domingo, 30 de abril de 2017

TEMPO PERDIDO

Foi tanto tempo perdido
Tentando encontrar
O que estava escondido
E assim ficaria, para sempre.

Foi perdido tanto tempo
Tentando encontrar
O que estava tão claro
E assim tão vivo, mesmo assim escondido

Onde está?
Onde estou?
Que horas você volta?
Para onde vou agora?

O tempo
Passou tanto
Eu, perdido.
Fiquei assim para sempre.

Solto no tempo.

terça-feira, 18 de abril de 2017

O Que Vem Antes do Depois?

Não desista dos sonhos
Dizia uma voz, que lhe soprava aos ouvidos
Um murmúrio distante e quase mudo
O passado querendo ficar no passado

Sem forças para vencer o presente
E alcançar o futuro
Meus óculos embaçados, minha vista quase turva
Já não consigo mais enxergar meus acertos

E me perco tentando encontrar
As pequenas partes de mim que fui deixando espalhadas pelo caminho
Não desista, nunca é tarde para reverter tudo
Mesmo que o muro pareça grande demais

Você sempre será capaz de dar um grande salto
Não desista, insistia a voz quase muda, murmurando
O peito ardendo, o coração aos pulos
Vontade de correr pelo mundo, mas os pés atados no chão

Tudo cristalizado,
Os desejos, os sonhos, os medos
Tudo represado,
As dores, as angústias, outros medos

Quando explodir?
Para onde vai tudo isso?
Onde vai vazar a corrente desse rio
Enquanto isso, ainda preso, sonha perdido... outra vez.

O que vem antes do depois?

sábado, 15 de abril de 2017

Meus Vícios

Estou preso dentro desse mundo
Percebo meus vícios e os alimento
Todo dia me visto para sair
Mas não saio, permaneço nesse mundo

E tenho medo das pessoas, mas as cumprimento
Tenho medo de diálogos, mas converso com elas
Fujo de discussões, mas muitas vezes me perco em meio delas
É tudo tão confuso

Minha pilha de discos
Minha pilha de livros
Minhas coleções inúteis
Minhas manias sem sentido

Posso ir na esquina e saciar minha dor
Posso escutar tudo o que quero
O mundo é tão efêmero agora
Tudo é tão simples e tão confuso

Criamos e destruímos
Sonhamos e desistimos
Podemos começar algo novo, ou querer voltar com algo antigo
Mas os vícios permanecem intactos...




perdi um poema

quarta-feira, 12 de abril de 2017

o mundo é duro

Não sei o que sentir
Agora, me perdi de mim mesmo
Escuto Red Krayola e o tempo parece estagnado
É muito avant-rock para meu ouvido vazio

Me percebo quebrantado
Ainda é meio de madrugada
Sinto meu olho esquerdo cansado
Uma lágrima solitária se represa

Um barulho de laboratório,
Algo deu errado.
Você me convidou para dançar
Mas eu não sei mais dançar

E esqueci como sorrir, sem ter medo
não se incomode se o som ficou alto do nada
Minha cabeça funciona assim, e explode
Há muita fumaça, tudo está confuso, o mundo é duro...

Blasé

É tão Blasé
Pensar em teu sorriso
Que nem sorria
Vamos em frente, e choremos

Eu posso chorar
Você também pode chorar, querida
Só não podemos ser blasés
Enquanto a lux explode lá fora

Vamos em frente nisso
Ainda temos uma última chance
Vamos tentar contemplar algum momento
Antes que seja só chorar e lamentar

Nada é mais blasé
Do que ser blasé com a chance de amar
Olha lá para fora
Eu vou correr, vem!