sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

"(...) Tomemos como exemplo o caso da expressão "bela caligrafia", que muitos ainda consideram exemplo de pleonasmo que se deve evitar. Quem é que sabe que, ao pé da letra, "caligrafia" significa "bela grafia"? Quem é que sabe que o elemento grego "cali-" (o mesmo de "calidoscópio", que possui a variante "caleidoscópio", à qual é preferível) significa "belo"? E quem é que hoje usa "caligrafia" com o sentido literal?
Parece mais sensato aceitar "bela caligrafia" como um dos casos de pleonasmos consagrados pela perda da noção do sentido original, o que também se vê, por exemplo, em "abismo sem fundo" (literalmente, "abismo", que vem do grego, significa "sem fundo") ou no pronome oblíquo "comigo" (soma da preposição "com" com a forma antiga "migo", que, por sua vez, vem da forma latina "mécum", em que já se encontram o pronome e a preposição). (...)"

Pasquale Cipro Neto - para Folha de São Paulo

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