quarta-feira, 26 de julho de 2017

Café num País do Estrangeiro

Entra no Café.
Pede um expresso.
Busca uma revista ou folheto qualquer.
Vislumbra o ambiente.

Pensa em registrar aquele momento
Está em outro país, em outra cidade.
Se embriagando de outra cultura, outras vozes,
Outros diálogos lhe acolhem aos ouvidos.

Presta atenção, quer aprender
Quer apenas sorrir e ser feliz,
Nem que seja por um momento.
Um simples momento.

Quer registrar.
Saca o celular.
Se omite.
Tem medo.

O tempo.
O vento.
O sorriso no seu rosto.
Tudo.

Ficou mudo.
Chega o café.
Sorve, atento ao ambiente.
Tudo novo.

Seus olhos brilham.
Até quando manterá esse brilho?

Cego

Era de manhã, muito cedo.
Fazia um frio imenso.
Acordei cego.
O horizonte se fechou em negro diante dos meus olhos.

Não vi quando você foi embora
Foi tudo tão rápido.
O mundo continuou girando
Mas eu parei por muito tempo.

E contei cada dia
E sonhei.
Tudo em vão.
O tempo estava frio, eu estava cego e vadio.

Era cedo ainda.
Mas parecia muito tarde.
Naquela manhã,
Percebi o vazio.

Guerra Vazia

Vem com tudo
Me rasga a pele
Entra e toma conta do que sempre foi seu
Imagine que estou aqui para ser devassado

Venha com seu exército
E conquiste tudo
Invada minhas torres
Entre nas minhas salas

Sente-se confortavelmente
Em meu trono.
Domine.
Tudo, cada situação.

Sinta o barulho das cornetas
A guerra acabou
Você venceu.
Eu fui derrotado.

Mais Uma vez
Perdi.
Para quem sempre perco.
Eu mesmo.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Fuga

Eu esperei tanto
Que um dia acordei
E resolvi nunca mais esperar
Queria apenas te ver

Te olhar e ter certeza
De que tudo era apenas uma miragem
Que toda a fantasia
Era apenas um sonho torpe, sem sentido

Foi o que eu vi
E vi muito mais
Vi e senti toda a indiferença
O cinismo disfarçado de superioridade blasé

Distanciamento normal e obtuso
Nada que não foi esperado
Depois de tanto tempo
Foi estranho ter a chance de dizer tudo

E omitir boa parte
Quase tudo
Porque não havia sentido para dizer mais nada
Porque nada do que fosse dito faria sentido

Teu olhar fugia
Teu discurso era vinculado ao passado, uma mágoa
Vontade de dizer há muito
Fazia tempo e era muito, mas fugia, como sempre.

sábado, 22 de julho de 2017

Olhar

Não consegui manter
Nem te olhar
Teu olho fugia do meu
Eu tinha medo de procurar.

Estranho

Por que não fala algo?
Diz que sou um boçal
Um brutamontes deseducado
Animal ignorante, tosco, rude, obtuso.

Me enquadra
Diz que vai pregar um quadro
E não volta nunca mais
Nunca esteve aqui mesmo.

Mas sempre julgou.
Até hoje, julga como ninguém.
Analisa cada aspecto.
Bole com os sentimentos.

É tudo muito confuso
Parece que mente, parece que fala a verdade
É direto, um soco no estômago.
Estranho.

Tudo Me Interessa

Sou Selvagem e Vazio
Tudo me interessa
Digo que não sinto medo e vou
Me perco em meio à multidão e acho bom

O tempo não me cura, eu curo minhas feridas
Encontrando outros cortes
Caço corações, devoro sentimentos
Posso ser seu novo amor?

Não tenha medo do que vou falar
Se eu mentir, me perdoe
Foi força do hábito
Eu já nem sei quando falar a verdade

Finjo boa parte do tempo ser doce
Amo sem medidas
Abasteço minha alma com bastante libido
Faça calor ou frio, a caça está sempre à deriva

Golpe fatal,
Fuga e distanciamento.
É importante medir cada ato e marcar o território
Antes de dar o golpe final.

Tudo me interessa
Sua história me interessa.
Por que não me conta algo.
Faz tempo que estou aqui sentado esperando você falar.

Boa Noite.
Sei que nada vai acontecer.
Melhor mesmo.
Tudo me interessa, menos isso.

DESASSOSSEGO

Desassossego
No meu peito
Um passarinho solto
Voando sem parar

Ele não sossega
Voa, bate suas asinhas
Eu sinto elas batendo
Aqui dentro, sem parar

Desassossego
Um passarinho
Solto no meu peito
Voando, voando...

sexta-feira, 21 de julho de 2017

O tempo apaga tudo

Não adianta pensar
Nada volta atrás
Tem que aprender a seguir adiante
E esquecer, que um dia foi bom

Não tem mais força
Perdeu o sentido
Ou nunca teve
E buscamos em vão

Vai ver que foi tudo ilusão
Ou não tinha perdão
Meu olhar não cruzava mais com o teu
Tinha medo, tinha um recuo

Não adianta pesar
Não tem valor mesmo
O tempo passou e levou o pouco que tinha
Nada restou depois do vendaval

Palavras pesam mais que toneladas
E enterram qualquer sentimento
Falou como sempre na hora errada
E pagou muito tempo por errar as palavras.

