quinta-feira, 28 de junho de 2012

hologramas

É quando você some
Que eu mais procuro você
E quando não vejo o teu sorriso
Eu fico imaginando como poderia ser

Se eu pudesse sentir cada momento
Mesmo que não tivesse um sentido
E se quando olhasse teus olhos
Pulasse no teu abraço, perdido e solto

Com uma fome tão grande, com uma vontade
E quisesse saciar minha sede, minha barriga, minha alma
E se não me faltasse o suspiro derradeiro
Eu me jogaria dessa ponte

Sem medos, sem olhos, cegamente
E sentiria os teus braços
Me aguardando lá embaixo
Dois hologramas.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

"Se o peso desse pensamento pairar, mórbido
Ecoará pelos ossos um grito seco, empoeirado
Os teus olhos, como duas fogueiras frias
Não há fuga para o descaso, tudo está perdido no tempo."
(Tristão de Montalvanis)

sexta-feira, 22 de junho de 2012

"confio em tudo o que penso que é verdade
mesmo sabendo que o erro
está ali, do meu lado
sorrindo com seus dentes podres"
(Tristão de Montalvanis)

CORUJA

Engana meus olhos
Me entregando teu suor
Já não sou mais eu mesmo
Nem tenho mais nenhum medo

Fiquei tão confiante que podia
Que esqueci do meu amor
E de esperar pelo dia
Que nunca chega, e termina

Você me disse um monte de palavras soltas
Eu fingi que acreditei, mesmo sabendo
Que não passavam de promessas vazias
Agora o silêncio permanece à nossa volta

Como uma coruja no meio da noite
Observando meus erros no escuro

Conforta saber
Que não preciso mais me preocupar
Em tentar entender
Tudo aquilo que não tenho sentido

Ou mesmo fingir
Que sinto tanto e tão profundo
Quando na verdade
É só a pele que me atrai

Prefiro não fingir
Não fugir
Então fico aqui
Saboreando tua indiferença.

Como uma coruja no meio da noite
Observando meus erros no escuro
Por que non te cágas?!
Non te callas?
Engole seco
A seiva que escorre
Pelo canto da boca
Como leite matinal.

AMOR VAZIO

Apressa minha dor
Descansa teus olhos, enquanto se limpa
Não precisa mais ver o amor
Está completamente cega

Apalpa minha carne
Não é bem um ataque
Mas quer me invadir
Ou rasgar minha pele

Quer mais que prazer
Quando pensa que podemos comer
Ou foder com a nossa própria dor
Como dois tarados sem pudor

Resta limpar a saliva no canto da boca
Vestir a pureza e buscar uma explicação
Para tamanha falta de sentido ou emoção
É estranho olhar para alguém e não ver nada além, de carne tosca.

?

É quando sinto falta...
Que faz falta, o teu sorriso
Que poderia estar aqui
Bem ao meu lado, me fazendo sorrir também.

O que foi que eu disse para não conseguir entender
Que agora é tarde demais para tentar perceber
O tanto de tempo que perdi
Entre eu e você?

devaneios da 1 e 37

Eu já nou sou mais nada
Além do que restou
Apague a luz quando sair
Ou me deixe só, quero dormir

Já não grito mais, nem falo como antes
Desconheço até os meus passos
Quando me levam para onde eu não sei se quero ir
Ou simplesmente, vagam por aí

As tuas cores
Como se tua flor não se abrisse nunca mais
A minha cabeça girando, o sol batendo forte bem no meio
De toda a confusão, de toda a baratinação da minha cabeça

Teu rosto, aparecendo e sumindo e derretendo meus pensamentos
Eu já não sei quem sou nessa noite fria
Eu acho que não sou quase nada do que já fui
E ao mesmo tempo sei que sou mais forte do que nunca fui

E tropeço nos meus próprios passos
Porque desconheço o meu grito
E não sei mais se quero ir
Para onde me levam, ou simplesmente dormir.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

No Meu Peito


No meu peito
Trago um nó bem engendrado
Um novelo bem estranho, parecido com desejo
Não estou certo, posso estar me estranhando

Ou me engano fácil e muito mais
E desisto antes mesmo de começar a ser verdade
Ou fujo com medo de que seja mesmo (verdade)
E não me encontro nunca mais.