei.
saudades da vida que já tive, saudades das vidas que já vivi, de todos os amigos e amigas que já estiveram comigo e de quem ganhei um abraço, um sorriso, um afago, um carinho, um desejo, um beijo, um cheiro, outro traço.

saudades... é bom sentir saudades!

AFASTE

Saia daqui!
Fuja de mim!
De meus pensamentos
Não quero mais sonhar

Suma bem longe!
Inverta outro amor!
Não quero sua dor,
Quero que se afaste.

More distante
De onde vou morar
Quero viver agora
Sem sentir saudade

Apenas saber que posso
Amar e ser feliz
Sem te ver sorrir
Nem querer

Não sabia que era verde
Pensei que pudesse ser madura
Afaste minha decepção
E suma!

15/11/99 - mas podia ser agora!