domingo, 30 de março de 2014

Táctil

    A mão trêmula. Ia subindo lentamente pelo seu corpo, tateando a pele macia de Suzanne. Seus dedos, um pouco porosos - pelo menos, ele achava isso - deslizavam pelas costas, pernas, braços, pescoço, percorrendo ela por inteiro. Cada curva de Suzanne. 

   Ele tinha tomado um ácido, e não sabia até onde isso poderia ser bom ou ruim. Talvez lhe atrapalhasse na hora do coito, talvez ele viajasse demais nas preliminares. E foi o que subitamente aconteceu. Quando viu aquela semi-ninfeta de pernas abertas bem ali na sua frente, não resistiu e deitou a língua naqueles lábios suaves e macios, os pequenos e os grandes. Não importava, eram todos macios, tão macios que ele imaginava estar sorvendo uma espécie fruta molhada, que não se mastigava, nem se dissolvia. Uma pele de textura bem assedada, bem tenra e suada de tanto prazer. Ali, ao toque da sua língua, que silvava de maneira semi-alucinada, em busca de algo além.

   Enquanto se dedicava, com forte devoção, àquela boceta. Borbulhavam milhões de coisas dentro da sua fértil e alucinada imaginação. Um tubo de ensaio em constante e eruptante ebulição.

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