Rasga o tempo
Cheio de falas sem sentido
Tem sentido bastante
Os últimos dias foram muitos difíceis
Há um peso absurdo em suas costas
Sabe disso, mas pouco se importa
Seguir é sempre o melhor remédio
Mas nem sempre ele toma
A palavra doeu
Tantas vozes sem sentido falando na sua cabeça
Não quer saber de nada
Prefere o silêncio
Mas como fala importa
Palavra é pedra
E pesa.
Ponto final.
palavras... delírios... vômitos... buracos negros... umbigos... pélvis lisa... tudo que interessa!
segunda-feira, 28 de novembro de 2016
Sentidos
Meu sexto sentido nunca erra
Eu posso errar bastante
Pecar por excesso
Ser o avesso do regresso
Mas meu sentido percebe
Sente as coisas
Pesa quando não deve
Mas sempre acerta
Tenho sentido bastante
Lembro daquela noite
Quando você disse que eu podia fazer tudo
E eu simplesmente não fiz
Quando percebi
Os sinais que me deu, já era tarde
Me dei conta de tudo
E juntei peça por peça
Desse quebra-cabeça que eu mesmo inventei
Percebi tarde demais
Mas mesmo que tivesse percebido cedo
Já seria tarde demais.
Já não faz mais sentido
Tudo o que sinto, eu minto
Melhor que não sinta nada
E encontre os sentidos que perdi
Eu posso errar bastante
Pecar por excesso
Ser o avesso do regresso
Mas meu sentido percebe
Sente as coisas
Pesa quando não deve
Mas sempre acerta
Tenho sentido bastante
Lembro daquela noite
Quando você disse que eu podia fazer tudo
E eu simplesmente não fiz
Quando percebi
Os sinais que me deu, já era tarde
Me dei conta de tudo
E juntei peça por peça
Desse quebra-cabeça que eu mesmo inventei
Percebi tarde demais
Mas mesmo que tivesse percebido cedo
Já seria tarde demais.
Já não faz mais sentido
Tudo o que sinto, eu minto
Melhor que não sinta nada
E encontre os sentidos que perdi
domingo, 27 de novembro de 2016
Respirar
Nenhum sinal
De nada restou um pedaço qualquer
Migalhas, restos, sobras, vestígios
Muito pouco, quase nada.
Era um brilhante falso
Aquele sol, naquele dia
Nossos corpos nus
Embaraçando uns nos outros
Gritando para os vizinhos
Cantando ao acordar
Pensando, fazendo planos
Tudo em vão.
Areia movediça
Terreno insólito
Vazio
Etéreo.
O ar que perdi
Não valia
Não tinha sentido
Mas agora senti.
E doeu
Respirar.
De nada restou um pedaço qualquer
Migalhas, restos, sobras, vestígios
Muito pouco, quase nada.
Era um brilhante falso
Aquele sol, naquele dia
Nossos corpos nus
Embaraçando uns nos outros
Gritando para os vizinhos
Cantando ao acordar
Pensando, fazendo planos
Tudo em vão.
Areia movediça
Terreno insólito
Vazio
Etéreo.
O ar que perdi
Não valia
Não tinha sentido
Mas agora senti.
E doeu
Respirar.
VOA
Me sentia muito familiar com aquela sensação
Era cedo ainda, mas já estava arrumando sua cama
Dentro de si, tudo desmoronando
Mas por fora, um Sol imenso se abrindo
Era cedo, mas já estava tarde
O tempo é estranho às vezes
Ele engana
Por que eu desconfiei de você?
Não posso brigar
Contra tudo o que senti
E ainda sinto
Aqui dentro, meu peito sangra em dúvidas
Conto as horas
Todas elas contam
Me contam segredos
Coisas que nem quero ouvir, ou saber.
Seria diferente se eu tivesse dito: Voa!
Era cedo ainda, mas já estava arrumando sua cama
Dentro de si, tudo desmoronando
Mas por fora, um Sol imenso se abrindo
Era cedo, mas já estava tarde
O tempo é estranho às vezes
Ele engana
Por que eu desconfiei de você?
Não posso brigar
Contra tudo o que senti
E ainda sinto
Aqui dentro, meu peito sangra em dúvidas
Conto as horas
Todas elas contam
Me contam segredos
Coisas que nem quero ouvir, ou saber.
Seria diferente se eu tivesse dito: Voa!
ANALOGIA DO GRILO
Não grilo, bicho.
Pode ventar como for
A lua pode sorrir com sua cor de prata
Até não restar nada
Eu não ligo
Não me importo
Nunca me importei
Não é agora que vou me importar
Eu imploro,
mas não ligo.
Nem grilo
O bicho mesmo, mora?
Onde mora o grilo?
Não sei, mas aqui não mora.
É sempre a mesma coisa
O pensamento se perde toda madrugada.
Pode ventar como for
A lua pode sorrir com sua cor de prata
Até não restar nada
Eu não ligo
Não me importo
Nunca me importei
Não é agora que vou me importar
Eu imploro,
mas não ligo.
Nem grilo
O bicho mesmo, mora?
Onde mora o grilo?
Não sei, mas aqui não mora.
É sempre a mesma coisa
O pensamento se perde toda madrugada.
Manhã, logo cedo.
Não sabia o que pensar
Depois daquele furacão
O que aconteceu naquela manhã
Aquela voz ecoando na minha cabeça
Aquele olho louco,
Me encarando, me querendo
Desmoronando meus pensamentos
Minhas cartas perdidas sob a mesa
Era cedo ainda,
Sua cama estava toda desbotada
Se perdeu, profundamente.
