terça-feira, 31 de março de 2015

UMBIGO

Me empresta teu sorriso
Faz meu dia ficar colorido
Acende minha chama
Me chama para dentro dessa cama

Vem, é agora.
Acerta seu passo no meu
Deixa eu te contar um segredo
Se eu me lembrar

Eu quero teu umbigo
No meu umbigo
Deixar a tarde cair
E nunca mais levantar (dessa cama)

sexta-feira, 27 de março de 2015

BOLERO DO DESAMOR

Faz pouco tempo, eu sei
Ainda agora você sorriu para mim
Ainda consigo ouvir,
Se fechar os olhos.

Consigo ouvir tua respiração
Aqui dentro da minha cabeça
Teu calor ainda me confunde
O teu perfume, ainda consigo sentir.

Mas você partiu,
Foi para algum lugar distante
E não voltou
Era tarde.

Agora, que são dez para as onze da noite
Eu queria saber
Por que diabos, você fugiu de mim?
Era tarde também naquela noite

Estava olhando as estrelas agora
E pensei: O que fez você partir?
Por que temos que sumir.
Onde vamos reaparecer?

É tarde agora, eu sei
Ainda a pouco tudo estava aqui
Ainda consigo ver
Se fechar os olhos.

Mas tudo se partiu,
Foi para algum lugar e nunca mais voltou
Era tudo muito distante
Tudo partiu em mim.

quinta-feira, 26 de março de 2015

AVIA, MENINO

Avia, menino!
Tá tarde,
tira essa cadeira da porta
Se adentre para tomar o café

Se for para rua, mais tarde
Leve o abrigo.
Pode ser que tenha sereno
É melhor estar encapotado

Na praça, pessoas dão voltas
Amigos se encontram
Jovens se encaram pela primeira vez
Sonham romances imaturos

No abrigo de Lulu ou no bar de Floriano
Os jovens tomam Coca-Cola
Os mais velhos se aventuram na cerveja (ou na pinga)
Na praça, todos se encontram.

Os que estavam perdidos,
Os que acabaram de chegar
Os que rodaram tanto que ficaram tontos,
Avia, menino!!

Tá cheio de pelego esperando na porta
Eles querem brincar
Com seus brinquedos
Eles querem roubar teus sonhos

Avia, menino!
Tá tarde.
Bota essa cadeira para dentro
Já chamei mais de mil vezes.

De noite, não vai sair.
Avia, menino!
Corre para dentro
Antes que seus sonhos virem pesadelo.

(inspirado em Simão Dias, Sergipe e nos "recados" que minha bisavó, Adelaide Rosa Montalvão, me dava quando eu era pequeno)



JORRANDO

Estou quase explodindo
Sou uma cachoeira
Me jorrando
Há um furacão dentro da minha cabeça

Tem dias que não é bom
Escutar tantas vozes
Falando dentro de você
É melhor o silêncio, mas também impossível

Tempos atrás
Eu conseguia sentir
O barulho das árvores, das folhas, da tua respiração
Dentro da minha cabeça

Agora, sinto que estou explodindo
Mas fico aqui
Esperando algum choque
Uma nova visão, uma voz nos meus ouvidos

O vento grita teu nome
É um sino batendo
Seria bom estar surdo
Não queria ver, nem tocar em nada

Eu posso explodir, sinto que estou jorrando...

VOAR

E se eu olhar
No fundo dos meus olhos
Refletidos no espelho
E não conseguir me ver?

Devo fingir que vi, sentir,
ou fugir de mim mesmo?
Como sempre não sei dançar
É que sempre toca a mesma música

Tudo o que posso fazer
É muito pouco, é quase nada, é inútil.
Vai amanhecer outro dia
E continuo somando minhas horas distantes

Estou navegando sozinho
Num mar que não parece ter fim
O sal vai me temperando
Estou quase pronto, cada vez mais longe

Onde você está?
Onde andam seus pensamentos
Seus sentimentos
Eles andam, ou continuam plantados?

Há uma ponte
Entre meus olhos
E tuas asas
Se for voar agora, me chame, quero voar com você.

terça-feira, 10 de março de 2015

Coração-Estorvo

É cedo
Nem amanheceu
Me olho no espelho
E percebo meus olhos grudados, quase cegos

A penumbra ante as vistas
Um véu distorcido e tênue
Que se pendura diante dos meus olhos
Me impedindo de enxergar minhas rugas

Meu medo talvez seja o tempo
Talvez nem tempo eu tenha para sentir medo
Enquanto isso, dorme plena
Gozo fatal.

Na ponta dos meus dedos
Trago alguns segredos
Dos desejos que amei a pouco
Tantos eram, que me lambuzei em devaneios

E me perdi, completamente vazio
Diante desse espelho
Onde estou cego
Nem amanheceu, está tudo turvo.

Até esse estorvo batendo desalegrado em meu peito.
Me confunde
Me aflige
atendo, ardendo, em desassossego, batendo, batendo... aflito.