quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Licor de Murici

Ela me ligou dizendo que queria apenas fumar um baseado comigo e botar a conversa em dia. Demorou uns 30 minutos e chegou na minha casa. Tocou a campainha, fui na varanda e olhei para baixo, lá estava ela. Aquele rosto safado olhando para mim de maneira lasciva. Desci para abrir a porta. Ela sorriu e disse:

- Oi Bebê, quanto tempo... que saudade!!

Eu apenas sorri e disse: - Entra, vai!

Ela entrou e subiu as escadas. Retardei a caminhada para fechar a porta e chegar a tempo de contemplar aquela bundinha deliciosa subindo as escadas. Ela, assim como eu, era muito safada. E isso era bom, pois eliminava de cara certos pudores desnecessários à ocasião. Entramos em casa. Ela foi até a cozinha, puxou uma cadeira e sentou-se à mesa. Eu estava cozinhando um cuzcuz nordestino e continuei fazendo minha comida, que agora era a nossa comida. Logo iríamos estar comendo um ao outro. Questão de tempo, pensei.


As conversas eram as de sempre quase, a não ser pelo fato de que ela acabará de ser posta para fora da casa onde iria morar e estava meio perdida. Me pediu para ficar uns dias, eu relutei a pensar, mas disse que sim. Nunca soube dizer não a uma mulher, mesmo nas piores situações, sempre busquei satisfazê-las de alguma forma. Sempre busquei ajudar, doar um pouco do meu tempo, aprender com a energia delas. Mas voltando à comida, o cuzcuz ficou pronto e para acompanhar, fritei alguns ovos na manteiga. Um pouco de leite por cima do cuzcuz, mais manteiga no cuzcuz, acrescentam-se os ovos, uma xícara de café e pummmm... temos uma refeição!! Tomamos nosso café, enquanto ela falava sobre seus problemas e eu tentava ouvir tudo e passar alguma mensagem positiva que vinha à minha cabeça naquele momento, era uma troca meio injusta, visto que eu acabara de chegar de viagem pelo Nordeste do Brasil e estava com a mente bem calma e serena, o oposto do que se passava na mente dela naquela ocasião. Era um tormento leve, mas era assustador ver o quanto somos frágeis e estamos sujeitos aos imprevistos da vida. A corda-bamba em que nos equilibramos, chamada por muitos de vida!

terça-feira, 15 de agosto de 2017

escorrendo

A vida inteira
Escorrendo por entre meus dedos
Todos os dias
Pequenas gotas caindo no chão, em solidão.

Ruminando meus medos e erros,
Sem buscar ajuda.
Minha vida inteira
Deixei que escorresse e caísse pelo chão

Esparramei a vida
Naquele chão frio
Depois, só com a alma, e muita calma
Para recuperar o que restou

Depois de tantas pisadas
De tantas cuspidas e valas
Restou muito pouco
Nem uma gota, talvez.


terça-feira, 8 de agosto de 2017

corpos distantes.
pensando em estar próximos.
colados.
pensamentos distantes.

sonhando em estar próximos.
dois corpos.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Animal Ruminante


O tempo consumindo tudo
Nhac nhac nhac
O tempo ruíndo
Eu, ainda ruminando.

Essas palavras.
Me sinto um animal.
Mudo.
Ruminante.

Encontro no Céu

Não me pergunte onde eu vou
Pois eu vou mentir
Quando eu sair sem rumo
E não disser se vou voltar.

Saiba que posso ir longe
E até mesmo voar.
Hoje, tenho um encontro no céu
Não me pergunte como, mas eu vou lá.

Apenas saiba que eu posso voar.
E ir onde eu quiser.
A lua está em aquário.
É tempo de recolher e pensar.

O olhar sempre adiante
O ar sempre radiante
A firmeza no pensar
Hoje eu posso voar.

Não sei ainda como vou,
mas hoje eu tenho um encontro lá no céu.
Se quiser me ver,
É lá onde vou estar.