Nos corredores do hospital
Vi pessoas amputadas, crianças enfermas, enfermeiras aflitas.
Passou bem do meu lado um senhor com o pescoço todo inchado
Parecia um Brotero mal-acabado.
Não conseguia respirar?
E o medo da contaminação?
Da irradiação, de tudo o que pudesse existir naquele ar
Não conseguia ver tudo, nem sabia o que respirava.
Medo de tocar nas coisas, medo de sentar
Medo de secreções, medo de estar ali
Medo, simplesmente, por existir
Queria fugir mil quilômetros até sumir.
Nos corredores,
Me esbarrei com uma criança com a cabeça deformada
Agradeci, por ter apenas deformações pequenas
Todas elas solucionáveis, me senti frágil.
Ergui a cabeça,
E chorei.
Me senti muito frágil.
Agradeci a Deus por não ser aquela criança, e rezei.
Imaginando que ela ainda sorria
Sorri junto
Por dentro estava feliz
Acenei, ela acenou para mim, sorri de novo.
Ela partiu, seu destino a esperava
Fiquei com o meu, destino.
E com meu medo
De estar vivo.
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