Sentiu o regojizo bem fundo
Sentia sono, era um cansaço do mundo
Ainda não tinha esquecido
Seu antigo amor
Mas seguia tentado com todo ardor
Sobreviver
Depois do furacão que passou
Tudo ficou desmoronado
O corpo inteiro bagunçado
O pensamento ainda insistia
Em voltar no tempo
Mas, no fundo sabia, que só olhando para frente
Poderia revisitar o passado.
Depois daquele furacão
O que aconteceu naquela manhã
Aquela voz ecoando na minha cabeça
Aquele olho louco,
Me encarando, me querendo
Desmoronando meus pensamentos
Minhas cartas perdidas sob a mesa
Era cedo ainda,
Sua cama estava toda desbotada
Se perdeu, profundamente.
Sentiu o regojizo bem fundo
Sentia sono, era um cansaço do mundo
Ainda não tinha esquecido
Seu antigo amor
Mas seguia tentado com todo ardor
Sobreviver
Depois do furacão que passou
Tudo ficou desmoronado
O corpo inteiro bagunçado
O pensamento ainda insistia
Em voltar no tempo
Mas, no fundo sabia, que só olhando para frente
Poderia revisitar o passado.
terça-feira, 22 de novembro de 2016
Analogia da Gaiola
Era tarde, aquela noite
Ele sabia
Havia algo de muito estranho no ar, pairando
Mesmo assim insistiu, e foi.
Na rua, andando perdido, encontrou uma Gaiola
Vazia, intacta, jogada numa caçamba de lixo
Ela dizia baixinho: Me Leva! Esquece o resto, me leva!
Olhou para ela, fitou-a com amor, fez planos.
Imaginou luzes coloridas
Em seu interior, um corpo cheio de plantas suculentas
Imaginou um grande cactus bem ao centro
Imagens mortas.
O pensamento se esvaiu, perdeu-se no tempo
Sumiu feito uma fumaça miúda e etérea
Assim, como o que pensava ser algo parecido
Com amor.
Mas era demais
Demasiado de tanto amor, confuso
A chama estava acesa, mas queimava por todos os lados
A Gaiola estava ali, falando, murmurando pequenos desejos
Podia ter ouvido
Mas não ouviu, preferiu seguir
E se perder
Em meio a tantos tropeços, soluços, olhares vazios
Podia ter levado ela
A Gaiola
Ela pedia
Murmurava
Não ouviu
Se perdeu
O tempo agora é seu único amigo
Amante incondicional.
A Gaiola estava lá
Solta.
O sentimento dele agora estava assim
Perdido, preso, derretendo...
Não Ouviu
Ela murmurou
Ela implorou
Ela disse SIM.
Não ouviu
Perdeu
O tempo
Agora é amigo.
Ele sabia
Havia algo de muito estranho no ar, pairando
Mesmo assim insistiu, e foi.
Na rua, andando perdido, encontrou uma Gaiola
Vazia, intacta, jogada numa caçamba de lixo
Ela dizia baixinho: Me Leva! Esquece o resto, me leva!
Olhou para ela, fitou-a com amor, fez planos.
Imaginou luzes coloridas
Em seu interior, um corpo cheio de plantas suculentas
Imaginou um grande cactus bem ao centro
Imagens mortas.
O pensamento se esvaiu, perdeu-se no tempo
Sumiu feito uma fumaça miúda e etérea
Assim, como o que pensava ser algo parecido
Com amor.
Mas era demais
Demasiado de tanto amor, confuso
A chama estava acesa, mas queimava por todos os lados
A Gaiola estava ali, falando, murmurando pequenos desejos
Podia ter ouvido
Mas não ouviu, preferiu seguir
E se perder
Em meio a tantos tropeços, soluços, olhares vazios
Podia ter levado ela
A Gaiola
Ela pedia
Murmurava
Não ouviu
Se perdeu
O tempo agora é seu único amigo
Amante incondicional.
A Gaiola estava lá
Solta.
O sentimento dele agora estava assim
Perdido, preso, derretendo...
Não Ouviu
Ela murmurou
Ela implorou
Ela disse SIM.
Não ouviu
Perdeu
O tempo
Agora é amigo.
sábado, 12 de novembro de 2016
Fio de Cabelo
Ela foi embora
Mas deixou um fio de cabelo
E agora, olho para ele
E lembro de tudo
Cada beijo quente
Cada desejo
Toda troca que tivemos
Tantos olhares escondidos
Aquele fio de cabelo
Agora é tudo que restou
Meu desejo também ficou
Mas ela partiu
Se vai voltar algum dia
Não sei, o tempo sabe
Mas ele que é sábio
Ainda não disse nada
Preferiu o silêncio
Me deixou mudo também
Me fez pensar em tudo e querer sumir
Ao invés disso, resolvi mudar
Cada pedaço
Cada inconstância
Cada erro, pequeno vacilo
Quem sabe ela volte algum dia
E eu tenha a chance
De me me refazer, de corrigir meu vacilo
Que eu possa estar
Feliz, calmo, radiante
E dormir um sono tranquilo
Mas deixou um fio de cabelo
E agora, olho para ele
E lembro de tudo
Cada beijo quente
Cada desejo
Toda troca que tivemos
Tantos olhares escondidos
Aquele fio de cabelo
Agora é tudo que restou
Meu desejo também ficou
Mas ela partiu
Se vai voltar algum dia
Não sei, o tempo sabe
Mas ele que é sábio
Ainda não disse nada
Preferiu o silêncio
Me deixou mudo também
Me fez pensar em tudo e querer sumir
Ao invés disso, resolvi mudar
Cada pedaço
Cada inconstância
Cada erro, pequeno vacilo
Quem sabe ela volte algum dia
E eu tenha a chance
De me me refazer, de corrigir meu vacilo
Que eu possa estar
Feliz, calmo, radiante
E dormir um sono tranquilo
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