domingo, 27 de setembro de 2015

Passarinho Pequeno

Verdade seja dita, tentar entender é bem pior. Deixar que o tempo se encarregue das coisas. Ele que é malvado, ele que açoita, e maltrata e confunde e mexe com tudo. Qual o teu medo? O meu medo é te perder para sempre e nunca ter coragem de dizer que te queria para sempre. E por que não digo? Porque acho que também tenho medo. Porque essa porra de sociedade filha da puta que fizeram comigo, sem eu querer ser sócio, me fodeu para sempre. Que sociedade é essa? Onde foi que me meti que nem vi? Por que sou seu amigo se eu quero ser além? Se eu sou além? Por que não vê isso? O que acontece? Quando deita em minha cama, semi livre de tudo e mesmo assim se prende a tudo e não deixa que as coisas voem e se encaixem onde queiram se encaixar. Eu disse amor. Você disse qualquer coisa. Diferente. Os pássaros já começaram a cantar, eles nem sabem de nada, eles nem imaginam. Eu Não consigo cantar, por mais que imagine, e queira cantar, não me sinto pássaro e não canto. Por que você cortou sua asas? E agora não voa mais. E eu vou ter que não voar também?

Não. Prefiro que você seja esse passarinho triste, e eu fico aqui, te observando de longe. Sem pressa nenhuma, sem presa, sem nada. Um dia, vai ver, você perceba que eu sei cantar e voar. Ou talvez, esse dia nunca chegue ou aconteça, pouco importa, vou estar aqui sentindo do mesmo jeito e querendo cantar e voar.

É tão além. O tempo passa como se fosse um mergulho lento, em câmera lenta. Eu caindo, lentamente. O tempo, caindo. As luzes ficando rarefeitas. Você nem percebe, tudo mudou já, você nem percebe, eu nem percebo. Porque perdemos tanto tempo fugindo do que é tão óbvio? A vida é assim, esse é o resumo. Fugir do óbvio. Como se isso fosse algo possível. É inevitável, querer além é extremamente demais, mas continuamos querendo e querendo... e perdendo, e perdendo.