quarta-feira, 17 de abril de 2013

Q U E R I A

Queria fumar mil cigarros
Agora mesmo
Tragar tudo de uma vez
E sumir na tragada (assim, do nada)

Queria muito apagar meus passos
Não dar mais passo algum
Se não posso sorrir, e nem posso caminhar
Ninguém vai me impedir de me tragar

Nem de nadar
No mar
Voar no ar
Cair no nada

Nem de esquecer
Que estou aqui
No que posso ser
Se ainda vou crer

Se vai amanhecer
Dentro da minha cabeça
Se vai acontecer
Quando eu olhar pros teus medos

Eu vou perceber?
Vou ter tempo para entender
Vou conseguir respirar
Eu preciso respirar (senão eu piro)

Quando eu antes gritava
E era alto o meu grito
Muitas vezes confundi meu lamento
E chorei sozinho, com medo

Agora, ainda choro
Sozinho
E com medo
Mais medo ainda de caminhar, eu tenho.

Me contenho
Seguro meus ímpetos
Como agora, e sempre
Tenho medo de me atropelar

Eu nem sei dirigir
Nunca quis saber
Mas eu sempre quis saber
Se podia ser mais do que sou.

Até agora não sei
Nada.
Quase.
Nunca.


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