Quando mais jovem, sabia de tudo com mais facilidade. Era tenaz. O tempo, com o tempo parecia, enferrujava seu brilho colocando uma película de ferrugem fina, quase transparente. Diante de seus olhos. Em volta do seu corpo inteiro.
Era tarde, passava da meia-noite. Na parte central da sua cabeça, uma dor leve e caminhante lhe visitava, de vez em quando, vinha e passava, e deixava dúvidas na sua imaginação. O frasco de plástico de molho barbecue Hemmer estava no sofá, logo atrás da sua cabeça, fazia já uns três ou quatro dias. Todo dia, ele via essa embalagem, via e não mencionava nada para tirar ela do lugar onde estava estacionada, talvez esperando mofar de verdade. Sentia que às vezes o tempo parava. Tinha sempre uma vontade de acelerar os dias, de correr com as horas, de atropelar os minutos, pisotear os segundos, dilacerar os milésimos. Pela milésima vez pensou nisso. Que podia ser quântico, físico, ou um guru indiano. Que podia flutuar como antigamente, hoje se pegou falando disso com um amigo, perdido entre lembranças vazias de um passado cada vez mais distante. o Tempo. Esse, já não era mais o mesmo. Nem ele era mais o mesmo. Um passo a frente, e ele não era mais aquela pessoa, do último passo.
Era tarde, passava da meia-noite. Na parte central da sua cabeça, uma dor leve e caminhante lhe visitava, de vez em quando, vinha e passava, e deixava dúvidas na sua imaginação. O frasco de plástico de molho barbecue Hemmer estava no sofá, logo atrás da sua cabeça, fazia já uns três ou quatro dias. Todo dia, ele via essa embalagem, via e não mencionava nada para tirar ela do lugar onde estava estacionada, talvez esperando mofar de verdade. Sentia que às vezes o tempo parava. Tinha sempre uma vontade de acelerar os dias, de correr com as horas, de atropelar os minutos, pisotear os segundos, dilacerar os milésimos. Pela milésima vez pensou nisso. Que podia ser quântico, físico, ou um guru indiano. Que podia flutuar como antigamente, hoje se pegou falando disso com um amigo, perdido entre lembranças vazias de um passado cada vez mais distante. o Tempo. Esse, já não era mais o mesmo. Nem ele era mais o mesmo. Um passo a frente, e ele não era mais aquela pessoa, do último passo.
Lembrou repentinamente daquele dia, no samba. Tudo parecia tão diferente. As pessoas, o lugar onde estava, aquele sorriso infinitamente distante. Lembrou e quis esquecer, mesmo que com ternura. A vela ainda estava acesa. Até quando? Até onde ela iria queimar? Quantos dias? Meses? Ou anos ainda? Mais perguntas para sua coleção de não-respostas. Tudo para debaixo do tapete da sua inconsciência. Uma velha mania antiga nunca nos abandona. Pensa que é bom manter os pés no chão e o olhar sempre no horizonte, lembra de seu Pai lhe dizendo isso, talvez tenha lhe dito faça pouco tempo, por isso se lembra tão lucidamente. Ele que já foi tão louco, que buscou a loucura sob todas as formas, que viveu dentro dela e depois se regurgitou, se auto-vomitou, se expeliu de si próprio. Ele que já foi feto, já foi feito, já foi cego. Lembra agora daquele samba? Aquele que ele nunca cantou, nunca dançou, nunca sentiu, nem sambou. O vento bate leve no seu rosto, ele lembra da brisa quente da sua cidade, onde ele já foi alguém - hoje é apenas memória, uma vasta lembrança, ou sombra que vaga de vez em quando, em vôos rasantes e depois some no vento. Sem deixar nada, nem poeira. Suspira. Como faz todo dia, ou quase sempre. Não se sente só. Gosta da solitude, sorve a noite em pequenos goles. Pensa que pode terminar depois, ou que nem começou, porque ele boicotou ou não quis começar. É avesso a começos, e também a finais, principalmente os trágicos, mas adora os tropeços. Esses sim, são dignos de louvor. Os tropeços. Os soluços. Os medos do abismo.
É tarde. Hora de desligar a mente. Sumir por hoje, para voltar daqui a algumas horas. Paisagens de fim de noite, atormentam tudo que ele pensa. Queria esvaziar a mente. Melhor desligar por hoje, e voltar com a programação normal, daqui a algumas horas. Algumas horas. Nunca voltam. Melhor desligar por hoje. É tarde. Mente. Desliga. Volta em algumas horas. Paisagens de fim de noite ficam grudadas na retina. Desliga. Volta. Algumas horas.
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