O tempo apaga tudo
Menos o incêndio na minha cabeça
Esse maremoto, quando chega?
Preciso me preparar, caso tenha que ir embora.

Adeus, adeus.
Chegou a hora de dizer adeus a esse amor.
Não resta nada a não ser indiferença.
O tempo enterrou.

terça-feira, 18 de julho de 2017

E seu eu dissesse
Que ainda sinto, muito!
E queria me apresentar de novo.
Dizer que estou aqui
E sou capaz de reconhecer o quanto errei.

Inesquecível

Hoje, foi o dia mais feliz
E talvez o mais difícil de toda minha vida.
Pode reencontrar seu sorriso,
Tua voz que permaneceu muda por tanto tempo.

Poder te olhar nos olhos
Outra vez admirar
O brilho sereno e determinado que eles tem
Admiro cada aspecto de sua pessoa

Toda a maravilha que você é.

Depois de tudo,
Vi que errei no tom, na cor.
A minha fala vacilou
Meu pensamento ruiu

Não consegui externar
Nem metade do que pretendia
Era difícil, depois de tanto tempo, fazer sentido
Qualquer tipo de sentimento poderia parecer muito tolo

O contexto é outro.
Sangrei.
Continuo sangrando.
Acho que vou dormir agora.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

CATRACA

Naquela catraca,
Sua vida passou
Em fração de segundos foi embora
E ele, estático, viu ela passar

Cheia de vida
Cabeça erguida
Olhar lacônico e confiante
Passos largos e despreocupados

Ele, ficou parado, imaginou
Pensou errado
Outra vez, sua voz não saiu
Permaneceu mudo e paralisado

E foi embora também
Sentido culpa, um pouco de medo e alívio
Sem entender
Por que a vida faz assim com ele.

ACORDA RAPAZ!
É você quem faz isso com você mesmo!!
A vida não tem culpa de nada,
Ela vai sempre passar, por aquela catraca, confiante e feliz... indo embora para algum lugar radiante!

quarta-feira, 12 de julho de 2017

ALMA

Hoje acordei com frio
Minha alma estava nua
Não tinha pele, nem sentia
Outro corpo que habitava minha cama

A mesma trama
Na qual me meto e me confundo
Nunca quis maltratar teu coração
Nem o meu, nem o dela, nem o de quem ainda não conheço

Ontem, senti um calafrio
Meu corpo inteiro tremeu
Eu não ouvi os sinais de novo
E mandei outro recado sem sentido

Daqueles que se perdem no tempo
Porque o tempo já passou faz tempo
E nada irá fazer ele voltar
Nem velho, nem novo.

Hoje acordei estranho
Aquele corpo, que estava ao meu lado, não era
O meu desejo contido.
Me confundo outra vez, me perco, me despedaço.

E acabo destruindo outros castelos.
Hoje minha alma acordou nua
E não consegui me ver quando olhei no espelho
Não tinha pele, nem roupa, nem nada para lembrar ou sentir.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Passou

Novamente.
Você passou por mim.
E não falou, e nem me viu
Mas viu, também vi, fingimos juntos.

A farsa de sempre.
Passou outra vez
Acho que dessa vez foi para sempre
A chance se foi.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Um Novo Adeus

É sempre tarde,
Quando amanhece é tarde.
Quando entardece,
também é tarde.

Quando a noite vem
É um tarde gostoso.
É quente, frio, aconchego, desejo.
Passa tão rápido, e logo amanhece, e é tarde.

Um novo adeus.
Amanhã, quem sabe.
Ou nunca mais.
Te vejo.

E Aquela Cerveja

Oi, tudo bem?
Como vai você?
Há tempos busco entender
Parar de castigar sem ser o meu ser

Esquecer de tudo e de tão pouco
Um maremoto num pequeno copo de água semi-vazio
Torpor... um desejo contido, ou não.
O que vem agora depois desse teatro todo?

Confiei na tua palavra
Você chorou no meu ombro e disse amor
Eu comprei tua dor
Eu senti tua alma

E tudo foi em vão
É sempre assim, ilusão.
Até quando vamos acreditar
Que há alguém para nos surpreender, e amar.

Você não foi, mais uma vez
Acordei tarde.
Mais uma vez.
Perdi o trem, só depois entrei, e busquei um assento.

Mas agora ainda há tempo.
Sempre que ser, se conquista!
Me perdeu de vista...
E disse que tentou, ilusão.

E aquela cerveja, daquele dia
Deixa pra depois.