sexta-feira, 19 de julho de 2013

Tem dias que acordo fogo
Me pego em chamas!

Tem dias que apareço seco
Estorricado feito terra vermelha

Tem dias que sou todo fumaça
Medo, Névoa, Obscuro, Pavor

Tem dias que nem durmo
Há dias, que faço de conta que ainda sei quem eu sou.

NEIL YOUNG


Estava lendo a autobiografia de um dos meus mestres, Neil Young, e lá ele diz que deixou de fumar maconha e que se sente muito melhor, mais focado: "(...) Então raspei meu dedo do pé numa pedra na piscina e ele quebrou. Meu dedo mindinho! Então, tenho que pegar leve. É por isso que escrevo esse livro agora. Ou talvez seja pelo fato de que deixei de fumar maconha. Estou muito mais focado. É estranho. De um lado, não sei se consigo compor desse jeito. De outro lado, admito que provavelmente só estou escrevendo esse livro porque parei de fumar. Alguém deveria registrar isso para uma pesquisa sobre sobriedade, mas não eu."

Daí eu me pergunto: Será que vou ter que parar de fumar maconha para poder escrever meu livro?

quinta-feira, 18 de julho de 2013

F O M E



Minha palavra é tosca
Rudimentar, crua, ordinária, selvagem e grita:
Me sinto parvo!
Vivo em busca de um eterno recomeço

Agora minha cabeça anda cheia de coisas novas
Algumas não me pertencem
Algumas quero eliminar
Outras vieram e tomaram seu lugar

A natureza confunde
A sua e a minha alma
São tantos quereres embutidos em tudo
Dá um nó nos olhos só de pensar

Minha poesia é tosca
Grita, Selvagem, ordinária, crua
É uma porção de carne humana que se serve fria
Da forma mais rudimentar.

(É comer ou largar)

TUDO BEM

Tudo bem, eu sei
Eu não fui ninguém
Não fui além de palavras
Mal consegui resistir ao teu sorriso

Sucumbi, diante da tua recusa
Me abusa saber
Que só eu não sei mentir
Ou que sinto medo, e sumo

Agora, atrás desse muro
Eu já nem sei
Como vou conseguir te olhar nos olhos,
Mesmo que seja Adeus.

Lembro quando te vi pela primeira vez
Você passou como um vento passa
Mas deixou teu sorriso

E eu senti.
Grita bem alto, como se ninguém pudesse ouvir
Dá um salto
Mergulha no infinito de palavras tortas, toscas, desejos torpes
Depois emerge, sem expressão.

Há uma ânsia, um desejo lhe enche os peitos
Há um jorro contido
Há tanto fluído preso dentro dessa glande

Há tanto vômito para explodir dessa garganta…
SOLOMÃO ACORDOU.

Solomão se escora pelas paredes sebentas do banheiro sujo do bar imundo onde ele se encontra, todo desabonado, maltrapilho, inundado em dúvidas, em dívidas passadas (de passados que nunca passam). Solomão vomita palavras nas paredes dos banheiros públicos. Poesias torpes. Letras toscas. Devaneios sem tamanho, nem medida. Aceita esmolas. Aceita afagos. Deita no chão, acorda com a boca grudada no aslfato quente, os lábios em chamas, estorricados, não come nada, não bebe nada. Os olhos vorazes, procuram pelo que ele não sabe - sentir nem medir - nem sabe o que é que procura, mas não pára, dedos vorazes, desejos ávidos, mente oficina do Diabo. Mente vazia. Mente cheia. Oficina do Diabo. Procura pelo vazio, onde achar o vazio? O vazio não se acha, talvez um vaso?! Onde ele possa vomitar seus sonhos. Talvez ele "vaze" dali. Seus olhos não gostam da cor dessa tinta descascada nas paredes sujas desse bar fétido, ele volta sempre ao começo porque seus pensamentos quase sempre estão confusos. Na garganta explode um desejo, é quente, líquido, pode eclodir a qualquer momento, ele pode explodir. Ele pode jorrar pelos poros, sangue, urina, vômito, esperma, excremento ou apenas secreção. Ele pode explodir a qualquer momento.

Solomão lutando contra os parasitas do seu intestino salgado, maltratado, obscuro e contorcido. Solomão dialogando com suas células vivas e buscando ressuscitar as que já estão mortas. É um eterno delírio, é um salto que se leva para longe… e para lugar nenhum. Solomão travando uma guerra diária com suas paranóias, com suas angústias, medos, complexos, fraquezas, traumas, convicções, devaneios… devaneios… devaneios. Solomão gritando que é mais forte que tudo e que o mundo, e sabendo que o mundo está certo e ele está errado de tudo, e todo dia quando vai dormir, pensa no vazio que procura sem achar, simplesmente, porque ele já está ali e Solomão não vê (mas sente). Solomão guerreando mentalmente contra os tumores extra-sensoriais, espaciais, moleculares, extraordinários, estupefactos, adormecidos, sanguinários, mutantes que estão dentro da sua cabeça. Solomão negando eternamente a existência de inquilinos dentro da sua cabeça. Solomão dialogando com os inquilinos dentro da sua cabeça. Solomão acordando ao lado dos seus novos inquilinos e tomando café da manhã com eles. Solomão pensando no dia que vai se ver livre desses novos inquilinos, no dia em que vai enfim, extirpa-los.

Solomão acordou na manhã seguinte. Olhou em volta. Seu quarto parecia vazio. Seu coração parecia vazio. Solomão olhou pela janela, a rua gritava. Cheia de cores, de cheiros, de barulhos e pessoas que ele não conhecia, ou que pouco travava algum tipo de diálogo, estavam todas lá. Solomão, enfim pensou, que talvez estivesse encontrado o vazio que há tanto procurava. E ele estava logo ali, preenchendo todo aquele quarto.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

E se teu sorriso
Não for aqui do meu lado
Posso até perceber
As horas passando no descompasso

Posso sentir teu sobressalto
Teu cicio
Meu vício por vassuncê
Só aumenta com o passar do tempo

E sinto um aperto
Um apuro no peito
Comichão de borboletas bêbadas
Que não me deixam dormir

E se teu sorriso
Um dia acordar aqui, ao meu lado
Eu vou sorrir junto
E findar com meu estorvo.