quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Grita agora,
Depois cala solene
E dorme
Como se nem houvesse o grito!
OLHOS

Os meus olhos
Para nada servem
Nem para te ver passar
Nem para sentir você

Os meus olhos
quero arrancá-los
quero perder a razão
quero ficar cego de uma vez

Os meus olhos
eu escondo
atrás de óculos escuros
atrás de pensamentos noturnos

Os meus olhos
são minhas janelas
eles vivem abertos
mesmo quando não deveriam

Os meus olhos
não são meus
não são seus, esses olhos
eu nunca enxerguei nada mesmo.
"A minha poesia pode mentir, às vezes
Mas meu pau, nunca!"

(Tristão de Montalvanis)

terça-feira, 20 de novembro de 2012

http://thekittencovers.tumblr.com/
Dinheiro pra quê?

Dinheiro, eu uso pra gastar.
Pra comprar minhas ilusões.
Pra enganar meus olhos.
Pra satisfazer minhas mentiras.

THE MAGNETIC FIELDS

With Whom to Dance?


Papa Was A Rodeo



VEJO UM VAMPIRO

Eu vejo um vampiro
Sentado ao piano
Está escuro, sombrio, há algo queimando
Meu pensamento está em chamas.

Uma valsa fúnebre
Me entorta, quebra meus ossos
Eu vejo um vampiro com os joelhos inchados
Sentado num banco, tocando um piano maldito

Que queima, como meus olhos
Altos, altos e altos
Eles queimam, minhas asas queimam
Meu corpo e todos esses seres da noite

Eles queimam
Como minhas lembranças
Eu vejo um vampiro
Ele está sugando meu pescoço

(roubando meus últimos dias de vida)

"Falo o que penso, sem pensar no que falo, penso, ou calo." (Tristão de Montalvanis)
do Latim annullo

Anular
Anelar
O anel
No luar

(e o meu coração?)

Reduzir
Zerar
Destruir
Aniquilar

Esquecer
Limitar
Eclodir
Ou sumir

(Nunca mas voltar!)

PÉS


Eu não quero saber
Se você não me quer
Ou está triste comigo
Eu sinto sua frustração, batendo como um tambor.

O meu coração aflito
O meu cigarro apagado
O meu ego do tamanho do mundo
Tão grande que mal consigo enxergar

Os meus pés
Onde estão?

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

AMOR DO NADA

Não... não... não...
Me recuso a sentir isso de novo.
Não é mau gosto.
É precaução.

E um pouco de medo
De me jogar da ponte
E não ter asas
E não ter um pára-quedas.



E se todo mundo acordasse se punindo?
O mundo seria um pouco melhor por conta disso?
Ou teríamos que chorar nossas lamúrias do mesmo jeito?
E se eu estivesse acorrentado, ou crucificado - agora mesmo - poderia penitenciar a mim mesmo?

(Tristão de Montalvanis)

MERDA NO VENTILADOR

No que difere o teu cheiro
Do meu cheiro?
Se quando forçamos
É a mesma merda que sai e fede

Do que adianta você se limpar
Melhor que eu, se na hora de forçar a barra
Você fede, igual.
E mesmo assim, acha que sou eu, o culpado por toda essa merda.

Tudo bem.
O Ventilador está logo ali.

domingo, 11 de novembro de 2012

O SONO

O sono vem
Esse monstro
Com sua longa cabeleira cinza
Se esvoaçando ao vento

Anda
Em passos lentos, perdidos, trôpegos
E deita, solene, na relva seca da minha mente
E faz pouco caso do que sinto, do meu corpo cansado

Me arrasto até teus olhos
Te faço crer que sou capaz de mudar
E quando percebo, que a vítima pode ser eu mesmo
Desisto, regurgito meus sentimentos, meus tropeços

Se a brisa do teu corpo, leve
Me toca, de outro jeito
Sinto o peso sob meus olhos
Sinto a tua mão pesando sobre minha cabeça

Ouço tuas lágrimas
Elas falam de coisas tristes
Não é mais uma loucura minha
Só resiste que não crê


Tanta retórica para nada
vazio no vazio, vira nada
nadando contra a maré
não encontro nada

e nada, me interessa!!
mesmo quando me engano
ou acredito que está encaixando
as peças que perdi faz tempo

não é nada, não diz nada
nadando contra a maré
chego a lugar nenhum
não me importa, estou vazio

não tenho nada
nada a oferecer
nada a desejar
absolutamente nada!

então me recolho
para o meu canto infinito
a passo a contemplar absoluto
o NADA!!