terça-feira, 23 de outubro de 2012

Eu
Não sou
Há muito tempo.
"Pensou que era Nobre, um príncipe audaz
Mas nem tinha seu reinado
Nem cabeça tinha
Nem côroa, nenhum trófeu

Deitou
E dormiu
Sonhando sonhos torpes
Inundando a cabeça de louros."

(Tristão de Montalvanis)

Tarde.

Chegamos atrasados
O Amor se foi
Disse que não volta mais
Sabe mentir

Ponteiros atrasam
Eu estava aqui
Quando você estava lá
Chegamos tarde demais

Vou calar
entendendo paciente
Que o tempo acabou
E nós erramos a hora

Tudo é do jeito que a gente sente
Amor... Arde... Agora... Tarde!

Apague

Apague meu cigarro
Dite minhas falas
O Calor do teu corpo
Me deixa azul

Meus pés doem
Inverto os passos
Perco a noção
Do tempo e espaço

Eu sei
O tempo passou
As horas se foram
E nós estamos sós

E distantes de tudo
De nós mesmos
E do mundo
Que um dia foi nosso.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Elevador

Estava apertado
Havia muita gente naquele elevador
Estava um absurdo de quente
Mesmo assim, ele foi lá e cagou na cara das pessoas

Dezenas de palavras tortas
Daquelas com letras maiúsculas, quase gritadas
Depois voltou pro canto e se recolheu em posição fetal
Com medo que alguém o linchasse, e chorou baixinho.

Quase um pio
Se sentiu um passarinho
Quis voar, fugir daquele lugar fétido e escuro
Não era fácil, nada era fácil, nem nunca seria.

Aquele corpo fedia
Estava se decompondo
Era puro torpor
E fedia profundo.
Tudo pode acontecer novamente
Tudo pode acontecer novamente
O teu sorriso
O adeus

Aquele abraço que não me deu
O beijo que não consegui roubar
Tudo pode acontecer novamente
Tudo pode acabar de repente

Enquanto você está aqui, dentro de mim
eu consigo florescer, e germinar o teu colo

Tu pode acontecer novamente
Tudo pode acabar de repente
"Eu nunca tive medo de dizer tudo o que penso... apenas me reservo ao direito de não dizer para os imbecis, nem dialogar com eles, a eles eu reservo o meu silêncio. O meu total e absoluto, silêncio!"(Tristão de Montalvanis)

Rasgue



rasgue minhas vontades
eu quero ficar mudo
enquanto todos gritam e se esperneiam 
vestindo cores que não são suas

quero costurar meus medos
e vomitar frases tortas
na sua face pálida
na sua camiseta rosa

vem junto com o medo
um gosto estranho na boca, meio amargo
a tua sombra ontem passou por mim
parecia tão vazia, nem brilhava mais, nem exalava nada

agora, quando tentar falar alguma coisa
procura antes enxergar o caminho
para que não caia de novo, pois quando se perde o sentido
de nada vale o desejo, nem o ardor (nem o amor)

nem vale o sorriso, parece falso, perdido
é como se repetisse a mesma nota
eu não sei de nada sobre isso, venha logo e me ame agora
oh, meu pobre coração! (O que posso esperar desse dia?)

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

E...

pega na minha mão
me balança por inteiro
me joga pro alto
toma conta de mim.



quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Um vento quente
Estremece
Minh'Alma... nessa noite tardia
Mas ainda é tão cedo, tenho medo, do que pode acontecer

Se eu continuar pensando
E se continuar sentindo, esse calor
Me invadindo, me penetrando, me acolhendo
Como um peito morno, molhado e macio

Me dê tua mão
Essa madrugada pode ser nossa
Há campos vastos que podemos percorrer
Num sonho infinito

Me Dê sua mão, acredite
Eu posso colorir teu mundo, e você pode florescer
O meu mundo, o meu muro, o meu espelho
Onde vou ver teu corpo, grudado ao meu.